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Cyprinidae · Água doce
Escalo-do-norte
Squalius carolitertii
Pequeno ciprinídeo endémico do noroeste da Península Ibérica, comum nos rios e ribeiros do norte e centro de Portugal. Ativo e oportunista, aceita iscos naturais, mosca e pequenas amostras.
Também conhecido como
- Escalo

Antes de levar
Tamanho mínimo
Não definido
Captura
Pode ser capturada
Registo de capturas
Não exigido
Conservação (IUCN)
Quase ameaçada (NT)
A lei em vigor prevalece sobre esta ficha. Confirme sempre as regras locais (editais da capitania, zonas protegidas, regulamentos de cada rio).
Onde encontrar em Portugal
Rios e albufeiras
- Bacia do DouroComum
Douro e afluentes (ex.: Tâmega)
- Bacia do LimaComum
rio Lima e ribeiras afluentes
estudado numa ribeira atlântica do Lima (Maia et al. 2006)
- Bacias do Cávado e AveFrequente
Neiva, Cávado e Ave
Neiva confirmado por amostras genéticas; Cávado e Ave por estarem na área contínua Minho–Mondego
- Bacia do MinhoFrequente
afluentes portugueses do Minho
Indicativo: a abundância varia com a época, a água e o ano. As localizações exatas dos pesqueiros nunca são mostradas aqui.
Como identificar
Corpo fusiforme, cabeça relativamente grande (cerca da altura do corpo), focinho arredondado e boca larga, quase terminal, sem barbilhos. Dorso escuro, acastanhado ou esverdeado, flancos prateados e escamas grandes (39 a 44 na linha lateral) com o bordo escurecido, que dão um aspeto reticulado.
As barbatanas são acinzentadas ou ligeiramente alaranjadas na base. A dorsal e a anal têm bordo direito ou ligeiramente convexo.
Confusões frequentes
Confunde-se com o escalo-do-sul (S. pyrenaicus), muito parecido; a separação faz-se sobretudo pela bacia: o escalo-do-norte vai do Minho ao Mondego e o do sul ocupa o Lis, as ribeiras do Oeste e o Tejo. O escalo-do-norte tem focinho mais arredondado e boca ligeiramente subterminal. Também se confunde com o bordalo (S. alburnoides), mais pequeno e com uma linha escura ao longo do flanco. Na bacia do Ave foram detetados híbridos exóticos de escalo-europeu.
Das bogas distingue-se pela boca larga, sem lâmina córnea; das trutas juvenis, pela ausência de barbatana adiposa.
Onde vive
Endémico da Península Ibérica (noroeste) e nativo de Portugal. Ocorre nas bacias do norte e centro, do Minho ao Mondego: Minho, Lima, Neiva, Cávado, Ave, Douro, Vouga e Mondego. Em Espanha chega também a parte do Tejo, mas em Portugal o Tejo é ocupado pelo escalo-do-sul.
É particularmente comum em troços de dimensão média, mas aparece desde as cabeceiras aos troços baixos, em rios e ribeiros de águas limpas e frescas, poços e margens com vegetação. Na seca de verão resiste em pegos marginais com pouco oxigénio. Sofre com captações de água, canalizações e espécies exóticas predadoras.
Comportamento e época
Omnívoro e oportunista: come insetos aquáticos e terrestres, larvas, pequenos crustáceos, matéria vegetal e, nos exemplares maiores, pequenos peixes.
Desova na primavera, entre abril e junho, sobre cascalho em zonas de corrente. Costuma caçar à superfície no verão, ao fim da tarde, quando há eclosões de insetos.
Como pescar
Pesca-se à bóia com linhas finas, em corrente ou junto às margens, e com mosca (secas pequenas e ninfas), técnica muito divertida no verão. Os exemplares maiores atacam pequenas colheres e vinis em spinning ultraligeiro.
Aproxime-se com discrição, porque é desconfiado em águas claras. Espécie nativa: use anzóis pequenos sem barbela e devolva-o rapidamente. A pesca em águas interiores exige licença do ICNF, e cada zona pode ter regras próprias.
Iscos e amostras
Minhoca, asticot, pão, gafanhotos e outros insetos, cerejas e figos em certas zonas. Em amostras: colheres rotativas pequenas, minipeixes e vinis de 3 a 5 cm.
Na cozinha
Peixe pequeno e espinhoso, consumido frito em pequenas quantidades. Hoje recomenda-se a captura e solta.
Curiosidades
- Foi descrito em 1988 por Ignacio Doadrio, do Museu Nacional de Ciências Naturais de Madrid, inicialmente no género Leuciscus.
- Aguenta o verão em pegos isolados com muito pouco oxigénio, o que explica a sua presença em ribeiros que quase secam.
- Em Portugal é Pouco Preocupante, mas em Espanha está classificado Em Perigo.
- Os escalos ibéricos separaram-se em várias espécies por bacia; nas últimas décadas foram descritas novas espécies no sul (Sado, Guadiana).
- Os exemplares maiores tornam-se predadores de pequenos peixes.
Conservação
Classificado como Pouco Preocupante (LC) no Livro Vermelho dos Peixes de Portugal (2023) e a nível global, mas Em Perigo (EN) em Espanha. As ameaças são captação de água, obras de canalização, poluição e peixes exóticos. Boas práticas: anzóis pequenos sem barbela, devolução rápida e muito cuidado nos pegos de verão, onde os peixes estão concentrados e stressados.
Galeria
Vivem nas mesmas águas
Espécies que se encontram nas mesmas zonas e habitats do escalo-do-norte.
Iscos, amostras e montagens para escalo-do-norte
Iscos naturais
Amostras
Referências
- Livro Vermelho dos Peixes Dulciaquícolas e Diádromos de Portugal Continental (2023) · Magalhães et al. / FCiências.ID e ICNF (estatuto LC em Portugal, EN em Espanha, endemismo ibérico)
- Species summary – Squalius carolitertii · UICN Centro de Cooperação do Mediterrâneo (bacias (Lérez, Minho, Lima, Douro, Umia, Tejo, Mondego), habitat, ameaças)
- FishBase – Squalius carolitertii (factos verificados: tamanhos, distribuição) · FishBase (distribuição, comprimento máximo 25 cm, comprimento comum 13,6 cm, focinho arredondado)
- Informação suplementar de Mendes et al. 2025 (sequências de Squalius por bacia) · Limnetica (amostras genéticas de S. carolitertii no Neiva, Douro (Tâmega) e Vouga (Águeda))
- Biologia de Squalius carolitertii numa ribeira atlântica da bacia do Lima (Limnetica, 2006) · Maia et al. (ref. FishBase) (presença na bacia do Lima)
- Livro Vermelho dos Peixes Dulciaquícolas e Diádromos de Portugal Continental (2023) · Magalhães et al. / FCiências.ID e ICNF (S. pyrenaicus no Lis, Oeste e Tejo (limite entre as duas espécies))

