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Pescar

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IntermédioÁgua doce

Carpfishing

Também conhecida como carp fishing, pesca à carpa, pesca noturna à carpa, pesca à carpa sem morte

Pesca ao fundo dirigida às carpas de grande porte, com iscos como boilies e milho, canas apoiadas em suportes e alarmes de toque. Sessões longas, por vezes noturnas em locais autorizados, e devolução cuidadosa do peixe à água.

Onde se usa

AlbufeiraLagoLagoa

Carpfishing
Foto: Davem0sad · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
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O que é

O carpfishing é uma forma especializada de pesca ao fundo cujo objetivo é apanhar carpas grandes (os chamados «exemplares troféu»), e não muitas carpas. Nasceu em Inglaterra e chegou a Portugal no início do século XXI.

O pescador coloca o isco no fundo com uma chumbada (peso de chumbo ou outro metal que leva a linha ao fundo), deixa as canas em suportes e espera, às vezes durante horas ou dias. Quando a carpa pega no isco, um alarme eletrónico avisa.

Uma marca do carpfishing é o cuidado com o peixe: usa-se tapete de receção, camaroeiro grande e desinfetante, e a carpa é devolvida à água. Por isso pratica-se sobretudo em albufeiras e lagoas, onde a lei permite devolver a carpa (nos rios, a carpa é de devolução proibida).

Como se faz

  1. Escolher o pesqueiro. Procura zonas com sinais de carpa (bolhas, peixe a saltar), mudanças de fundo, bordas de vegetação, entradas de ribeiras e pontas de margem com vento a bater.
  2. Sondar o fundo. Com uma chumbada ou um marcador (uma boia que sobe até à superfície), mede a profundidade e sente se o fundo é duro, lodoso ou com ervas.
  3. Engodar. Lança engodo (alimento para atrair e fixar o peixe no sítio) no ponto escolhido: boilies, milho, sementes cozidas ou pellets, com uma fisga, uma «spomb»/«bait rocket» ou à mão. O objetivo é fazer as carpas habituarem-se a comer ali.
  4. Montar e lançar. A montagem típica é o «cabelo» (hair rig): o isco não vai espetado no anzol, mas preso num fio curto ao lado. Quando a carpa aspira o isco, o anzol entra na boca. A chumbada pesada ajuda o anzol a cravar sozinho.
  5. Esperar com as canas em suporte. As canas ficam num suporte com alarme; a linha é ligeiramente esticada para o alarme detetar qualquer movimento.
  6. Combater o peixe. A carpa grande puxa com força: deixa trabalhar o travão do carreto e não forces.
  7. Receber e devolver. Recolhe a carpa com camaroeiro grande, coloca-a no tapete molhado, tira o anzol, desinfeta a ferida, fotografa depressa e devolve-a à água.

Material

  • Canas de carpa: robustas, normalmente de 3,6 m a 3,9 m, com boa potência para lançamentos longos.
  • Carretos de bobina fixa grandes, com muita linha e travão fiável; muitos têm sistema de «baitrunner» (deixa o peixe levar linha sem resistência até o pescador ferrar).
  • Linha grossa e resistente (o estudo da UTAD refere 0,30 a 0,45 mm) e, junto à montagem, linhas de proteção contra rochas e mexilhões.
  • Montagens: anzóis fortes, «cabelo», chumbadas que se soltam se a linha partir (para o peixe não ficar preso a um peso), tubos e protetores.
  • Suporte de canas (rod pod ou piquetes) e alarmes de toque, muito úteis à noite; indicadores de toque (pesos pendurados na linha).
  • Camaroeiro grande (rede de mão com abertura larga), tapete de receção, desinfetante para feridas, saco de pesagem e balança.
  • Para sessões longas onde são permitidas: tenda (bivvy), cama, lanterna frontal com luz vermelha, roupa quente.

