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Cyprinidae · Água doce
Escalo-do-sul
Squalius pyrenaicus
Escalo endémico da Península Ibérica, dos rios e ribeiras do centro e sul de Portugal. Resistente às secas estivais e classificado como Vulnerável, aceita iscos naturais, mosca e pequenas amostras, e deve ser sempre devolvido à água.
Também conhecido como
- Escalo

Antes de levar
Tamanho mínimo
Não definido
Captura
Pode ser capturada
Registo de capturas
Não exigido
Conservação (IUCN)
Vulnerável (VU)
A lei em vigor prevalece sobre esta ficha. Confirme sempre as regras locais (editais da capitania, zonas protegidas, regulamentos de cada rio).
Onde encontrar em Portugal
Rios e albufeiras
- Bacia do TejoFrequente
afluentes do Tejo; também Lis e ribeiras do Oeste (ex.: Jamor, Colares)
linhagem Tejo/Oeste; Lis e Oeste sem chave própria
- Bacia do GuadianaOcasional
afluentes do Guadiana (ex.: Caia/Arronches)
populações agora atribuídas a S. tartessicus em revisões recentes
- Bacia do SadoOcasional
ribeiras da bacia do Sado
desde 2024 considerado espécie própria, S. caetobrigus (escalo-do-Sado)
Indicativo: a abundância varia com a época, a água e o ano. As localizações exatas dos pesqueiros nunca são mostradas aqui.
Como identificar
Corpo fusiforme e robusto, cabeça grande, focinho pontiagudo e boca terminal larga, sem barbilhos. Dorso escuro, flancos prateados ou dourados e escamas grandes (37 a 42 na linha lateral), cada uma com uma pequena meia-lua escura na base, formando um padrão em rede.
As barbatanas pares e a anal podem ter tons alaranjados. Os exemplares grandes ganham cabeça maciça e comportamento predador.
Confusões frequentes
Muito semelhante ao escalo-do-norte (S. carolitertii, do Mondego para norte), de focinho mais arredondado. No sul há escalos muito parecidos e de distribuição restrita, todos ameaçados: o escalo-do-Arade (S. aradensis), das ribeiras do Barlavento e Sotavento algarvio incluindo o Arade; o escalo-do-Mira (S. torgalensis), só da bacia do Mira; e o escalo-do-Sado (S. caetobrigus), descrito em 2024. Nessas bacias, qualquer escalo deve ser devolvido de imediato. O bordalo (S. alburnoides) é mais pequeno.
Das bogas distingue-se pela boca terminal; dos barbos, pela ausência de barbilhos.
Onde vive
Endémico da Península Ibérica e nativo de Portugal. O Livro Vermelho de 2023 dá-o para as ribeiras do Oeste e os rios Lis, Tejo, Sado e Guadiana, e algumas pequenas bacias do Algarve. Estudos genéticos recentes separaram as populações do Sado (agora S. caetobrigus) e mostram que as do Guadiana e Sotavento formam outra linhagem (atribuída a S. tartessicus, descrita em 2023).
Vive em cursos de água pequenos e médios, pouco profundos, com vegetação, sombra e água oxigenada, e também em albufeiras. No verão muitas destas ribeiras ficam reduzidas a pegos isolados, onde sobrevive. É ameaçado por barragens e açudes, captação de água, poluição, incêndios e espécies exóticas como a perca-sol e o chanchito.
Comportamento e época
Omnívoro e oportunista: insetos, larvas, crustáceos, frutos e sementes caídos na água e, nos maiores, pequenos peixes.
Desova na primavera, entre março e junho, em zonas de cascalho com alguma corrente. No verão concentra-se nos pegos e alimenta-se muito à superfície ao fim da tarde.
Como pescar
Pesca-se à bóia com linhas finas, à mosca com secas e ninfas pequenas e em spinning ultraligeiro, com pequenas colheres e vinis.
