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Pesca à bóia

Também conhecida como pesca com bóia, pesca à boia, pesca com flutuador, pesca à vara (água doce)

O isco fica suspenso a uma profundidade escolhida, preso por baixo de uma bóia que flutua e avisa da picada. Pratica-se em rocha, molhes e estuários no mar, e em rios, albufeiras e lagos em água doce. É uma das técnicas mais simples para começar.

Onde se usa

RochaMolhe e caisEstuárioLagoaRioAlbufeiraLago

Pesca à bóia
Foto: Santeri Viinamäki · CC BY 4.0 · Wikimedia Commons
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O que é

Na pesca à bóia o isco fica suspenso na água, preso a uma linha por baixo de um flutuador: a bóia. A bóia tem duas funções. Mantém o isco à profundidade que o pescador escolhe e funciona como indicador de picada: quando o peixe morde, a bóia afunda, deita-se ou anda de lado.

A FPPD define-a como a modalidade em que os iscos ficam suspensos por um flutuador e a ferragem se faz ao ver o ataque nesse flutuador. É usada no mar (sobretudo em rocha, molhes e estuários) e em água doce, onde é a base da pesca de competição em rios e canais. Pode fazer-se com cana e carreto ou, em água doce, com cana fixa sem carreto (a vara).

Como se faz

  1. Escolher a bóia com flutuação adequada ao peso da chumbada e às condições: bóias pequenas e finas para água calma, maiores e mais estáveis para mar mexido ou corrente.
  2. Acertar a profundidade. Use um travão de bóia (pequeno nó ou borracha que fixa a profundidade na linha) se a bóia for corrediça. Comece perto do fundo e vá subindo até encontrar o peixe.
  3. Chumbar a linha com pequenos chumbos espalhados (chumbagem) até só ficar de fora a antena da bóia. Uma bóia bem equilibrada denuncia picadas muito leves.
  4. Iscar com isco pequeno e bem preso. Esconda a ponta do anzol só o suficiente para não o desprender.
  5. Lançar a montante da corrente ou do engodo, deixando a deriva levar o isco até à zona de pesca.
  6. Engodar pouco e muitas vezes. O engodo (comida lançada para atrair o peixe) deve cair na mesma zona onde anda a bóia.
  7. Ferrar com um gesto curto e firme quando a bóia afunda ou se deita. Mantenha pouca linha solta entre a ponta da cana e a bóia.

Material

  • Mar: cana de 4 a 6 m, de ação média e leve, carreto de bobina fixa pequeno ou médio, linha de nylon fina, bóias de 2 a 10 g (fixas ou corrediças), chumbos, destorcedores e anzóis pequenos a médios.
  • Água doce: cana fixa (vara) telescópica ou de encaixe, ou cana com carreto (pesca à inglesa, com bóias fixadas por baixo para lançar longe); bóias muito sensíveis, chumbos de vários tamanhos e anzóis finos.
  • Desenrolador ou caixa para montagens, xalavar, balde para o engodo e, no mar, manga de rede para manter o peixe vivo, que a DGRM considera permitida.
  • Para pescar ao anoitecer, bóias com luz química ou LED: na pesca lúdica de mar, luzes em indicadores de bóia são permitidas.

Iscos e amostras

Mar: camarão (vivo ou cozido), caranguejo, minhocas marinhas, mexilhão, pedaços de sardinha ou de lula e pão (para tainhas). O engodo clássico é uma mistura de sardinha esmagada, óleo de sardinha, pão e areia.

Água doce: minhoca, larva de mosca (asticot), milho, pão, massas e engodos comerciais.

Nunca se podem usar ovas de peixe como isco ou engodo. Em águas interiores, cada zona pode ter regras próprias (por exemplo, proibição de larvas ou de engodo).

Quando resulta melhor

Mar: água calma ou com ondulação moderada e alguma espuma junto à rocha. Com mar grosso a bóia é difícil de controlar e o local fica perigoso. As marés com corrente moderada, e o amanhecer e o fim do dia, costumam ser os melhores momentos. Sargos, tainhas, salemas, bodiões e robalos andam a meia-água junto à rocha.

Água doce: dias amenos, pouco vento (o vento empurra a bóia) e água com alguma cor. A primavera e o outono são as épocas mais regulares para ciprinídeos (barbos, bogas, carpas, ruivacos).

Onde se pratica

No mar: afloramentos rochosos, molhes de portos e de praias e paredões de estuários, onde o peixe come junto às pedras e não é preciso lançar longe. Os molhes da costa norte, do Cabedelo de Viana do Castelo à Barra de Aveiro, são locais tradicionais.

Em água doce: rios de corrente lenta, canais, albufeiras e lagoas. Muitas provas de pesca de competição (fundo e bóia) fazem-se em troços de rios e albufeiras definidos pela Portaria n.º 108/2018.

