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Pescar

Atualizado a

Salmonidae · Água doce

Truta-de-rio

Salmo trutta

Nome oficialTruta · também autorizados: Truta-marisca, Truta-comum

Truta autóctone dos rios portugueses de água fria e limpa, muito procurada à mosca e ao spinning. A forma residente (truta-de-rio ou truta-fário) é a que se pesca; a forma migradora, a truta-marisca, está criticamente ameaçada e deve ser devolvida.

Também conhecido como

  • Truta-fário
Truta-de-rio
Foto: Eric Engbretson for U.S. Fish and Wildlife Service · Public domain · Wikimedia Commons
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Antes de levar

Tamanho mínimo

30 cm

Captura

Pode ser capturada

Registo de capturas

Não exigido

Conservação (IUCN)

Pouco preocupante (LC)

O mínimo de 30 cm da tabela da DGRM aplica-se à truta-marisca (a forma migradora) em águas sob jurisdição da DGRM. A truta-marisca está criticamente em perigo (Livro Vermelho dos Peixes de Portugal, 2023). Em rios e albufeiras aplicam-se o tamanho mínimo, as épocas e os limites do regulamento do ICNF e de cada zona de pesca.

Fonte: DGRM, Tabela de Tamanhos Mínimos de Captura (26/02/2026): Portaria n.º 255/2022, Regulamento (UE) 2019/1241 e Regulamento (UE) 2026/249 · Truta-marisca (Salmo trutta) em águas sob jurisdição da DGRM; em águas interiores aplica-se o regulamento do ICNF. A lei em vigor prevalece sobre esta ficha. Confirme sempre as regras locais (editais da capitania, zonas protegidas, regulamentos de cada rio).

Onde encontrar em Portugal

Rios e albufeiras

  • Gerês (rio Homem, Cávado superior), Montalegre

  • rio Vez, Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, Soajo

  • afluentes do Minho (Coura, Mouro, Gadanha); truta-marisca no troço internacional

    principal população de truta-marisca

  • Paiva, Tâmega, Rabaçal, Tuela, Sabor, rios de Montesinho

    redução de ocorrências recente

  • Mondego superior, Alva, Ceira, serras da Estrela e do Açor (Arganil)

    redução de ocorrências recente

  • Vouga superior, Caima, serra da Freita

    redução de ocorrências recente

  • Bacia do TejoOcasional

    afluentes da margem direita (Zêzere superior, Serra da Estrela)

Indicativo: a abundância varia com a época, a água e o ano. As localizações exatas dos pesqueiros nunca são mostradas aqui.

Como identificar

Corpo fusiforme com barbatana adiposa. A forma de rio tem dorso castanho-esverdeado, flancos dourados e pintas negras e vermelhas, muitas vezes com auréola clara; a adiposa costuma ter a ponta avermelhada. O padrão varia muito de rio para rio.

A truta-marisca é a mesma espécie na forma migradora: é prateada, maior, com manchas negras em X e quase sem pintas vermelhas. A maxila ultrapassa a parte de trás do olho e o pedúnculo caudal é grosso.

Confusões frequentes

Confunde-se com a truta-arco-íris, que tem uma faixa rosada ao longo do flanco, pintas negras pequenas também na cauda e sem pintas vermelhas. A truta-marisca confunde-se com o salmão, que tem pedúnculo mais fino, cauda mais côncava, maxila mais curta e poucas manchas abaixo da linha lateral.

Em rios com salmão, em caso de dúvida, devolva o peixe.

Onde vive

A forma de rio vive nos troços superiores de rios e ribeiras com água fria, límpida, oxigenada e corrente, com muita sombra e fundo de cascalho ou rocha. Ocorre nas bacias do Minho, Âncora, Lima, Neiva, Cávado, Ave, Douro, Vouga e Mondego e em afluentes da margem direita do Tejo (como o Zêzere), incluindo as serras do Gerês, Montesinho e Estrela. Existe também em algumas albufeiras e lagoas de altitude.

A truta-marisca aparece desde o Minho, onde está a principal população, até ao Mondego, passando parte da vida no mar e nos estuários.

Comportamento e época

Alimenta-se de insetos aquáticos e terrestres, larvas, pequenos crustáceos e peixes; os exemplares grandes tornam-se piscívoros. Defende um posto na corrente, atrás de pedras, sob margens escavadas e em cabeças de poço.

