Saltar para o conteúdo
Pescar

Atualizado a

Cyprinidae · Água doce

Carpa

Cyprinus carpio

Nome oficialCarpa · também autorizado: Sarmão

Ciprinídeo robusto e desconfiado, introduzido há séculos em Portugal e presente em quase todas as albufeiras e rios lentos. É a espécie-rainha do carpfishing e os exemplares grandes ultrapassam os 20 kg.

Também conhecido como

  • Carpa-comum
Carpa
Foto: Dezidor · CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons
—

Antes de levar

Tamanho mínimo

Não definido

Captura

Pode ser capturada

Registo de capturas

Não exigido

Conservação (IUCN)

Pouco preocupante (LC)

A lei em vigor prevalece sobre esta ficha. Confirme sempre as regras locais (editais da capitania, zonas protegidas, regulamentos de cada rio).

Onde encontrar em Portugal

Rios e albufeiras

  • albufeira de Alqueva, Pedrógão, pegos fundos do Guadiana

    ocupa sobretudo albufeiras e troços de corrente fraca

  • albufeiras de Castelo do Bode, Montargil e Maranhão; Tejo e afluentes lentos

    grandes albufeiras de referência para carpfishing

  • albufeiras do Douro e afluentes

  • Mondego e albufeiras da bacia

  • Bacia do SadoFrequente

    albufeiras do Alentejo (bacia do Sado)

  • estuário e troço internacional do Minho

    surgiu no estuário do Minho em 2015–2016 (estudo CIIMAR)

Indicativo: a abundância varia com a época, a água e o ano. As localizações exatas dos pesqueiros nunca são mostradas aqui.

Como identificar

Corpo alto e possante, ligeiramente comprimido, com uma barbatana dorsal longa cujo primeiro raio é duro e serrilhado. A boca é protráctil, virada para baixo, com dois pares de barbilhos (um par curto no lábio superior e um par mais longo nos cantos da boca).

A coloração varia entre o bronze, o dourado e o oliva no dorso, com ventre amarelado. Existem formas com escamas regulares (carpa-comum ou escamuda), com poucas escamas grandes e irregulares (carpa-espelho) e quase sem escamas (carpa-couro).

Confusões frequentes

Confunde-se sobretudo com o pimpão (Carassius auratus), que não tem barbilhos e tem corpo mais curto e alto. Os híbridos carpa × pimpão existem e podem ter barbilhos muito reduzidos.

Os barbos também têm barbilhos, mas a dorsal é curta e o corpo é alongado e fusiforme. A tenca tem escamas minúsculas, pele viscosa e apenas um par de barbilhos pequenos.

Onde vive

Espécie introduzida, originária da Europa de Leste e da Ásia ocidental (bacias do mar Negro, Cáspio e Aral). É uma das introduções mais antigas na Península Ibérica: as fontes apontam para a sua chegada entre os séculos XVI e XVIII. Hoje está presente em praticamente todas as bacias de Portugal continental, sobretudo em albufeiras, açudes, troços lentos de rios com pegos fundos, valas e lagoas.

Prefere águas calmas, quentes e com fundos de lodo e vegetação. Ao revolver o fundo para se alimentar, aumenta a turbidez e destrói vegetação aquática, com impacto sobre outras espécies; consulte as regras do ICNF sobre espécies exóticas.

Comportamento e época

Omnívora, procura no fundo larvas, moluscos, crustáceos, sementes e restos vegetais, deixando bolhas e nuvens de lodo que denunciam a sua presença. Alimenta-se mais quando a água aquece, abrandando muito no inverno.

A desova ocorre entre abril e junho, em águas baixas com vegetação, com grande agitação à superfície. Os exemplares grandes são muito desconfiados e tendem a alimentar-se de noite ou com pouca luz.

Como pescar

O carpfishing moderno (montagens de cabelo, rod-pods, alarmes e sessões longas) é a técnica de referência nas grandes albufeiras, como Castelo do Bode, Montargil, Maranhão ou Alqueva. Também se pesca muito ao fundo, com feeder e à bóia, sobretudo em margens com pouca profundidade.