Diferenças para outras técnicas

Bóia vs. fundo. É a diferença mais importante. Na bóia o isco está suspenso a uma profundidade escolhida e a picada vê-se na bóia; no fundo o isco está pousado no fundo, seguro por uma chumbada, e a picada sente-se na ponta da cana ou na linha. A bóia é melhor para peixes que comem a meia-água ou junto à rocha e em fundos com muitas pedras, onde uma chumbada prenderia; o fundo é melhor para peixes que procuram comida no fundo, para lançamentos longos e com mar ou corrente mais fortes. A bóia obriga a mais atenção (a deriva tem de ser acompanhada); o fundo permite descansar a cana num suporte.

Bóia vs. pesca ao sentir. Na pesca ao sentir a linha vai esticada e a picada sente-se na mão ou na cana, com ou sem bóia. Pesca-se muito em rocha, deixando o isco descer junto às pedras.

Bóia vs. spinning. A bóia usa sobretudo isco natural e quase parado; o spinning usa amostras artificiais em movimento constante.

Bóia no mar vs. em água doce. No mar as bóias são maiores, as linhas mais grossas e o grande inimigo é a ondulação. Em água doce as bóias são finas e muito sensíveis e usa-se muito a cana fixa sem carreto. As licenças são diferentes: DGRM no mar e nos estuários, ICNF nos rios e albufeiras.

Dicas

  • Uma bóia bem chumbada, com só a ponta de fora, vale mais do que qualquer isco caro.
  • Se não há picadas, mude a profundidade antes de mudar de sítio.
  • Para principiantes e crianças, a bóia é a melhor escola: vê-se a picada e aprende-se a ferrar no momento certo.
  • No mar, engode sempre do mesmo ponto e deixe a corrente levar o engodo e a bóia juntos.
  • Leve várias bóias: o vento e a corrente mudam durante o dia.

Segurança

O mar é a maior ameaça: antes de sair, consulte a previsão e os avisos do IPMA e a tabela de marés. Nunca vire costas ao mar, evite rochas molhadas e com limos, e tenha sempre um caminho de recuo que a maré não corte. Use calçado antiderrapante; em rocha e molhe a DGRM aconselha colete, embora não seja obrigatório em terra. Leve telemóvel carregado, diga a alguém onde vai e não pesque sozinho em sítios expostos. No arremesso, confirme que não há ninguém atrás ou ao lado. Guarde os anzóis protegidos e use alicate para os tirar. Em caso de emergência ligue 112.

Em molhes, cuidado com os blocos de cimento molhados e com os golpes de mar que passam por cima. Em água doce, cuidado com margens escorregadias e com cabos elétricos por cima da água: as canas compridas de carbono conduzem eletricidade.

Licença e regras

No mar, nos estuários e nas águas interiores sob jurisdição da Autoridade Marítima do continente, a pesca lúdica com cana exige licença de pesca lúdica da DGRM. Há licenças diárias, mensais e anuais, de quatro tipos: apeada (a partir de terra firme ou de rochas isoladas), embarcada (a bordo; inclui também a apeada), submarina e geral (abrange todas). Obtêm-se no Multibanco, nos balcões da DGRM e das direções regionais de agricultura e pescas, ou no portal Bmar. A licença é digital e fica associada ao número do documento de identificação. Os menores de 16 anos acompanhados por um titular de licença não precisam de licença própria. A licença da DGRM não é válida nos Açores, na Madeira nem nas águas doces geridas pelo ICNF (por exemplo, no Douro a montante da barragem de Crestuma).

Regras gerais confirmadas pela DGRM: cada pescador pode usar até três canas ou linhas e nove anzóis no total; em alguns rios as regras são mais apertadas (Cávado, Douro, Lima e Mondego: duas canas; Tejo e Sado: duas canas e três anzóis). São permitidos iscos naturais ou artificiais e engodo, exceto ovas de peixe e substâncias tóxicas ou explosivas. Luzes para atrair o peixe só com toneiras; em bóias, só como indicador. Na pesca apeada é preciso guardar 5 m de outro pescador que já lá esteja e não se pode pescar a menos de 100 m de portos de abrigo, docas, estaleiros, aquiculturas ou saídas de esgoto assinaladas. A Capitania do Porto pode limitar a pesca em molhes perigosos e, por edital, regular a pesca noturna em praias concessionadas durante a época balnear. Nas áreas marinhas protegidas (Litoral Norte, Berlengas, Arrábida, Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, Pedra do Valado) há restrições próprias.

Água doce:

Em rios, albufeiras e lagoas de água doce é precisa a licença de pesca lúdica e desportiva em águas interiores, emitida pelo ICNF (também no Multibanco). É anual, vale para o ano civil e pode ser nacional, regional ou concelhia. Desde 2019 é obrigatório registar-se primeiro como pescador de águas interiores. Nas zonas de pesca lúdica e concessões pode ser exigida uma licença especial da zona, e cada uma tem regulamento próprio (número de canas, horário, iscos).