A desova ocorre no outono e inverno em cascalho de águas rápidas. A forma residente fica no rio toda a vida; a truta-marisca desce ao mar jovem, cresce mais depressa e regressa para desovar.

Como pescar

Pesca-se à mosca (seca, ninfa e streamer), ao spinning com amostras pequenas e, onde permitido, com isco natural e bóia. Aproxime-se sem ser visto, pesque de jusante para montante e lance para as correntes de entrada dos poços e junto às pedras.

As melhores horas são o início da manhã e o fim da tarde, com eclosões de insetos e água limpa. A pesca exige licença de pesca em águas interiores do ICNF e o cumprimento do regulamento de cada rio ou zona (concessões, troços de captura e devolução, iscos permitidos). Pratique a captura e devolução sempre que possível. Se ferrar uma truta-marisca (prateada, vinda do mar), devolva-a de imediato.

Iscos e amostras

Amostras: colheres rotativas de tamanho 0 a 2, pequenos peixes artificiais e vinis leves. Moscas: imitações de efémeras, tricópteros e formigas, ninfas lastradas e streamers para as trutas maiores.

Iscos naturais, onde forem permitidos: minhoca e larvas de insetos (como a lagarta-de-água), iscadas de forma a esconder o anzol. Anzóis sem farpa facilitam a devolução.

Na cozinha

Carne fina e muito apreciada, tradicional em Trás-os-Montes e nas Beiras: truta frita, truta frita com presunto (como nas trutas à moda da Serra de Arganil) e truta de escabeche. Prefira consumir trutas de piscicultura e devolver as trutas selvagens.

Curiosidades

  • A truta-de-rio e a truta-marisca são a mesma espécie: a diferença está em os peixes ficarem no rio a vida toda ou irem ao mar crescer.
  • A truta-marisca liga geneticamente as populações de vários rios, ajudando a manter a diversidade da espécie.
  • As populações portuguesas estão geneticamente diferenciadas de rio para rio, por isso os repovoamentos com peixes de outras origens podem ser prejudiciais.
  • Os incêndios florestais e a doença dos amieiros, que destrói a sombra das margens, estão entre as ameaças recentes.
  • A truta frita com presunto é um prato clássico das serras do Centro e do Norte.

Conservação

No Livro Vermelho dos Peixes de Portugal (2023) a forma residente (truta-de-rio) passou de Pouco Preocupante para Quase Ameaçada (NT), com redução de ocorrências no Douro, Vouga e Mondego. A forma migradora (truta-marisca) está Criticamente em Perigo (CR), com uma redução estimada de 83% em três gerações, e a sua pesca é proibida nas bacias portuguesas (exceto no Troço Internacional do Rio Minho).

Ameaças: barragens e açudes, degradação das margens, poluição, captação de água, espécies exóticas, sobrepesca, pesca ilegal, incêndios e alterações climáticas. Boas práticas: captura e devolução, anzóis sem farpa, manusear com mãos molhadas e devolver sempre trutas-mariscas.

Galeria

  • Truta-de-rio
    USFWS Mountain Prairie (Public domain)
  • Truta-de-rio
    USFWS Mountain-Prairie (Public domain)

Vivem nas mesmas águas

Espécies que se encontram nas mesmas zonas e habitats do truta-de-rio.

Iscos, amostras e montagens para truta-de-rio

Notícias, artigos e eventos: truta-de-rio

Referências

  1. Livro Vermelho dos Peixes Dulciaquícolas e Diádromos de Portugal Continental (2023) · Magalhães et al. / FCiências.ID & ICNF (categoria de ameaça, distribuição por bacia, pressões e ameaças)
  2. Livro Vermelho: peixes de água doce e migradores de Portugal estão em perigo · Público (26/07/2023) (resumo das categorias do Livro Vermelho 2023)
  3. Trutas à moda da Serra de Arganil · Teleculinária (receita tradicional de truta frita com presunto)
  4. Truta-de-rio em pisciculturas de repovoamento (Norte e Centro) · Instituto Politécnico de Bragança (Biblioteca Digital) (espécie emblemática dos rios de montanha do Norte e Centro)
  5. Truta-marisca no rio Minho (tese, 2014) · Universidade do Minho (RepositóriUM) (truta-marisca criticamente em perigo)
  6. Denominações comerciais autorizadas em Portugal (Anexo I da Portaria 587/2006, consolidado a 27/04/2021) · DGRM (nome oficial e denominações autorizadas)