As melhores alturas são o amanhecer, o fim da tarde e a noite, em dias amenos de primavera e outono. Use linha resistente, anzol forte e camaroeiro grande. A pesca em águas interiores exige licença do ICNF, e cada zona pode ter regras próprias.

Iscos e amostras

Funcionam bem milho cozido, grão-de-bico, tremoço, boilies, pellets, pão e minhoca. Para engodar usam-se misturas de milho, cânhamo, pellets e farinhas, ou engodos comerciais doces e frutados.

No verão, a pesca à superfície com crosta de pão ou flutuantes pode dar bons resultados.

Na cozinha

Carne aproveitável mas com muitas espinhas e, em águas lodosas, sabor a lodo. Tradicionalmente consumida frita, de escabeche ou em caldeirada; hoje a maioria dos pescadores pratica captura e solta.

Curiosidades

  • Foi espalhada pela Europa a partir do Danúbio já na época romana, como peixe de viveiro para alimentação.
  • As formas espelho e couro, com poucas ou nenhumas escamas, resultam de séculos de seleção em pisciculturas.
  • Pode viver mais de 35 anos e o peso máximo publicado ronda os 40 kg.
  • Os dentes estão na garganta (dentes faríngeos, em forma de molar), usados para triturar sementes, conchas e caracóis.
  • A população selvagem original do Danúbio, de corpo mais alongado, está hoje ameaçada na sua área nativa.
  • No estuário do Minho, a carpa só passou a aparecer nas amostragens científicas em 2015–2016.

Conservação

Em Portugal é uma espécie exótica, classificada como Não Aplicável (NA) no Livro Vermelho de 2023; a nível global a UICN considera a população selvagem nativa Vulnerável (VU). A carpa degrada habitats ao revolver o fundo, aumentar a turbidez e arrancar plantas aquáticas, prejudicando peixes nativos. Boas práticas: não transporte carpas vivas entre massas de água, use tapete de receção e camaroeiro grande, molhe as mãos e fotografe rapidamente. Sobre o destino a dar aos exemplares capturados, consulte as regras do ICNF sobre espécies exóticas.

Galeria

  • Carpa
    User:Stan Shebs (CC BY-SA 3.0)
  • Carpa
    Desconhecido (Public domain)

Vivem nas mesmas águas

Espécies que se encontram nas mesmas zonas e habitats do carpa.

Iscos, amostras e montagens para carpa

Notícias, artigos e eventos: carpa

Referências

  1. A taxonomic, geographic and temporal assessment of Portuguese freshwater fishes in Portuguese ichthyological collections (2026) · Santos, da Costa, Alves & Ceríaco – Natural History Collections and Museomics (introdução em Portugal (século XVIII segundo Collares-Pereira et al. 2021), estatuto de exótica)
  2. Ictiofauna dulçaquícola exótica da fração portuguesa da bacia do Guadiana · LPN – projeto LIFE Saramugo (origem, introdução na Península (séculos XVI–XVII), habitat no Guadiana)
  3. Livro Vermelho dos Peixes Dulciaquícolas e Diádromos de Portugal Continental (2023) · Magalhães et al. / FCiências.ID e ICNF (estatuto NA e categoria global)
  4. Alterações climáticas afetam comunidade de peixes nativos do estuário do Minho (estudo CIIMAR) · DNoticias / Lusa (aparecimento no estuário do Minho em 2015–2016)
  5. Lista Nacional de Espécies Invasoras (Anexo II do Decreto-Lei n.º 92/2019) · ICNF (a carpa NÃO consta da Lista Nacional de Espécies Invasoras (Anexo II DL 92/2019))
  6. FishBase – Cyprinus carpio (factos verificados: tamanhos, distribuição) · FishBase (comprimento máximo (129 cm), peso (40,1 kg), idade (38 anos), distribuição nativa)
  7. Castelo de Bode – lake directory · CarpCircle (diretório de pesqueiros, fonte fraca) (Castelo do Bode como pesqueiro de carpa (fonte de pesca, fraca))
  8. Denominações comerciais autorizadas em Portugal (Anexo I da Portaria 587/2006, consolidado a 27/04/2021) · DGRM (nome oficial e denominações autorizadas)