Curiosidades

  • Num estudo de 2003 na costa entre Moledo e Aveiro, a pesca à bóia foi a segunda técnica mais usada, em cerca de 23 % das ações de pesca observadas.
  • Na pesca lúdica de mar as luzes para atrair peixe são proibidas, mas uma luz na bóia como indicador é permitida.
  • A DGRM aceita o uso de rabeca (cesto suspenso usado nas falésias) para trazer o peixe até ao pescador, mas não de ganchos de penhasco com três ganchos.

Onde se pratica em Portugal

Zonas onde a técnica é comum, com exemplos de locais públicos. Confirme sempre as regras locais e as zonas interditas.

Costa e ilhas

  • Costa do Minho

    Molhe do Cabedelo e molhe interior da barra (Viana do Castelo), rochas de Moledo, Carreço e Amorosa

  • Costa Norte

    Molhe velho das Caxinas (Vila do Conde), molhe do Farol e Cais Velho da Foz do Douro, primeiro molhe de Espinho, rochas da Madalena e de Valadares

    Na Foz do Douro há zonas sujeitas a limitações da Capitania; confirmar editais.

  • Costa Centro

    Molhes do Furadouro, molhe sul e Molhe da Meia Laranja (Barra de Aveiro)

    Não se pode pescar a menos de 100 m de portos de abrigo e docas.

Rios e bacias

  • Bacia do Mondego

    Rio Mondego em Coimbra (margem esquerda, entre a Ponte Rainha Santa Isabel e a Ponte de Santa Clara), Albufeira da Aguieira

    Troços para competições e treinos de pesca desportiva todo o ano.

  • Bacia do Tejo

    Rio Sorraia (Coruche), Ribeira da Raia e Pista Internacional de Pesca de Mora, Albufeiras do Maranhão, Cabril, Meimoa e Patudos

    Troços para competições e treinos de pesca desportiva todo o ano.

Galeria

  • Estojo com bóias tipo waggler para águas paradas e de corrente lenta
    Estojo com bóias tipo waggler para águas paradas e de corrente lenta · Jiří Zelenka (Pohled 111) (CC0) · Wikimedia Commons

Outras técnicas

Material, iscos, nós e montagens: pesca à bóia

Ver tudo em Material e iscos →

Clubes de pesca à bóia

Os 11 clubes de bóia (mar) →

Notícias, artigos e eventos: pesca à bóia

Referências

  1. Perguntas frequentes — Pesca Lúdica (versão 2026) · DGRM — Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (tipos de licença DGRM, artes permitidas (cana, linha de mão, toneira, corrico), 3 canas/9 anzóis, regras mais restritivas nos rios, distâncias, zonas proibidas, iscos e engodos, fontes luminosas, emba)
  2. Portaria n.º 14/2014, de 23 de janeiro · Diário da República (regulamento da pesca lúdica em águas oceânicas, interiores marítimas e interiores não marítimas sob jurisdição da Autoridade Marítima)
  3. Obter licença de pesca desportiva em águas interiores · gov.pt (Portal Único de Serviços) (licença de pesca lúdica e desportiva em águas interiores: ICNF, anual, âmbito nacional, regional ou concelhio, Multibanco)
  4. Portaria n.º 360/2017, de 22 de novembro · Diário da República (condições de exercício da pesca nas águas interiores; registo prévio obrigatório como pescador de águas interiores (art. 13.º))
  5. Portaria n.º 108/2018, de 20 de abril (altera a Portaria n.º 360/2017) · Diário da República (texto consultado em informador.pt) (carp fishing noturno em águas livres (art. 14.º, n.º 1, al. b), iii) do DL 112/2017) e devolução obrigatória de carpas e barbos > 65 cm; massas de água para competições e treinos todo o ano (Anexo III)
  6. Contribuição para o estudo da pesca recreativa de costa em Portugal (dissertação de mestrado) · Universidade do Porto — ICBAS (M. R. M. D. Oliveira, 2003) (definições FPPD de pesca à bóia, ao fundo, ao lançado, ao sentir e ao casting; pesca ao fundo em 74,39 % e à bóia em 22,97 % das ações de pesca entre Moledo e Aveiro; locais de areal, rocha e molhe am)
  7. Regulamento n.º 540/2019 — Zona de Pesca Lúdica do Rio Dão (Mangualde) · Diário da República, 2.ª série (texto consultado em vLex) (exemplo de regulamento local: máximo de duas canas ao alcance da mão, pesca do nascer ao pôr do sol, proibição de ovas como isco ou engodo)
  8. Edital da Zona de Pesca Lúdica do Rio Côvo (2023 e anos seguintes) · ICNF (nas zonas de pesca lúdica pode ser exigida, além da licença geral, uma licença especial da zona)

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