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Centrarchidae · Água doce
Perca-sol
Lepomis gibbosus
Nome oficialPerca · também autorizado: Perca-sol
Pequeno peixe norte-americano de cores vivas, introduzido em Portugal no fim dos anos 70 e hoje muito abundante em quase todas as bacias. Morde com facilidade, sendo muitas vezes a primeira captura de quem começa a pescar.
Também conhecido como
- peixe-sol

Antes de levar
Tamanho mínimo
Não definido
Captura
Pode ser capturada
Registo de capturas
Não exigido
Conservação (IUCN)
Pouco preocupante (LC)
A lei em vigor prevalece sobre esta ficha. Confirme sempre as regras locais (editais da capitania, zonas protegidas, regulamentos de cada rio).
Onde encontrar em Portugal
Rios e albufeiras
- Bacia do GuadianaComum
Alqueva e restantes albufeiras, troços lentos com vegetação
uma das exóticas mais espalhadas da bacia; primeiro registo nacional (1977)
- Bacia do MiraComum
ribeiras e albufeiras da bacia do Mira
presença abundante referida como ameaça ao escalo-do-Mira
- Bacia do SadoComum
albufeiras e ribeiras
- Bacia do TejoComum
albufeiras e troços lentos
- Bacia do MondegoFrequente
albufeiras e troços lentos
Indicativo: a abundância varia com a época, a água e o ano. As localizações exatas dos pesqueiros nunca são mostradas aqui.
Como identificar
Corpo muito alto, comprimido e quase circular, com boca pequena. Dorsal única com parte anterior espinhosa e posterior mole.
Coloração muito vistosa: flancos esverdeados ou dourados com pintas alaranjadas, linhas azul-turquesa na cabeça e uma mancha negra no opérculo com bordo vermelho-alaranjado, a sua marca mais característica. Ventre amarelo ou alaranjado.
Confusões frequentes
Os juvenis de achigã são mais alongados, de boca muito grande e com faixa escura longitudinal. O pimpão e a carpa juvenis não têm espinhos na dorsal nem a mancha no opérculo.
Onde vive
Espécie introduzida, originária do leste da América do Norte. Chegou à Europa no fim do século XIX como peixe ornamental, a Espanha no início do século XX e a Portugal no fim dos anos 70 (primeiro registo em 1977, no Guadiana). Hoje é muito abundante em quase todas as bacias de Portugal continental, sobretudo em albufeiras, açudes, lagoas, charcas e troços lentos de rios.
Prefere águas calmas, quentes e com vegetação, e tolera pouco oxigénio e má qualidade da água. É muito prolífica e come ovos, larvas e juvenis de outros peixes, bem como invertebrados; o Livro Vermelho aponta-a como pressão sobre vários peixes nativos ameaçados. Consulte as regras do ICNF sobre espécies exóticas.
Comportamento e época
Alimenta-se de insetos, larvas, pequenos crustáceos, moluscos, ovos e pequenos peixes. Vive em grupos junto às margens e estruturas.
Desova entre maio e agosto: o macho escava um ninho circular em fundos baixos e defende-o agressivamente. É muito ativa nos dias quentes, mordendo quase tudo.
Como pescar
Pesca-se facilmente à bóia com cana leve e anzóis pequenos, junto às margens, pontões e vegetação. Também ataca pequenas amostras em spinning ultraligeiro e moscas pequenas.
Ideal para iniciar crianças na pesca, em dias quentes de primavera e verão. A pesca em águas interiores exige licença do ICNF, e cada zona pode ter regras próprias.
Iscos e amostras
Minhoca, asticot, pequenos pedaços de camarão ou pão. Amostras: microvinis, pequenas colheres rotativas e moscas tipo ninfa.
Na cozinha
Carne saborosa mas o peixe é pequeno e tem pouco aproveitamento; pode ser frito inteiro.
Curiosidades
- O primeiro registo em Portugal foi em 1977, no rio Guadiana.
- É das espécies mais bem representadas nas coleções científicas portuguesas, com mais de 4300 exemplares.
- O macho escava um ninho circular em águas baixas e defende ovos e larvas contra intrusos muito maiores.
- Pode viver até cerca de 12 anos, embora em Portugal os adultos raramente passem dos 15 cm.
Conservação
Em Portugal é exótica (Não Aplicável no Livro Vermelho de 2023) e consta da Lista Nacional de Espécies Invasoras. O Livro Vermelho refere-a como pressão sobre o barbo-de-cabeça-pequena, o escalo-do-sul, o escalo-do-Arade, o escalo-do-Mira e a boga-do-norte, entre outros. Boas práticas: nunca libertar ou transportar perca-sol para charcas e ribeiras; sobre o destino a dar aos exemplares capturados, consulte as regras do ICNF sobre espécies exóticas.
Galeria
Vivem nas mesmas águas
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Referências
- Perca-sol (Lepomis gibbosus) – Rev. Ciência Elementar · Casa das Ciências (origem, introdução na Península, primeiro registo em Portugal (1977, Guadiana), tamanho em Portugal)
- Ictiofauna dulçaquícola exótica da fração portuguesa da bacia do Guadiana · LPN – projeto LIFE Saramugo (introdução na Europa e em Portugal (fim dos anos 70), abundância no Guadiana, tolerância, dieta)
- Ficha de biodiversidade – Lepomis gibbosus · CIMAL – Atlas do Alentejo Litoral (muito abundante em todas as bacias nacionais, benefício das barragens)
- Livro Vermelho dos Peixes Dulciaquícolas e Diádromos de Portugal Continental (2023) · Magalhães et al. / FCiências.ID e ICNF (pressão sobre espécies nativas ameaçadas (fichas por espécie); estatuto NA)
- A taxonomic, geographic and temporal assessment of Portuguese freshwater fishes in Portuguese ichthyological collections (2026) · Santos, da Costa, Alves & Ceríaco – Natural History Collections and Museomics (número de exemplares nas coleções)
- Lista Nacional de Espécies Invasoras (Anexo II do Decreto-Lei n.º 92/2019) · ICNF (inclusão na Lista Nacional de Espécies Invasoras)
- EU fish names – Lepomis gibbosus · Comissão Europeia (DG MARE) (nomes comerciais em Portugal: perca-sol, perca)
- Alterações climáticas afetam comunidade de peixes nativos do estuário do Minho (estudo CIIMAR) · DNoticias / Lusa (aparecimento no estuário do Minho em 2015–2016)
- FishBase – Lepomis gibbosus (factos verificados: tamanhos, distribuição) · FishBase (comprimento máximo 40 cm (América do Norte), idade 12 anos, distribuição nativa)
- Denominações comerciais autorizadas em Portugal (Anexo I da Portaria 587/2006, consolidado a 27/04/2021) · DGRM (nome oficial e denominações autorizadas)

