Atualizado a
Salmonidae · Migradora rio–mar
Salmão-do-Atlântico
Salmo salar
Nome oficialSalmão · também autorizado: Salmão-do-Atlântico
Grande peixe migrador que nasce nos rios, cresce no mar e regressa para desovar. Em Portugal está no limite sul da sua distribuição e é muito raro; a pesca lúdica é proibida e qualquer exemplar deve ser devolvido.

Antes de levar
Tamanho mínimo
Não definido
Captura
Captura proibida
Registo de capturas
Não exigido
Conservação (IUCN)
Quase ameaçada (NT)
Captura e retenção proibidas na pesca lúdica. Se for apanhado, devolver de imediato à água. No troço internacional do rio Minho aplica-se o regulamento próprio desse troço (Comissão Permanente Internacional do Rio Minho), que pode ser diferente.
Fonte: DGRM, Perguntas frequentes da pesca lúdica (2026): espécies cuja captura e retenção é proibida. A lei em vigor prevalece sobre esta ficha. Confirme sempre as regras locais (editais da capitania, zonas protegidas, regulamentos de cada rio).
Onde encontrar em Portugal
Rios e albufeiras
- Bacia do LimaRara
rio Lima e afluentes (ex.: Vez)
Indicativo: a abundância varia com a época, a água e o ano. As localizações exatas dos pesqueiros nunca são mostradas aqui.
Como identificar
Corpo fusiforme e elegante, prateado nos adultos frescos vindos do mar, com pequenas manchas negras em X sobretudo acima da linha lateral e poucas ou nenhumas abaixo dela. Tem barbatana adiposa entre a dorsal e a cauda.
O pedúnculo caudal é estreito e a cauda ligeiramente côncava. A maxila chega até por baixo do olho, mas não para trás dele. Os machos em reprodução ganham tons avermelhados e um gancho na maxila inferior.
Confusões frequentes
Confunde-se sobretudo com a truta-marisca, que tem o pedúnculo caudal mais grosso, cauda mais direita, maxila que ultrapassa a parte de trás do olho e mais manchas, também abaixo da linha lateral.
Os juvenis (pintos) confundem-se com trutas pequenas; em caso de dúvida em rios com salmão, devolva o peixe.
Onde vive
Em Portugal a presença atual limita-se praticamente aos rios Minho e Lima, com raras ocorrências no Neiva, Cávado e Douro, e em número muito reduzido: mais de 90% dos adultos estão no Minho. Os juvenis precisam de troços de água fria, limpa e oxigenada com fundo de cascalho e abrigos.
As barragens, a degradação dos rios e o aquecimento da água contribuíram para o seu declínio no sul da Europa.
Comportamento e época
Os juvenis vivem um a três anos no rio antes de descer para o mar, onde crescem rapidamente com peixes e crustáceos. Regressam ao rio onde nasceram para se reproduzir, deixando de se alimentar na subida.
A desova ocorre no fim do outono e no inverno, em ninhos escavados no cascalho. Alguns adultos sobrevivem e voltam ao mar.
Como pescar
A captura e retenção na pesca lúdica estão proibidas. Nos rios do Norte onde ainda existe, pode ser ferrado por acidente na pesca da truta com amostras ou mosca.
Se isso acontecer, encurte a luta, mantenha o peixe dentro de água, retire o anzol com cuidado e segure-o virado para a corrente até recuperar e nadar sozinho. Não o pendure nem o pouse em pedras secas.
Iscos e amostras
Não deve ser procurado com nenhum isco. As capturas acidentais acontecem com colheres rotativas, peixes artificiais e moscas usados para a truta.
Em troços com salmão, anzóis simples sem farpa tornam a libertação mais rápida e segura.
Na cozinha
O salmão do Minho teve grande tradição histórica, mas hoje a espécie é rara e o pescador lúdico tem de a devolver. O salmão vendido no comércio é de aquacultura.
Curiosidades
- Os rios do Minho e do Lima marcam o limite sul da distribuição mundial do salmão-do-atlântico na Europa.
- Regressa quase sempre ao rio onde nasceu, guiado em parte pelo olfato (fidelidade natal ou homing).
- A população portuguesa terá menos de 250 adultos.
- Os juvenis que descem ao mar (smolts) são muito predados pelo corvo-marinho na primavera.
- O salmão do Minho foi historicamente muito valorizado, chegando a ser oferecido como presente de prestígio.
- Há projetos da Universidade de Évora para estudar e reforçar as populações do Minho e do Lima.
Conservação
No Livro Vermelho dos Peixes de Portugal (2023) está Criticamente em Perigo (CR), com menos de 250 indivíduos maturos e flutuações extremas no Minho. Está nos Anexos II e V da Diretiva Habitats e no Anexo III da Convenção de Berna.
Ameaças: alterações climáticas (secas e água quente), barragens, pesca acidental, captação de água, poluição e predação dos juvenis pelo corvo-marinho. Qualquer salmão ferrado deve ser devolvido com o máximo cuidado, sem o tirar da água.
Galeria
Vivem nas mesmas águas
Espécies que se encontram nas mesmas zonas e habitats do salmão-do-atlântico.
Referências
- Livro Vermelho dos Peixes (2023) - ficha Salmo salar · ICNF / SNIPAD (categoria CR, <250 adultos, Minho e Lima, ocorrências raras no Neiva, Cávado e Douro)
- Livro Vermelho dos Peixes Dulciaquícolas e Diádromos de Portugal Continental (2023) · Magalhães et al. / FCiências.ID & ICNF (categoria de ameaça, distribuição por bacia, pressões e ameaças)
- Livro Vermelho: peixes de água doce e migradores de Portugal estão em perigo · Público (26/07/2023) (resumo das categorias do Livro Vermelho 2023)
- Alexandre et al. (2021) - salmão no limite sul da distribuição · Universidade de Évora / MARE (salmão em Portugal: Minho e Lima, ocorrências raras no Cávado e Douro)
- Salmão - PEC Rio Minho · Plano Estratégico de Conservação do Rio Minho (salmão no rio Minho)
- SalmonLink · Universidade de Évora (projetos de conservação do salmão no Minho e Lima)
- Living on the Edge: Management and Conservation of Atlantic Salmon at the Southern Limit · Universidade de Évora (repositório) (gestão do salmão no limite sul)
- Denominações comerciais autorizadas em Portugal (Anexo I da Portaria 587/2006, consolidado a 27/04/2021) · DGRM (nome oficial e denominações autorizadas)