Iscos e amostras

Os iscos do carpfishing são feitos para a carpa e para atrair peixe grande:

  • Boilies: bolas de farinhas, ovos e aromas, cozidas para ficarem duras e aguentarem os peixes pequenos.
  • Pellets: granulados prensados que se desfazem e libertam cheiro.
  • Sementes cozidas: milho, cânhamo, trigo, grão; o milho é dos iscos mais usados em Portugal.
  • Iscos flutuantes ou «pop-ups»: boilies ou milho artificial que flutuam ligeiramente acima do fundo, para não ficarem escondidos no lodo ou nas ervas.

O engodo deve ser natural e as sementes bem cozidas (uma semente crua incha no estômago do peixe). Não deixes sobras na margem ou na água no fim da sessão.

Quando resulta melhor

A carpa come mais com a água amena. Primavera e outono são as melhores épocas; no verão, as horas frescas e a noite rendem mais. No inverno a pesca continua, mas é mais lenta e em zonas mais fundas.

Vento a bater numa margem empurra alimento e oxigena a água: muitas vezes as carpas acompanham-no. Quedas de pressão antes de chuva costumam ser boas.

Em albufeiras, o nível da água muda muito com as descargas e com a seca. Zonas que eram boas num ano podem ficar a seco no outro.

A carpa não tem época de defeso na lei atual, segundo o estudo da UTAD; confirma sempre as regras específicas de cada massa de água.

Onde se pratica

O carpfishing faz-se sobretudo em albufeiras (lagos de barragem), lagoas e lagos particulares ou geridos por associações, de norte a sul do país.

A pesca noturna à carpa em águas livres só é permitida nas massas de água definidas por deliberação do ICNF. A deliberação de 17 de abril de 2018 incluía, entre outras, a Lagoa de Mira e zonas assinaladas de albufeiras como Alto Rabagão (Pisões), Venda Nova, Carrapatelo (Douro), Fagilde, Aguieira, Montargil, Maranhão, Minutos, Caia, Monte Novo e Alqueva. Também é possível em zonas de pesca lúdica cujo plano de gestão o preveja.

Há ainda lagos dedicados, como o Lago da Garça Real (Alvarães, Viana do Castelo), gerido pela Associação Portuguesa de Carp Fishing.

Diferenças para outras técnicas

Carpfishing vs. pesca à carpa tradicional (de competição). As duas são pesca ao fundo à carpa. Na pesca à carpa tradicional o objetivo é apanhar o maior número ou o maior peso total de peixes; no carpfishing o objetivo é apanhar os exemplares maiores. Isso muda tudo: no carpfishing engoda-se para selecionar peixe grande, usam-se iscos grandes e duros (boilies) e espera-se mais tempo.

Carpfishing vs. feeder. No feeder a chumbada é substituída por um alimentador (pequena caixa ou rede com peso, cheia de engodo); lança-se de poucos em poucos minutos para manter engodo junto ao anzol, com uma única cana na mão e uma ponteira sensível que mostra o toque. Apanham-se muitos peixes de tamanho médio (barbos, carpas, pimpões, bogas). No carpfishing usam-se várias canas pousadas em suportes com alarmes, lança-se pouco, engoda-se à parte (com fisga ou «spomb») e espera-se pelo peixe grande. Nas provas da FPPD de carpa são até proibidos o method feeder, o swing-tip e o quiver-tip, e a montagem «com cabelo» é obrigatória.

Carpfishing vs. ledgering. «Ledgering» é o nome inglês da pesca ao fundo com chumbada simples e isco parado, vigiando a ponteira da cana ou a linha. O carpfishing é uma forma de ledgering, mas com material pesado, montagem de cabelo, chumbadas que ajudam o peixe a ferrar-se sozinho («auto-ferragem») e alarmes, em vez de o pescador estar sempre a olhar para a ponteira.

Carpfishing vs. pesca à boia. Na pesca à boia o isco fica suspenso a meia água ou junto ao fundo, debaixo de uma boia, e o pescador ferra quando a boia afunda. Serve bem para carpas pequenas e médias perto da margem; para carpas grandes a longa distância, o carpfishing é mais eficaz.

