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Pescar

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Cyprinidae · Água doce

Escalo-do-sul

Squalius pyrenaicus

Escalo endémico da Península Ibérica, dos rios e ribeiras do centro e sul de Portugal. Resistente às secas estivais e classificado como Vulnerável, aceita iscos naturais, mosca e pequenas amostras, e deve ser sempre devolvido à água.

Também conhecido como

  • Escalo
Escalo-do-sul
Foto: David Perez · CC BY 3.0 · Wikimedia Commons
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Antes de levar

Tamanho mínimo

Não definido

Captura

Pode ser capturada

Registo de capturas

Não exigido

Conservação (IUCN)

Vulnerável (VU)

A lei em vigor prevalece sobre esta ficha. Confirme sempre as regras locais (editais da capitania, zonas protegidas, regulamentos de cada rio).

Onde encontrar em Portugal

Rios e albufeiras

  • Bacia do TejoFrequente

    afluentes do Tejo; também Lis e ribeiras do Oeste (ex.: Jamor, Colares)

    linhagem Tejo/Oeste; Lis e Oeste sem chave própria

  • afluentes do Guadiana (ex.: Caia/Arronches)

    populações agora atribuídas a S. tartessicus em revisões recentes

  • Bacia do SadoOcasional

    ribeiras da bacia do Sado

    desde 2024 considerado espécie própria, S. caetobrigus (escalo-do-Sado)

  • pequenas ribeiras do Sotavento

    linhagem Guadiana/Sotavento (S. tartessicus)

Indicativo: a abundância varia com a época, a água e o ano. As localizações exatas dos pesqueiros nunca são mostradas aqui.

Como identificar

Corpo fusiforme e robusto, cabeça grande, focinho pontiagudo e boca terminal larga, sem barbilhos. Dorso escuro, flancos prateados ou dourados e escamas grandes (37 a 42 na linha lateral), cada uma com uma pequena meia-lua escura na base, formando um padrão em rede.

As barbatanas pares e a anal podem ter tons alaranjados. Os exemplares grandes ganham cabeça maciça e comportamento predador.

Confusões frequentes

Muito semelhante ao escalo-do-norte (S. carolitertii, do Mondego para norte), de focinho mais arredondado. No sul há escalos muito parecidos e de distribuição restrita, todos ameaçados: o escalo-do-Arade (S. aradensis), das ribeiras do Barlavento e Sotavento algarvio incluindo o Arade; o escalo-do-Mira (S. torgalensis), só da bacia do Mira; e o escalo-do-Sado (S. caetobrigus), descrito em 2024. Nessas bacias, qualquer escalo deve ser devolvido de imediato. O bordalo (S. alburnoides) é mais pequeno.

Das bogas distingue-se pela boca terminal; dos barbos, pela ausência de barbilhos.

Onde vive

Endémico da Península Ibérica e nativo de Portugal. O Livro Vermelho de 2023 dá-o para as ribeiras do Oeste e os rios Lis, Tejo, Sado e Guadiana, e algumas pequenas bacias do Algarve. Estudos genéticos recentes separaram as populações do Sado (agora S. caetobrigus) e mostram que as do Guadiana e Sotavento formam outra linhagem (atribuída a S. tartessicus, descrita em 2023).

Vive em cursos de água pequenos e médios, pouco profundos, com vegetação, sombra e água oxigenada, e também em albufeiras. No verão muitas destas ribeiras ficam reduzidas a pegos isolados, onde sobrevive. É ameaçado por barragens e açudes, captação de água, poluição, incêndios e espécies exóticas como a perca-sol e o chanchito.

Comportamento e época

Omnívoro e oportunista: insetos, larvas, crustáceos, frutos e sementes caídos na água e, nos maiores, pequenos peixes.

Desova na primavera, entre março e junho, em zonas de cascalho com alguma corrente. No verão concentra-se nos pegos e alimenta-se muito à superfície ao fim da tarde.

Como pescar

Pesca-se à bóia com linhas finas, à mosca com secas e ninfas pequenas e em spinning ultraligeiro, com pequenas colheres e vinis.

