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Pescar

Atualizado a

Cyprinidae · Água doce

Boga-comum

Pseudochondrostoma polylepis

Boga endémica da Península Ibérica, de boca inferior e lábio córneo, que vive em cardume nos rios do centro de Portugal, do Vouga ao Sado. Bom peixe para pesca fina à bóia, a devolver com cuidado.

Também conhecido como

  • Boga
Boga-comum
Foto: FOTO-ARDEIDAS · CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons
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Antes de levar

Tamanho mínimo

Não definido

Captura

Pode ser capturada

Registo de capturas

Não exigido

Conservação (IUCN)

Vulnerável (VU)

A lei em vigor prevalece sobre esta ficha. Confirme sempre as regras locais (editais da capitania, zonas protegidas, regulamentos de cada rio).

Onde encontrar em Portugal

Costa do continente

  • Costa OesteOcasional

    rio Alcoa (Alcobaça)

    pequena bacia costeira do Oeste; zona costeira usada por falta de chave de bacia

Rios e albufeiras

Indicativo: a abundância varia com a época, a água e o ano. As localizações exatas dos pesqueiros nunca são mostradas aqui.

Como identificar

Corpo alongado e fusiforme, prateado com dorso acastanhado ou esverdeado. Escamas pequenas e muito numerosas (61 a 75 na linha lateral, daí o nome polylepis). A boca é inferior, em forma de fenda transversal reta, com o lábio inferior coberto por uma lâmina córnea que usa para raspar algas das pedras.

Não tem barbilhos. As barbatanas pares e a anal podem ganhar tons alaranjados na época de reprodução, quando os machos apresentam tubérculos nupciais na cabeça.

Confusões frequentes

A norte, do Minho ao Douro (e também no Vouga), ocorre a boga-do-norte (P. duriense), e no Guadiana a boga-do-Guadiana (P. willkommii), ambas muito semelhantes; a bacia é a melhor pista. Distingue-se da boga-portuguesa e da boga-de-boca-arqueada (género Iberochondrostoma), mais pequenas, de boca arqueada e ameaçadas: se apanhar uma, devolva-a de imediato.

Dos escalos separa-se pela boca inferior (nos escalos é terminal e larga); dos barbos, pela ausência de barbilhos.

Onde vive

Endémica da Península Ibérica e nativa de Portugal. Ocorre nas bacias do Vouga, Mondego, Alcoa, Tejo e Sado; em Espanha vive na bacia do Tejo (e foi introduzida no Júcar e Segura). Do Douro para norte é substituída pela boga-do-norte.

Vive nos cursos médios dos rios, em troços de corrente rápida, águas oxigenadas e fundos de pedra e cascalho, mas é muito frequente nas albufeiras portuguesas. É sensível a barragens que bloqueiam as migrações de desova, à extração de inertes e à degradação dos leitos.

Comportamento e época

Alimenta-se sobretudo de algas e matéria vegetal raspada das pedras, e em menor grau de pequenos invertebrados e detritos. Vive em cardumes numerosos.

Entre março e junho migra para montante e desova sobre cascalho, onde os ovos ficam presos às pedras. Nessa altura forma grandes concentrações nos açudes e rápidos.

Como pescar

A técnica mais usada é a pesca à bóia com linhas finas e anzóis pequenos, em corrente ou nos remansos. Também se pesca ao fundo ligeiro e com feeder, e ocasionalmente à mosca com ninfas pequenas.

Toques rápidos e subtis pedem ferragem atenta. Espécie nativa: use anzóis sem barbela, molhe as mãos antes de manusear e devolva os peixes rapidamente. A pesca em águas interiores exige licença do ICNF, e cada zona pode ter regras próprias.

Iscos e amostras

Pão (miolo), massa, asticot, pequenas minhocas e larvas. Engodo fino de pão e farinhas, lançado com regularidade, mantém o cardume no pesqueiro.

Na cozinha

Peixe pequeno e espinhoso, tradicionalmente frito em algumas zonas ribeirinhas. Hoje recomenda-se a captura e solta.

Curiosidades

  • Polylepis vem do grego e significa «muitas escamas».
  • A lâmina córnea do lábio inferior funciona como uma raspadeira para comer o «limo» das pedras.
  • Até 1985 incluía também as bogas do norte e do Guadiana, que foram depois descritas como espécies distintas.
  • Ocorre com muita frequência nas albufeiras portuguesas, apesar de ser um peixe de corrente.
  • Os machos amadurecem cedo, a partir de cerca de 9 cm.

Conservação

Classificada como Pouco Preocupante (LC) no Livro Vermelho dos Peixes de Portugal (2023) e a nível global, mas Vulnerável em Espanha. Está no Anexo II da Diretiva Habitats e no Anexo III da Convenção de Berna. Ameaças: poluição, captação de água, extração de inertes, destruição da galeria ripícola, barragens e predadores exóticos (lúcio, achigã, perca-sol). Boas práticas: evitar pescar nos concentrados de desova junto a açudes na primavera, usar anzóis pequenos sem barbela e devolver depressa.

Galeria

  • Boga-comum
    GualdimG (CC BY-SA 4.0)

Vivem nas mesmas águas

Espécies que se encontram nas mesmas zonas e habitats do boga-comum.

Iscos, amostras e montagens para boga-comum

Referências

  1. Livro Vermelho dos Peixes Dulciaquícolas e Diádromos de Portugal Continental (2023) · Magalhães et al. / FCiências.ID e ICNF (estatuto LC, Diretiva Habitats B-II; distribuição da boga-do-norte (Minho a Vouga))
  2. Plano Sectorial da Rede Natura 2000 – ficha Chondrostoma polylepis (boga-comum) · ICNF (distribuição nacional (Vouga, Mondego, Alcoa, Tejo, Sado), habitat, desova março–junho, dieta, ameaças)
  3. Species summary – Chondrostoma polylepis · UICN Centro de Cooperação do Mediterrâneo (distribuição e abundância)
  4. FishBase – Pseudochondrostoma polylepis (factos verificados: tamanhos, distribuição) · FishBase (comprimento máximo 40 cm, escamas da linha lateral, maturação)
  5. A new species of the genus Squalius (Leuciscidae) from the Sado River basin in Portugal (Limnetica 44, 2025) · Mendes, Perea, Sousa, Sousa-Santos & Doadrio (presença no Sado)