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Pescar

Atualizado a

Centrarchidae · Água doce

Perca-sol

Lepomis gibbosus

Nome oficialPerca · também autorizado: Perca-sol

Pequeno peixe norte-americano de cores vivas, introduzido em Portugal no fim dos anos 70 e hoje muito abundante em quase todas as bacias. Morde com facilidade, sendo muitas vezes a primeira captura de quem começa a pescar.

Também conhecido como

  • peixe-sol
Perca-sol
Foto: Cephas · CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons
—

Antes de levar

Tamanho mínimo

Não definido

Captura

Pode ser capturada

Registo de capturas

Não exigido

Conservação (IUCN)

Pouco preocupante (LC)

A lei em vigor prevalece sobre esta ficha. Confirme sempre as regras locais (editais da capitania, zonas protegidas, regulamentos de cada rio).

Onde encontrar em Portugal

Rios e albufeiras

  • Alqueva e restantes albufeiras, troços lentos com vegetação

    uma das exóticas mais espalhadas da bacia; primeiro registo nacional (1977)

  • ribeiras e albufeiras da bacia do Mira

    presença abundante referida como ameaça ao escalo-do-Mira

  • albufeiras e ribeiras

  • albufeiras e troços lentos

  • ribeiras do Barlavento e Sotavento, Arade

    ameaça ao escalo-do-Arade

  • albufeiras do Douro

    ameaça à boga-do-norte

  • albufeiras e troços lentos

  • estuário do Minho

    surgiu no estuário em 2015–2016

Indicativo: a abundância varia com a época, a água e o ano. As localizações exatas dos pesqueiros nunca são mostradas aqui.

Como identificar

Corpo muito alto, comprimido e quase circular, com boca pequena. Dorsal única com parte anterior espinhosa e posterior mole.

Coloração muito vistosa: flancos esverdeados ou dourados com pintas alaranjadas, linhas azul-turquesa na cabeça e uma mancha negra no opérculo com bordo vermelho-alaranjado, a sua marca mais característica. Ventre amarelo ou alaranjado.

Confusões frequentes

Os juvenis de achigã são mais alongados, de boca muito grande e com faixa escura longitudinal. O pimpão e a carpa juvenis não têm espinhos na dorsal nem a mancha no opérculo.

Onde vive

Espécie introduzida, originária do leste da América do Norte. Chegou à Europa no fim do século XIX como peixe ornamental, a Espanha no início do século XX e a Portugal no fim dos anos 70 (primeiro registo em 1977, no Guadiana). Hoje é muito abundante em quase todas as bacias de Portugal continental, sobretudo em albufeiras, açudes, lagoas, charcas e troços lentos de rios.

Prefere águas calmas, quentes e com vegetação, e tolera pouco oxigénio e má qualidade da água. É muito prolífica e come ovos, larvas e juvenis de outros peixes, bem como invertebrados; o Livro Vermelho aponta-a como pressão sobre vários peixes nativos ameaçados. Consulte as regras do ICNF sobre espécies exóticas.

Comportamento e época

Alimenta-se de insetos, larvas, pequenos crustáceos, moluscos, ovos e pequenos peixes. Vive em grupos junto às margens e estruturas.

Desova entre maio e agosto: o macho escava um ninho circular em fundos baixos e defende-o agressivamente. É muito ativa nos dias quentes, mordendo quase tudo.

Como pescar

Pesca-se facilmente à bóia com cana leve e anzóis pequenos, junto às margens, pontões e vegetação. Também ataca pequenas amostras em spinning ultraligeiro e moscas pequenas.

Ideal para iniciar crianças na pesca, em dias quentes de primavera e verão. A pesca em águas interiores exige licença do ICNF, e cada zona pode ter regras próprias.

Iscos e amostras

Minhoca, asticot, pequenos pedaços de camarão ou pão. Amostras: microvinis, pequenas colheres rotativas e moscas tipo ninfa.

Na cozinha

Carne saborosa mas o peixe é pequeno e tem pouco aproveitamento; pode ser frito inteiro.

Curiosidades

  • O primeiro registo em Portugal foi em 1977, no rio Guadiana.
  • É das espécies mais bem representadas nas coleções científicas portuguesas, com mais de 4300 exemplares.
  • O macho escava um ninho circular em águas baixas e defende ovos e larvas contra intrusos muito maiores.
  • Pode viver até cerca de 12 anos, embora em Portugal os adultos raramente passem dos 15 cm.

Conservação

Em Portugal é exótica (Não Aplicável no Livro Vermelho de 2023) e consta da Lista Nacional de Espécies Invasoras. O Livro Vermelho refere-a como pressão sobre o barbo-de-cabeça-pequena, o escalo-do-sul, o escalo-do-Arade, o escalo-do-Mira e a boga-do-norte, entre outros. Boas práticas: nunca libertar ou transportar perca-sol para charcas e ribeiras; sobre o destino a dar aos exemplares capturados, consulte as regras do ICNF sobre espécies exóticas.

Galeria

  • Perca-sol
    Tommy Andriollo (CC BY 4.0)
  • Perca-sol
    Dimitǎr Boevski (CC BY-SA 4.0)

Vivem nas mesmas águas

Espécies que se encontram nas mesmas zonas e habitats do perca-sol.

Iscos, amostras e montagens para perca-sol

Notícias, artigos e eventos: perca-sol

Referências

  1. Perca-sol (Lepomis gibbosus) – Rev. Ciência Elementar · Casa das Ciências (origem, introdução na Península, primeiro registo em Portugal (1977, Guadiana), tamanho em Portugal)
  2. Ictiofauna dulçaquícola exótica da fração portuguesa da bacia do Guadiana · LPN – projeto LIFE Saramugo (introdução na Europa e em Portugal (fim dos anos 70), abundância no Guadiana, tolerância, dieta)
  3. Ficha de biodiversidade – Lepomis gibbosus · CIMAL – Atlas do Alentejo Litoral (muito abundante em todas as bacias nacionais, benefício das barragens)
  4. Livro Vermelho dos Peixes Dulciaquícolas e Diádromos de Portugal Continental (2023) · Magalhães et al. / FCiências.ID e ICNF (pressão sobre espécies nativas ameaçadas (fichas por espécie); estatuto NA)
  5. A taxonomic, geographic and temporal assessment of Portuguese freshwater fishes in Portuguese ichthyological collections (2026) · Santos, da Costa, Alves & Ceríaco – Natural History Collections and Museomics (número de exemplares nas coleções)
  6. Lista Nacional de Espécies Invasoras (Anexo II do Decreto-Lei n.º 92/2019) · ICNF (inclusão na Lista Nacional de Espécies Invasoras)
  7. EU fish names – Lepomis gibbosus · Comissão Europeia (DG MARE) (nomes comerciais em Portugal: perca-sol, perca)
  8. Alterações climáticas afetam comunidade de peixes nativos do estuário do Minho (estudo CIIMAR) · DNoticias / Lusa (aparecimento no estuário do Minho em 2015–2016)
  9. FishBase – Lepomis gibbosus (factos verificados: tamanhos, distribuição) · FishBase (comprimento máximo 40 cm (América do Norte), idade 12 anos, distribuição nativa)
  10. Denominações comerciais autorizadas em Portugal (Anexo I da Portaria 587/2006, consolidado a 27/04/2021) · DGRM (nome oficial e denominações autorizadas)