Nos pegos de verão os peixes estão concentrados e vulneráveis: pesque com moderação, use anzóis sem barbela e devolva todos os exemplares com cuidado, sem os manter fora de água. A pesca em águas interiores exige licença do ICNF, e cada zona pode ter regras próprias.
Iscos e amostras
Minhoca, asticot, pão, gafanhotos, grilos, figos e amoras. Em amostras: colheres rotativas n.º 0 a 1, minipeixes e vinis pequenos.
Na cozinha
Peixe espinhoso, tradicionalmente frito em algumas zonas do interior. Hoje, por ser uma espécie ameaçada, deve ser sempre devolvido à água.
Curiosidades
- Foi descrito pelo zoólogo Albert Günther em 1868, no Museu Britânico.
- As populações do Tejo e Oeste e as do Guadiana e Sotavento são unidades evolutivas distintas, e o escalo do Sado revelou-se uma espécie nova em 2024.
- O escalo-do-Sado (S. caetobrigus) tem o nome de Caetobriga, a Setúbal romana.
- Houve programas de reprodução em cativeiro com escalos da ribeira de Colares (até 2017) e da ribeira do Jamor (desde 2019).
- Sobrevive meses em pegos isolados, à espera das chuvas de outono para voltar a colonizar a ribeira.
Conservação
Vulnerável (VU) no Livro Vermelho dos Peixes de Portugal (2023) e em Espanha; protegido pelo Anexo III da Convenção de Berna. Modelos para 2021–2040 preveem perda de mais de metade do habitat adequado nas bacias do Tejo, Sado e Guadiana. As ameaças são barragens e açudes, captação excessiva de água, poluição, pesca, espécies exóticas, incêndios e secas. Boas práticas: devolver sempre o peixe em boas condições, evitar pescar nos pegos de verão, não deslocar peixes entre ribeiras e denunciar captações ilegais de água.
Galeria
Vivem nas mesmas águas
Espécies que se encontram nas mesmas zonas e habitats do escalo-do-sul.
Iscos, amostras e montagens para escalo-do-sul
Iscos naturais
Montagens
Referências
- Livro Vermelho dos Peixes Dulciaquícolas e Diádromos de Portugal Continental (2023) · Magalhães et al. / FCiências.ID e ICNF (categoria VU, distribuição (Oeste, Lis, Tejo, Sado, Guadiana, Algarve), linhagens, reprodução em cativeiro, uso para pesca)
- Livro Vermelho dos Peixes Dulciaquícolas e Diádromos de Portugal Continental (2023) · Magalhães et al. / FCiências.ID e ICNF (S. aradensis (EN, Barlavento e Sotavento incluindo Arade) e S. torgalensis (EN, só Mira))
- A new species of the genus Squalius (Leuciscidae) from the Sado River basin in Portugal (Limnetica 44, 2025) · Mendes, Perea, Sousa, Sousa-Santos & Doadrio (descrição de S. caetobrigus, restrito ao Sado)
- Cientistas descobrem nova espécie de peixe que ocorre apenas na bacia do Sado (comunicado, 9/12/2024) · cE3c – Ciências ULisboa (nome comum escalo-do-Sado e etimologia (Caetobriga))
- Descrição de Squalius tartessicus (Graellsia, 2023) · Graellsia (MNCN-CSIC) (descrição de S. tartessicus (Guadiana e Sotavento))
- A taxonomic, geographic and temporal assessment of Portuguese freshwater fishes in Portuguese ichthyological collections (2026) · Santos, da Costa, Alves & Ceríaco – Natural History Collections and Museomics (reconhecimento de S. caetobrigus e S. tartessicus na fauna portuguesa)
- Species summary – Squalius pyrenaicus · UICN Centro de Cooperação do Mediterrâneo (habitat e ameaças)
- FishBase – Squalius pyrenaicus (factos verificados: tamanhos, distribuição) · FishBase (comprimento máximo 26 cm SL, idade 7 anos, focinho pontiagudo, escamas)

