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Pescar

Atualizado a

Centrarchidae · Água doce

Achigã

Micropterus salmoides

Predador exótico de origem norte-americana, muito difundido nas albufeiras e rios lentos de Portugal. É a principal espécie do spinning em água doce e muito praticado em regime de captura e devolução.

Também conhecido como

  • Black-bass
Achigã
Foto: USFWS Mountain Prairie · Public domain · Wikimedia Commons
—

Antes de levar

Tamanho mínimo

Não definido

Captura

Pode ser capturada

Registo de capturas

Não exigido

Conservação (IUCN)

Pouco preocupante (LC)

A lei em vigor prevalece sobre esta ficha. Confirme sempre as regras locais (editais da capitania, zonas protegidas, regulamentos de cada rio).

Onde encontrar em Portugal

Ilhas

  • AçoresFrequente

    Lagoa das Sete Cidades, Lagoa das Furnas (São Miguel)

    primeira introdução em Portugal, fim do séc. XIX

Rios e albufeiras

Indicativo: a abundância varia com a época, a água e o ano. As localizações exatas dos pesqueiros nunca são mostradas aqui.

Como identificar

Corpo robusto, ligeiramente comprimido, com boca muito grande cuja maxila ultrapassa a parte de trás do olho. Dorso verde-oliva, flancos esverdeados a dourados e ventre branco, com uma faixa escura irregular ao longo do flanco.

Duas dorsais quase separadas por um entalhe profundo: a primeira com espinhos e a segunda com raios moles. Cauda ligeiramente côncava.

Confusões frequentes

Pode confundir-se com a perca-sol, que é muito mais pequena, alta e com manchas coloridas e uma mancha negra no opérculo, e com o lúcio-perca, que é alongado, tem dentes caninos e faixas verticais escuras.

Os juvenis de achigã reconhecem-se pela faixa lateral bem marcada e pela boca grande.

Onde vive

Vive em albufeiras, lagoas, açudes e troços lentos de rios, sobretudo no Centro e Sul: Alqueva, Castelo do Bode, Montargil, Maranhão, Santa Clara, Odivelas e muitas outras, além de charcas e barragens de rega.

Gosta de estruturas: árvores submersas, canaviais, pedras, pontões, margens com vegetação e mudanças de profundidade.

Comportamento e época

Predador de emboscada que come peixes, lagostins, rãs e insetos. É mais ativo com água temperada a quente, ao amanhecer, ao entardecer e em dias encobertos; no pico do calor procura sombra e fundo, e no inverno fica mais lento e profundo.

Desova na primavera em ninhos escavados em fundos baixos; o macho guarda os ovos e as crias e ataca tudo o que se aproxima. Como espécie exótica, tem impacto sobre a fauna nativa.

Como pescar

Pesca-se ao spinning, com carreto de bobina fixa ou de tambor rotativo, a partir da margem, de barco ou de pato (float tube), trabalhando estruturas e margens. Também se pesca à mosca com poppers e streamers.

Na primavera e outono procure fundos baixos e margens; no verão pesque cedo e ao fim do dia ou em fundos mais profundos. É necessária a licença de pesca em águas interiores do ICNF e deve seguir o regulamento de cada albufeira ou zona de pesca. Muitos pescadores praticam a captura e devolução.

Iscos e amostras

Amostras: vinis (minhocas, lagostins e peixes em montagem texana, drop shot ou jig head), spinnerbaits, crankbaits, jerkbaits e amostras de superfície como poppers e stickbaits.

Iscos naturais, onde permitidos: lagostim, minhoca grande e peixe vivo pequeno; prefira anzóis adequados para facilitar a devolução.

Na cozinha

Carne branca e aceitável, apreciada frita ou grelhada sobretudo no Ribatejo, na Beira Interior Sul e no Alentejo, mas a maioria dos pescadores devolve-o à água.

Curiosidades

  • Chegou primeiro aos Açores, no fim do século XIX (Lagoa das Sete Cidades), e só em meados do século XX ao continente.
  • Em inglês chama-se «largemouth bass», por causa da boca enorme que ultrapassa o olho.
  • O macho constrói o ninho e guarda ovos e crias durante semanas, atacando qualquer intruso.
  • Em 2023 a lei portuguesa criou um regime de exceção que permite, na pesca regulada, devolver à água os achigãs capturados, apesar de ser espécie invasora.
  • É a espécie mais popular do spinning em água doce em Portugal, com muitas competições em albufeiras do Alentejo e do Ribatejo.

Conservação

É uma espécie exótica e invasora em Portugal, não avaliada no Livro Vermelho. O Livro Vermelho dos Peixes (2023) aponta o achigã como uma das pressões sobre peixes nativos ameaçados, por predação. A Lei n.º 25/2023 colocou-o num regime de exceção à Lista Nacional de Espécies Invasoras, permitindo a devolução dos exemplares capturados na pesca regulada.

Boas práticas: nunca transportar achigãs vivos para outras massas de água, cumprir o regulamento de cada albufeira e manusear o peixe com cuidado se o devolver.

Galeria

  • Achigã
    Nervurax Fishing (CC0)
  • Achigã
    Sir William Jardine, 7th Baronet (Public domain)

Vivem nas mesmas águas

Espécies que se encontram nas mesmas zonas e habitats do achigã.

Iscos, amostras e montagens para achigã

Notícias, artigos e eventos: achigã

Referências

  1. Lei n.º 25/2023 - regime de exceção do achigã · Diário da República (achigã sujeito a regime de exceção à Lista Nacional de Espécies Invasoras; devolução de exemplares na pesca)
  2. Estudos sobre o achigã (Micropterus salmoides) em Portugal · Instituto Politécnico de Castelo Branco (repositório) (introdução nos Açores no fim do séc. XIX e no continente em meados do séc. XX; espécie invasora; gastronomia)
  3. Almeida et al. (2023) - achigã em albufeiras do Alentejo · Universidade de Évora (achigã nas albufeiras do sul; espécie invasora)
  4. Livro Vermelho dos Peixes Dulciaquícolas e Diádromos de Portugal Continental (2023) · Magalhães et al. / FCiências.ID & ICNF (categoria de ameaça, distribuição por bacia, pressões e ameaças)
  5. Decreto-Lei n.º 92/2019 - espécies exóticas · Ecolex / Diário da República (regime de espécies exóticas em Portugal)
  6. Micropterus salmoides, Largemouth black bass · FishBase (tamanho máximo (97 cm))
  7. Denominações comerciais autorizadas em Portugal (Anexo I da Portaria 587/2006, consolidado a 27/04/2021) · DGRM (nome oficial e denominações autorizadas)