Atualizado a
Salmonidae · Água doce
Truta-de-rio
Salmo trutta
Nome oficialTruta · também autorizados: Truta-marisca, Truta-comum
Truta autóctone dos rios portugueses de água fria e limpa, muito procurada à mosca e ao spinning. A forma residente (truta-de-rio ou truta-fário) é a que se pesca; a forma migradora, a truta-marisca, está criticamente ameaçada e deve ser devolvida.
Também conhecido como
- Truta-fário

Antes de levar
Tamanho mínimo
30 cm
Captura
Pode ser capturada
Registo de capturas
Não exigido
Conservação (IUCN)
Pouco preocupante (LC)
O mínimo de 30 cm da tabela da DGRM aplica-se à truta-marisca (a forma migradora) em águas sob jurisdição da DGRM. A truta-marisca está criticamente em perigo (Livro Vermelho dos Peixes de Portugal, 2023). Em rios e albufeiras aplicam-se o tamanho mínimo, as épocas e os limites do regulamento do ICNF e de cada zona de pesca.
Fonte: DGRM, Tabela de Tamanhos Mínimos de Captura (26/02/2026): Portaria n.º 255/2022, Regulamento (UE) 2019/1241 e Regulamento (UE) 2026/249 · Truta-marisca (Salmo trutta) em águas sob jurisdição da DGRM; em águas interiores aplica-se o regulamento do ICNF. A lei em vigor prevalece sobre esta ficha. Confirme sempre as regras locais (editais da capitania, zonas protegidas, regulamentos de cada rio).
Onde encontrar em Portugal
Rios e albufeiras
Gerês (rio Homem, Cávado superior), Montalegre
- Bacia do LimaComum
rio Vez, Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, Soajo
- Bacia do MinhoComum
afluentes do Minho (Coura, Mouro, Gadanha); truta-marisca no troço internacional
principal população de truta-marisca
- Bacia do DouroFrequente
Paiva, Tâmega, Rabaçal, Tuela, Sabor, rios de Montesinho
redução de ocorrências recente
- Bacia do MondegoFrequente
Mondego superior, Alva, Ceira, serras da Estrela e do Açor (Arganil)
redução de ocorrências recente
- Bacia do TejoOcasional
afluentes da margem direita (Zêzere superior, Serra da Estrela)
Indicativo: a abundância varia com a época, a água e o ano. As localizações exatas dos pesqueiros nunca são mostradas aqui.
Como identificar
Corpo fusiforme com barbatana adiposa. A forma de rio tem dorso castanho-esverdeado, flancos dourados e pintas negras e vermelhas, muitas vezes com auréola clara; a adiposa costuma ter a ponta avermelhada. O padrão varia muito de rio para rio.
A truta-marisca é a mesma espécie na forma migradora: é prateada, maior, com manchas negras em X e quase sem pintas vermelhas. A maxila ultrapassa a parte de trás do olho e o pedúnculo caudal é grosso.
Confusões frequentes
Confunde-se com a truta-arco-íris, que tem uma faixa rosada ao longo do flanco, pintas negras pequenas também na cauda e sem pintas vermelhas. A truta-marisca confunde-se com o salmão, que tem pedúnculo mais fino, cauda mais côncava, maxila mais curta e poucas manchas abaixo da linha lateral.
Em rios com salmão, em caso de dúvida, devolva o peixe.
Onde vive
A forma de rio vive nos troços superiores de rios e ribeiras com água fria, límpida, oxigenada e corrente, com muita sombra e fundo de cascalho ou rocha. Ocorre nas bacias do Minho, Âncora, Lima, Neiva, Cávado, Ave, Douro, Vouga e Mondego e em afluentes da margem direita do Tejo (como o Zêzere), incluindo as serras do Gerês, Montesinho e Estrela. Existe também em algumas albufeiras e lagoas de altitude.
A truta-marisca aparece desde o Minho, onde está a principal população, até ao Mondego, passando parte da vida no mar e nos estuários.
Comportamento e época
Alimenta-se de insetos aquáticos e terrestres, larvas, pequenos crustáceos e peixes; os exemplares grandes tornam-se piscívoros. Defende um posto na corrente, atrás de pedras, sob margens escavadas e em cabeças de poço.
