Atualizado a
Ictaluridae · Água doce
Peixe-gato-negro
Ameiurus melas
Pequeno peixe-gato norte-americano, escuro e de oito barbilhos, introduzido e muito abundante em várias bacias de Portugal. Morde sobretudo de noite e com água turva.
Também conhecido como
- Peixe-gato

Antes de levar
Tamanho mínimo
Não definido
Captura
Pode ser capturada
Registo de capturas
Não exigido
Conservação (IUCN)
Pouco preocupante (LC)
A lei em vigor prevalece sobre esta ficha. Confirme sempre as regras locais (editais da capitania, zonas protegidas, regulamentos de cada rio).
Onde encontrar em Portugal
Rios e albufeiras
- Bacia do SadoFrequente
albufeiras da bacia do Sado
Indicativo: a abundância varia com a época, a água e o ano. As localizações exatas dos pesqueiros nunca são mostradas aqui.
Como identificar
Corpo sem escamas, de pele lisa, cabeça larga e achatada. Tem oito barbilhos: dois longos no maxilar superior, dois junto às narinas e quatro no queixo.
Possui um espinho forte na dorsal e em cada peitoral, que pode picar, e uma pequena barbatana adiposa perto da cauda. Cor negra ou castanho-escura no dorso e ventre amarelado ou acinzentado; cauda com o bordo quase reto.
Confusões frequentes
Confunde-se com os juvenis de siluro, que não têm barbatana adiposa, têm só seis barbilhos (dois muito longos) e uma anal muito comprida. O peixe-gato-americano (Ictalurus punctatus), presente no Guadiana, tem a cauda claramente bifurcada e o corpo mais claro, muitas vezes com pintas. Distingue-se ainda do peixe-gato-castanho (A. nebulosus), com o qual é confundido na Europa, pela cor uniforme escura e pela cauda quase direita.
Onde vive
Espécie introduzida, originária da América do Norte. Foi introduzida em Espanha no início do século XX, terá entrado em Portugal pela bacia do Tejo e foi depois espalhada também por pescadores; os primeiros registos publicados em Portugal datam de 2002. Hoje ocorre nas bacias do Tejo, Sado e Guadiana, sobretudo em albufeiras e troços de rio próximos, e nas últimas décadas tem-se expandido.
Vive em águas lentas, quentes e turvas, com fundos de lodo, em albufeiras, açudes, valas e troços baixos de rios. Muito tolerante à poluição, à falta de oxigénio e a temperaturas altas, compete com espécies nativas e come os seus ovos e juvenis; consulte as regras do ICNF sobre espécies exóticas.
Comportamento e época
Omnívoro e necrófago, come invertebrados, ovos, pequenos peixes e restos orgânicos. É sobretudo noturno e vive em grupos numerosos.
Desova entre maio e julho; os pais guardam os ovos e os cardumes de juvenis negros, que se veem junto às margens.
Como pescar
Pesca-se ao fundo e à bóia, junto ao fundo, com material simples e anzóis médios. Morde bem ao anoitecer, de noite e com água turva após chuvadas.
Cuidado ao desferrar: segure-o por trás das peitorais para evitar os espinhos, que provocam picadas dolorosas. A pesca em águas interiores exige licença do ICNF, e cada zona pode ter regras próprias.
Iscos e amostras
Minhoca, pedaços de peixe, fígado, camarão, asticot e massas de cheiro forte.
Na cozinha
Carne razoável, sem espinhas intermusculares, depois de esfolado. Pode ser frito ou em caldeirada.
Curiosidades
- Os pais guardam os ovos e depois acompanham o cardume de juvenis negros, que parecem uma «nuvem» junto à margem.
- É muitas vezes confundido com o peixe-gato-castanho (A. nebulosus), o que gerou dúvidas sobre qual das duas espécies existe em alguns países europeus.
- Na Europa forma populações densas de peixes pequenos, o que o torna pouco apreciado pelos pescadores.
- Em Portugal existe também o peixe-gato-americano (Ictalurus punctatus), detetado no Guadiana em 2011, de cauda bifurcada.
Conservação
Em Portugal é exótico (Não Aplicável no Livro Vermelho de 2023; Pouco Preocupante a nível global) e consta da Lista Nacional de Espécies Invasoras. Afeta peixes nativos ao comer ovos e juvenis e ao competir por alimento. Boas práticas: não transportar peixes vivos, manusear com cuidado por causa dos espinhos; sobre o destino a dar aos exemplares capturados, consulte as regras do ICNF sobre espécies exóticas.
Galeria
Vivem nas mesmas águas
Espécies que se encontram nas mesmas zonas e habitats do peixe-gato-negro.
Iscos, amostras e montagens para peixe-gato-negro
Iscos naturais
Notícias, artigos e eventos: peixe-gato-negro
Referências
- First records of the North American catfish Ameiurus melas in Portugal (J. Fish Biol., 2002) · Gante & Santos (ref. FishBase) (primeiros registos em Portugal (2002))
- Ictiofauna dulçaquícola exótica da fração portuguesa da bacia do Guadiana · LPN – projeto LIFE Saramugo (introdução em Espanha no início do séc. XX, entrada pelo Tejo, transferências por pescadores, presença no Guadiana e Sado, tolerância)
- A taxonomic, geographic and temporal assessment of Portuguese freshwater fishes in Portuguese ichthyological collections (2026) · Santos, da Costa, Alves & Ceríaco – Natural History Collections and Museomics (expansão recente de A. melas em Portugal (Martelo et al. 2021))
- Livro Vermelho dos Peixes Dulciaquícolas e Diádromos de Portugal Continental (2023) · Magalhães et al. / FCiências.ID e ICNF (estatuto NA; peixe-gato-americano em Portugal)
- Lista Nacional de Espécies Invasoras (Anexo II do Decreto-Lei n.º 92/2019) · ICNF (inclusão na Lista Nacional de Espécies Invasoras)
- FishBase – Ameiurus melas (factos verificados: tamanhos, distribuição) · FishBase (comprimento máximo 66 cm, populações europeias atrofiadas, confusão com A. nebulosus, Tejo)


