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Pescar

Atualizado a

Ictaluridae · Água doce

Peixe-gato-negro

Ameiurus melas

Pequeno peixe-gato norte-americano, escuro e de oito barbilhos, introduzido e muito abundante em várias bacias de Portugal. Morde sobretudo de noite e com água turva.

Também conhecido como

  • Peixe-gato
Peixe-gato-negro
Foto: George Chernilevsky · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
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Antes de levar

Tamanho mínimo

Não definido

Captura

Pode ser capturada

Registo de capturas

Não exigido

Conservação (IUCN)

Pouco preocupante (LC)

A lei em vigor prevalece sobre esta ficha. Confirme sempre as regras locais (editais da capitania, zonas protegidas, regulamentos de cada rio).

Onde encontrar em Portugal

Rios e albufeiras

  • albufeiras e troços baixos do Tejo

    provável porta de entrada a partir de Espanha

  • albufeira de Alqueva e outras albufeiras

    predomina em albufeiras

  • Bacia do SadoFrequente

    albufeiras da bacia do Sado

Indicativo: a abundância varia com a época, a água e o ano. As localizações exatas dos pesqueiros nunca são mostradas aqui.

Como identificar

Corpo sem escamas, de pele lisa, cabeça larga e achatada. Tem oito barbilhos: dois longos no maxilar superior, dois junto às narinas e quatro no queixo.

Possui um espinho forte na dorsal e em cada peitoral, que pode picar, e uma pequena barbatana adiposa perto da cauda. Cor negra ou castanho-escura no dorso e ventre amarelado ou acinzentado; cauda com o bordo quase reto.

Confusões frequentes

Confunde-se com os juvenis de siluro, que não têm barbatana adiposa, têm só seis barbilhos (dois muito longos) e uma anal muito comprida. O peixe-gato-americano (Ictalurus punctatus), presente no Guadiana, tem a cauda claramente bifurcada e o corpo mais claro, muitas vezes com pintas. Distingue-se ainda do peixe-gato-castanho (A. nebulosus), com o qual é confundido na Europa, pela cor uniforme escura e pela cauda quase direita.

Onde vive

Espécie introduzida, originária da América do Norte. Foi introduzida em Espanha no início do século XX, terá entrado em Portugal pela bacia do Tejo e foi depois espalhada também por pescadores; os primeiros registos publicados em Portugal datam de 2002. Hoje ocorre nas bacias do Tejo, Sado e Guadiana, sobretudo em albufeiras e troços de rio próximos, e nas últimas décadas tem-se expandido.

Vive em águas lentas, quentes e turvas, com fundos de lodo, em albufeiras, açudes, valas e troços baixos de rios. Muito tolerante à poluição, à falta de oxigénio e a temperaturas altas, compete com espécies nativas e come os seus ovos e juvenis; consulte as regras do ICNF sobre espécies exóticas.

Comportamento e época

Omnívoro e necrófago, come invertebrados, ovos, pequenos peixes e restos orgânicos. É sobretudo noturno e vive em grupos numerosos.

Desova entre maio e julho; os pais guardam os ovos e os cardumes de juvenis negros, que se veem junto às margens.

Como pescar

Pesca-se ao fundo e à bóia, junto ao fundo, com material simples e anzóis médios. Morde bem ao anoitecer, de noite e com água turva após chuvadas.

Cuidado ao desferrar: segure-o por trás das peitorais para evitar os espinhos, que provocam picadas dolorosas. A pesca em águas interiores exige licença do ICNF, e cada zona pode ter regras próprias.

Iscos e amostras

Minhoca, pedaços de peixe, fígado, camarão, asticot e massas de cheiro forte.

Na cozinha

Carne razoável, sem espinhas intermusculares, depois de esfolado. Pode ser frito ou em caldeirada.

Curiosidades

  • Os pais guardam os ovos e depois acompanham o cardume de juvenis negros, que parecem uma «nuvem» junto à margem.
  • É muitas vezes confundido com o peixe-gato-castanho (A. nebulosus), o que gerou dúvidas sobre qual das duas espécies existe em alguns países europeus.
  • Na Europa forma populações densas de peixes pequenos, o que o torna pouco apreciado pelos pescadores.
  • Em Portugal existe também o peixe-gato-americano (Ictalurus punctatus), detetado no Guadiana em 2011, de cauda bifurcada.

Conservação

Em Portugal é exótico (Não Aplicável no Livro Vermelho de 2023; Pouco Preocupante a nível global) e consta da Lista Nacional de Espécies Invasoras. Afeta peixes nativos ao comer ovos e juvenis e ao competir por alimento. Boas práticas: não transportar peixes vivos, manusear com cuidado por causa dos espinhos; sobre o destino a dar aos exemplares capturados, consulte as regras do ICNF sobre espécies exóticas.

Galeria

  • Peixe-gato-negro
    Desconhecido (CC BY-SA 3.0)
  • Peixe-gato-negro
    Niall Clancy (CC0)

Vivem nas mesmas águas

Espécies que se encontram nas mesmas zonas e habitats do peixe-gato-negro.

Iscos, amostras e montagens para peixe-gato-negro

Notícias, artigos e eventos: peixe-gato-negro

Referências

  1. First records of the North American catfish Ameiurus melas in Portugal (J. Fish Biol., 2002) · Gante & Santos (ref. FishBase) (primeiros registos em Portugal (2002))
  2. Ictiofauna dulçaquícola exótica da fração portuguesa da bacia do Guadiana · LPN – projeto LIFE Saramugo (introdução em Espanha no início do séc. XX, entrada pelo Tejo, transferências por pescadores, presença no Guadiana e Sado, tolerância)
  3. A taxonomic, geographic and temporal assessment of Portuguese freshwater fishes in Portuguese ichthyological collections (2026) · Santos, da Costa, Alves & Ceríaco – Natural History Collections and Museomics (expansão recente de A. melas em Portugal (Martelo et al. 2021))
  4. Livro Vermelho dos Peixes Dulciaquícolas e Diádromos de Portugal Continental (2023) · Magalhães et al. / FCiências.ID e ICNF (estatuto NA; peixe-gato-americano em Portugal)
  5. Lista Nacional de Espécies Invasoras (Anexo II do Decreto-Lei n.º 92/2019) · ICNF (inclusão na Lista Nacional de Espécies Invasoras)
  6. FishBase – Ameiurus melas (factos verificados: tamanhos, distribuição) · FishBase (comprimento máximo 66 cm, populações europeias atrofiadas, confusão com A. nebulosus, Tejo)