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Pescar

Atualizado a

Petromyzontidae · Migradora rio–mar

Lampreia-marinha

Petromyzon marinus

Nome oficialLampreia · também autorizado: Lampreia-marinha

Peixe primitivo sem maxilas, com boca em ventosa, que sobe os rios portugueses no inverno e primavera para desovar. A sua pesca lúdica é proibida e qualquer exemplar apanhado deve ser solto.

Também conhecido como

  • amocete
Lampreia-marinha
Foto: Allan Harris · CC0 · Wikimedia Commons
—

Antes de levar

Tamanho mínimo

Não definido

Captura

Captura proibida

Registo de capturas

Não exigido

Conservação (IUCN)

Pouco preocupante (LC)

Captura e retenção proibidas na pesca lúdica. Se for apanhado, devolver de imediato à água.

Fonte: DGRM, Perguntas frequentes da pesca lúdica (2026): espécies cuja captura e retenção é proibida. A lei em vigor prevalece sobre esta ficha. Confirme sempre as regras locais (editais da capitania, zonas protegidas, regulamentos de cada rio).

Onde encontrar em Portugal

Rios e albufeiras

Indicativo: a abundância varia com a época, a água e o ano. As localizações exatas dos pesqueiros nunca são mostradas aqui.

Como identificar

Corpo em forma de enguia, sem escamas e sem barbatanas pares. Tem uma boca em disco de ventosa com muitos dentes córneos e sete orifícios branquiais de cada lado atrás do olho.

Duas barbatanas dorsais separadas na parte de trás do corpo. Cor de fundo amarelada a acastanhada com um padrão marmoreado escuro.

Confusões frequentes

Confunde-se com a enguia, que tem maxilas, barbatanas peitorais e uma única abertura branquial de cada lado. A lampreia-de-rio (Lampetra) é muito mais pequena e sem o padrão marmoreado.

As larvas (amocetes) vivem enterradas na areia dos rios e parecem pequenas minhocas sem olhos visíveis.

Onde vive

Os adultos vivem no mar e entram nos rios para desovar, dispersando-se pelos troços principais até zonas de cascalho e areia com boa corrente. Em Portugal ocorre nas bacias do Minho, Lima, Cávado, Douro, Vouga, Mondego, Tejo, Sado e Guadiana, sendo mais abundante no Centro e Norte.

As larvas passam vários anos enterradas em fundos de areia fina dos rios. As barragens e açudes bloqueiam muito a sua subida; no Mondego, a passagem para peixes do Açude-Ponte de Coimbra e outras passagens a montante reabriram dezenas de quilómetros de rio.

Comportamento e época

No mar, o adulto fixa-se a outros peixes e alimenta-se do seu sangue e tecidos. Nos rios deixa de se alimentar. A migração dá-se sobretudo entre janeiro e maio; no Mondego, a passagem de Coimbra é mais usada em março e abril.

Na desova, os pares constroem ninhos de pedras movendo-as com a boca, em troços de corrente e cascalho. Os adultos morrem depois da reprodução.

Como pescar

A captura e retenção na pesca lúdica estão proibidas. Raramente pega no anzol, mas pode ficar presa a um peixe ferrado ou ser enganchada por acidente; também pode fixar-se em pedras perto dos pesqueiros.

Se isso acontecer, não a puxe com força: deixe-a soltar-se dentro de água ou desprenda-a com cuidado e devolva-a de imediato. Evite pisar e mexer nas zonas de cascalho onde estão os ninhos na primavera.

Iscos e amostras

Não deve ser procurada com nenhum isco nem amostra.

A melhor contribuição do pescador é respeitar as zonas de desova e comunicar às autoridades obstáculos ou capturas ilegais que observe.

Na cozinha

É um prato emblemático do Minho, da Bairrada e do Mondego (arroz de lampreia, lampreia à bordalesa), mas o pescador lúdico tem de a devolver.

Curiosidades

  • É um dos vertebrados vivos mais antigos: as lampreias existem há mais de 360 milhões de anos e não têm maxilas nem esqueleto ósseo.
  • As larvas (amocetes) vivem enterradas e sem olhos funcionais na areia durante vários anos, filtrando partículas, antes de se transformarem e descerem ao mar.
  • O nome do género, Petromyzon, significa «chupador de pedras», pelo hábito de se agarrar às pedras com a boca.
  • Na passagem para peixes do Açude-Ponte de Coimbra já se contaram mais de 20 mil lampreias num ano (2014), mas os valores recentes são muito mais baixos.
  • O arroz de lampreia é um prato de culto no Minho, na Bairrada e no Baixo Mondego, com festivais próprios.

Conservação

No Livro Vermelho dos Peixes de Portugal (2023) está classificada como Vulnerável (VU), com distribuição restrita e declínio da qualidade do habitat. Está no Anexo II da Diretiva Habitats e no Anexo III da Convenção de Berna. A pesca lúdica e desportiva é proibida.

Ameaças: sobrepesca, perda de continuidade dos rios, extração de inertes (que mata larvas enterradas), captação de água, poluição, peixe-gato-europeu e secas. O pescador pode ajudar respeitando as zonas de cascalho na primavera, não pisando ninhos e denunciando pesca ilegal.

Galeria

  • Lampreia-marinha
    Photo Credit: Great Lakes Fishery Commission (Public domain)
  • Lampreia-marinha
    Ian Manning (CC BY 4.0)

Vivem nas mesmas águas

Espécies que se encontram nas mesmas zonas e habitats do lampreia-marinha.

Referências

  1. Livro Vermelho dos Peixes (2023) - ficha Petromyzon marinus · ICNF / SNIPAD (categoria VU, bacias de ocorrência, ameaças, medidas)
  2. Livro Vermelho dos Peixes Dulciaquícolas e Diádromos de Portugal Continental (2023) · Magalhães et al. / FCiências.ID & ICNF (categoria de ameaça, distribuição por bacia, pressões e ameaças)
  3. Reabilitação dos habitats de peixes diádromos na bacia do Mondego · P. R. Almeida / Universidade de Évora - MARE (APRH, 2017) (passagem do Açude-Ponte de Coimbra; 5 passagens para peixes até Penacova; ~75 km de continuidade)
  4. Utilização da passagem para peixes do Açude-Ponte de Coimbra pela lampreia-marinha · Universidade de Lisboa (repositório) (pico de passagem em março-abril; caudal como principal fator; eficiência ~30%)
  5. Rio Mondego com menor efetivo de lampreias desde que há registos · RTP (contagens na passagem de Coimbra (mínimo histórico em 2025))
  6. Despacho - pesca do sável e da lampreia no rio Mondego (2022) · DGRM (gestão anual da pesca profissional de lampreia, sável e savelha no Mondego)
  7. Notícia sobre escassez de lampreia (Penacova) · Agroportal (escassez de lampreia no Mondego e cancelamento de festival)
  8. Denominações comerciais autorizadas em Portugal (Anexo I da Portaria 587/2006, consolidado a 27/04/2021) · DGRM (nome oficial e denominações autorizadas)