Nos pegos de verão os peixes estão concentrados e vulneráveis: pesque com moderação, use anzóis sem barbela e devolva todos os exemplares com cuidado, sem os manter fora de água. A pesca em águas interiores exige licença do ICNF, e cada zona pode ter regras próprias.

Iscos e amostras

Minhoca, asticot, pão, gafanhotos, grilos, figos e amoras. Em amostras: colheres rotativas n.º 0 a 1, minipeixes e vinis pequenos.

Na cozinha

Peixe espinhoso, tradicionalmente frito em algumas zonas do interior. Hoje, por ser uma espécie ameaçada, deve ser sempre devolvido à água.

Curiosidades

  • Foi descrito pelo zoólogo Albert Günther em 1868, no Museu Britânico.
  • As populações do Tejo e Oeste e as do Guadiana e Sotavento são unidades evolutivas distintas, e o escalo do Sado revelou-se uma espécie nova em 2024.
  • O escalo-do-Sado (S. caetobrigus) tem o nome de Caetobriga, a Setúbal romana.
  • Houve programas de reprodução em cativeiro com escalos da ribeira de Colares (até 2017) e da ribeira do Jamor (desde 2019).
  • Sobrevive meses em pegos isolados, à espera das chuvas de outono para voltar a colonizar a ribeira.

Conservação

Vulnerável (VU) no Livro Vermelho dos Peixes de Portugal (2023) e em Espanha; protegido pelo Anexo III da Convenção de Berna. Modelos para 2021–2040 preveem perda de mais de metade do habitat adequado nas bacias do Tejo, Sado e Guadiana. As ameaças são barragens e açudes, captação excessiva de água, poluição, pesca, espécies exóticas, incêndios e secas. Boas práticas: devolver sempre o peixe em boas condições, evitar pescar nos pegos de verão, não deslocar peixes entre ribeiras e denunciar captações ilegais de água.

Galeria

  • Escalo-do-sul
    David Perez (CC BY 3.0)
  • Escalo-do-sul
    Alfredo Rodríguez (CC BY-SA 4.0)

Vivem nas mesmas águas

Espécies que se encontram nas mesmas zonas e habitats do escalo-do-sul.

Iscos, amostras e montagens para escalo-do-sul

Referências

  1. Livro Vermelho dos Peixes Dulciaquícolas e Diádromos de Portugal Continental (2023) · Magalhães et al. / FCiências.ID e ICNF (categoria VU, distribuição (Oeste, Lis, Tejo, Sado, Guadiana, Algarve), linhagens, reprodução em cativeiro, uso para pesca)
  2. Livro Vermelho dos Peixes Dulciaquícolas e Diádromos de Portugal Continental (2023) · Magalhães et al. / FCiências.ID e ICNF (S. aradensis (EN, Barlavento e Sotavento incluindo Arade) e S. torgalensis (EN, só Mira))
  3. A new species of the genus Squalius (Leuciscidae) from the Sado River basin in Portugal (Limnetica 44, 2025) · Mendes, Perea, Sousa, Sousa-Santos & Doadrio (descrição de S. caetobrigus, restrito ao Sado)
  4. Cientistas descobrem nova espécie de peixe que ocorre apenas na bacia do Sado (comunicado, 9/12/2024) · cE3c – Ciências ULisboa (nome comum escalo-do-Sado e etimologia (Caetobriga))
  5. Descrição de Squalius tartessicus (Graellsia, 2023) · Graellsia (MNCN-CSIC) (descrição de S. tartessicus (Guadiana e Sotavento))
  6. A taxonomic, geographic and temporal assessment of Portuguese freshwater fishes in Portuguese ichthyological collections (2026) · Santos, da Costa, Alves & Ceríaco – Natural History Collections and Museomics (reconhecimento de S. caetobrigus e S. tartessicus na fauna portuguesa)
  7. Species summary – Squalius pyrenaicus · UICN Centro de Cooperação do Mediterrâneo (habitat e ameaças)
  8. FishBase – Squalius pyrenaicus (factos verificados: tamanhos, distribuição) · FishBase (comprimento máximo 26 cm SL, idade 7 anos, focinho pontiagudo, escamas)