Dicas

  • Gasta tempo a observar antes de montar o acampamento: muitas sessões ganham-se na escolha do sítio.
  • Molha sempre o tapete antes de pousar a carpa e nunca a deixes no chão ou nas pedras.
  • Não levantes a carpa muito alto para a fotografia: ajoelha-te junto ao tapete.
  • Usa chumbadas e montagens que se soltam se a linha partir, para o peixe não ficar preso.
  • Antes de pescar de noite, confirma no ICNF se aquele local e aquela zona da albufeira estão autorizados.
  • Leva o lixo todo contigo e não deixes engodo na margem.

Segurança

Noite: conhece o local de dia, antes de escurecer. Usa lanterna frontal, deixa tudo arrumado no pesqueiro e avisa alguém de onde estás.

Margens de albufeira: as margens de terra podem ser escorregadias e ceder, sobretudo depois de chuva ou com o nível a descer. Não entres na água para soltar uma linha presa.

Tempo: nas sessões longas, protege-te do calor e do frio; evita pescar com trovoada (canas de carbono conduzem eletricidade) e afasta-te de linhas elétricas.

Barcos: não uses barcos para colocar montagens onde isso não for permitido; se usares embarcação, colete salva-vidas sempre.

Anzóis: cuidado ao lançar chumbadas pesadas; confirma que não há ninguém atrás.

Licença e regras

É obrigatória a licença de pesca lúdica e desportiva em águas interiores do ICNF (anual, de âmbito nacional, regional ou concelhio), com registo prévio como pescador de águas interiores. Nas zonas de pesca lúdica é preciso também a licença especial da zona.

Pesca noturna: em regra só se pode pescar desde meia hora antes do nascer do sol até meia hora depois do pôr do sol. O Decreto-Lei n.º 112/2017 (art. 14.º) abre uma exceção para a pesca lúdica e desportiva na modalidade de carp fishing noturna: (i) em zonas de pesca lúdica cujo plano de gestão a preveja; (ii) em águas livres, nos locais definidos por deliberação do Conselho Diretivo do ICNF; e ainda nas provas e treinos organizados por federação com estatuto de utilidade pública desportiva. Fora destes casos, pescar à carpa de noite é proibido.

Devolução: segundo a Portaria n.º 108/2018, a carpa é de devolução proibida nas águas correntes (rios), exceto nos troços concessionados para pesca desportiva; ou seja, numa margem de rio a carpa apanhada não pode voltar à água viva. Nas águas paradas (albufeiras, lagoas) a devolução é permitida. No carp fishing noturno em águas livres nas massas de água paradas autorizadas, é obrigatório devolver à água as carpas e os barbos acima de um certo tamanho.

Muitas zonas de pesca lúdica de carpa impõem pesca sem morte e regras próprias (canas, horários, tendas). Lê o edital.

Curiosidades

  • A carpa é originária da Ásia e foi introduzida na Península Ibérica; o estudo da UTAD situa essa introdução no século XVIII.
  • A Associação Portuguesa de Carp Fishing (APCF) foi fundada em 2007 e gere um lago numa antiga pedreira em Alvarães (Viana do Castelo).
  • As provas nacionais de carpa da FPPD duram 72 horas seguidas e são disputadas em duplas.
  • A montagem «de cabelo», hoje base do carpfishing, deixa o anzol livre, o que faz a carpa ferrar-se sozinha ao aspirar o isco.

Onde se pratica em Portugal

Zonas onde a técnica é comum, com exemplos de locais públicos. Confirme sempre as regras locais e as zonas interditas.

Rios e bacias

  • Bacia do Guadiana

    Albufeira de Alqueva; Albufeira do Caia; Albufeira do Monte Novo (zonas assinaladas)

    Constam da lista de 2018 de carp fishing noturno; só nas zonas definidas.

  • Bacia do Tejo

    Albufeira de Montargil; Albufeira do Maranhão; Albufeira dos Minutos (zonas assinaladas)

    Lista de 2018 de carp fishing noturno; confirmar a versão em vigor no ICNF.

  • Bacias do Cávado e Ave

    Albufeira do Alto Rabagão (Pisões); Albufeira da Venda Nova (zonas assinaladas)

    O Alto Rabagão é também citado pela UTAD como local de carpfishing.

  • Bacia do Douro

    Rio Douro na albufeira do Carrapatelo (zonas assinaladas); Albufeira do Vilar (rio Távora)

    Carrapatelo na lista de 2018; Vilar citado pela UTAD.