A desova ocorre no outono e inverno em cascalho de águas rápidas. A forma residente fica no rio toda a vida; a truta-marisca desce ao mar jovem, cresce mais depressa e regressa para desovar.
Como pescar
Pesca-se à mosca (seca, ninfa e streamer), ao spinning com amostras pequenas e, onde permitido, com isco natural e bóia. Aproxime-se sem ser visto, pesque de jusante para montante e lance para as correntes de entrada dos poços e junto às pedras.
As melhores horas são o início da manhã e o fim da tarde, com eclosões de insetos e água limpa. A pesca exige licença de pesca em águas interiores do ICNF e o cumprimento do regulamento de cada rio ou zona (concessões, troços de captura e devolução, iscos permitidos). Pratique a captura e devolução sempre que possível. Se ferrar uma truta-marisca (prateada, vinda do mar), devolva-a de imediato.
Iscos e amostras
Amostras: colheres rotativas de tamanho 0 a 2, pequenos peixes artificiais e vinis leves. Moscas: imitações de efémeras, tricópteros e formigas, ninfas lastradas e streamers para as trutas maiores.
Iscos naturais, onde forem permitidos: minhoca e larvas de insetos (como a lagarta-de-água), iscadas de forma a esconder o anzol. Anzóis sem farpa facilitam a devolução.
Na cozinha
Carne fina e muito apreciada, tradicional em Trás-os-Montes e nas Beiras: truta frita, truta frita com presunto (como nas trutas à moda da Serra de Arganil) e truta de escabeche. Prefira consumir trutas de piscicultura e devolver as trutas selvagens.
Curiosidades
- A truta-de-rio e a truta-marisca são a mesma espécie: a diferença está em os peixes ficarem no rio a vida toda ou irem ao mar crescer.
- A truta-marisca liga geneticamente as populações de vários rios, ajudando a manter a diversidade da espécie.
- As populações portuguesas estão geneticamente diferenciadas de rio para rio, por isso os repovoamentos com peixes de outras origens podem ser prejudiciais.
- Os incêndios florestais e a doença dos amieiros, que destrói a sombra das margens, estão entre as ameaças recentes.
- A truta frita com presunto é um prato clássico das serras do Centro e do Norte.
Conservação
No Livro Vermelho dos Peixes de Portugal (2023) a forma residente (truta-de-rio) passou de Pouco Preocupante para Quase Ameaçada (NT), com redução de ocorrências no Douro, Vouga e Mondego. A forma migradora (truta-marisca) está Criticamente em Perigo (CR), com uma redução estimada de 83% em três gerações, e a sua pesca é proibida nas bacias portuguesas (exceto no Troço Internacional do Rio Minho).
Ameaças: barragens e açudes, degradação das margens, poluição, captação de água, espécies exóticas, sobrepesca, pesca ilegal, incêndios e alterações climáticas. Boas práticas: captura e devolução, anzóis sem farpa, manusear com mãos molhadas e devolver sempre trutas-mariscas.
Galeria
Vivem nas mesmas águas
Espécies que se encontram nas mesmas zonas e habitats do truta-de-rio.
Iscos, amostras e montagens para truta-de-rio
Iscos naturais
Amostras
Notícias, artigos e eventos: truta-de-rio
Referências
- Livro Vermelho dos Peixes Dulciaquícolas e Diádromos de Portugal Continental (2023) · Magalhães et al. / FCiências.ID & ICNF (categoria de ameaça, distribuição por bacia, pressões e ameaças)
- Livro Vermelho: peixes de água doce e migradores de Portugal estão em perigo · Público (26/07/2023) (resumo das categorias do Livro Vermelho 2023)
- Trutas à moda da Serra de Arganil · Teleculinária (receita tradicional de truta frita com presunto)
- Truta-de-rio em pisciculturas de repovoamento (Norte e Centro) · Instituto Politécnico de Bragança (Biblioteca Digital) (espécie emblemática dos rios de montanha do Norte e Centro)
- Truta-marisca no rio Minho (tese, 2014) · Universidade do Minho (RepositóriUM) (truta-marisca criticamente em perigo)
- Denominações comerciais autorizadas em Portugal (Anexo I da Portaria 587/2006, consolidado a 27/04/2021) · DGRM (nome oficial e denominações autorizadas)