  • Bacia do Mondego

    Albufeira da Aguieira; Albufeira de Fagilde (zonas assinaladas)

    Lista de 2018 de carp fishing noturno.

  • Bacia do Vouga

    Lagoa de Mira

    Na lista de 2018 de carp fishing noturno. Zona hidrográfica atribuída por proximidade (Gândara, ligada à ria de Aveiro); confirmar.

  • Bacia do Lima

    Lago da Garça Real (Alvarães, Viana do Castelo)

    Antiga pedreira gerida pela APCF, dedicada ao carpfishing. Zona atribuída por proximidade.

Galeria

  • Rod pod com alarmes de toque num pontão de lago
    Rod pod com alarmes de toque num pontão de lago · Davem0sad (CC BY-SA 4.0) · Wikimedia Commons
  • Carpa-comum segura pelo pescador antes da devolução
    Carpa-comum segura pelo pescador antes da devolução · Jiří Zelenka (Pohled 111) (CC BY-SA 4.0) · Wikimedia Commons

Outras técnicas

Material, iscos, nós e montagens: carpfishing

Ver tudo em Material e iscos →

Clubes de carpfishing

Os 2 clubes de carpfishing →

Notícias, artigos e eventos: carpfishing

Referências

  1. Obter licença de pesca desportiva em águas interiores · gov.pt / ICNF (Licença de pesca lúdica e desportiva obrigatória em águas interiores; âmbito nacional, regional ou concelhio; validade anual; emissão no ICNF e na rede Multibanco)
  2. Lei n.º 7/2008 e Decreto-Lei n.º 112/2017 – normas legais aplicáveis às zonas de pesca lúdica (compilação) · Instituto Superior de Agronomia – Universidade de Lisboa (Divisão das águas públicas (águas livres, ZPL, zonas de pesca profissional, zonas de proteção); concessão de ZPL; licença geral + licença especial nas ZPL (art. 34.º DL 112/2017); jornada de pesca e e)
  3. Decreto-Lei n.º 112/2017, de 6 de setembro · Diário da República (via informador.pt) (Regime jurídico da pesca e aquicultura em águas interiores; sinalização de zonas de pesca lúdica e de proteção)
  4. Portaria n.º 360/2017, de 22 de novembro · Diário da República (via informador.pt) (Condições de pesca em águas interiores; registo obrigatório como pescador de águas interiores (art. 13.º); época geral da truta-de-rio)
  5. Portaria n.º 108/2018, de 20 de abril (altera e republica a Portaria n.º 360/2017) · Diário da República (via informador.pt) (Anexo I: carpa e truta-arco-íris de devolução proibida nas massas de água lóticas; devolução obrigatória de carpas e barbos grandes no carp fishing noturno em águas livres lênticas)
  6. Massas de água onde a prática noturna do carp fishing é autorizada (deliberação do Conselho Diretivo do ICNF de 17/04/2018, transcrita) · Geocaching.com (transcrição; usada só como pista) (Lista de albufeiras e lagoas com carp fishing noturno autorizado em águas livres (confirmar versão atual no ICNF))
  7. A pesca lúdico-desportiva à carpa (Cyprinus carpio): o caso do carp fishing · CAPTar, vol. 13 (2024), art. 8 – UTAD / ICNF / CITAB (Pereira, Martinho, Carrola) (Diferença entre pesca à carpa tradicional e carp fishing; material (alarmes, tapete, camaroeiro, desinfetante); três canas e pesca noturna em zonas próprias; carpa DP só em águas lóticas; APCF (2007) )
  8. Regulamento Geral das Competições de Fundo – Engodador (Feeder), Carpa (Carpfishing) e Free Style – Água Doce (revisto em dezembro de 2025) · Federação Portuguesa de Pesca Desportiva (FPPD) (Definição de pesca ao fundo com engodador; provas de 5 h (feeder) e 72 h (carpa); canas até 4,5 m (feeder) e 4 m (carpa); method feeder e ledgering no Free Style; montagem com cabelo obrigatória na ca)

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