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Scombridae · Mar · Estuário
Atum-rabilho
Thunnus thynnus
Nome oficialAtum · também autorizados: Atum-rabilho, Rabilo, Rabil
O maior atum do Atlântico, migrador poderoso que passa pela costa portuguesa a caminho e de regresso das zonas de desova. Na pesca lúdica a captura tem regras muito restritas e deve ser registada.
Também conhecido como
- Atum-de-direito · Algarve
- Atum-de-revés · Algarve
- Rabilho

Antes de levar
Tamanho mínimo
Não definido
Captura
Captura condicionada
Registo de capturas
Obrigatório na app RecFishing
Conservação (IUCN)
Pouco preocupante (LC)
Na pesca lúdica só é permitida a retenção a bordo de embarcações da pesca turística previamente autorizadas pela DGRM, com exemplares de pelo menos 115 cm, até 500 kg por ano para o conjunto da pesca lúdica (Portaria n.º 14/2014, art. 11.º).
A lei em vigor prevalece sobre esta ficha. Confirme sempre as regras locais (editais da capitania, zonas protegidas, regulamentos de cada rio).
Onde encontrar em Portugal
Costa do continente
- Alentejo litoralOcasional
ao largo de Sines
Ilhas
- AçoresOcasional
abrangido por regras regionais de pesca lúdica
- Madeira e Porto SantoOcasional
Indicativo: a abundância varia com a época, a água e o ano. As localizações exatas dos pesqueiros nunca são mostradas aqui.
Como identificar
Corpo fusiforme, muito robusto e alto, com dorso azul-escuro quase negro e flancos e ventre prateados, por vezes com manchas ou linhas claras.
Duas dorsais próximas, barbatanas peitorais curtas (não chegam à segunda dorsal), pínulas amarelas com bordo escuro atrás da segunda dorsal e da anal, e cauda em meia-lua com quilhas laterais fortes no pedúnculo.
Confusões frequentes
Confunde-se com o atum-patudo (Thunnus obesus), de olho maior e peitorais mais longas; com a albacora (Thunnus albacares), de barbatanas e pínulas amarelo-vivo e dorsal e anal alongadas nos adultos; e com o atum-voador (Thunnus alalunga), que tem peitorais muito compridas. As peitorais curtas e o grande porte identificam o rabilho.
Onde vive
Oceânico e migrador, vive na coluna de água, desde a superfície a centenas de metros. Passa ao largo da costa continental, com mais presença no Algarve e na costa sul e sudoeste, e também nos Açores e na Madeira. No Algarve foi a base das antigas armações de atum.
Comportamento e época
Caça cardumes de sardinha, cavala, carapau, biqueirão e lulas, em grupos que provocam grandes ebulições. Na primavera migra do Atlântico para o Mediterrâneo para desovar e regressa no verão: nas armações do Algarve chamava-se atum de direito ao que passava de poente para nascente em maio e junho, e atum de revés ao que regressava em agosto e setembro.
É extremamente potente e resistente: a luta pode durar horas com exemplares grandes.
Como pescar
Pesca embarcada de corrico, popping a cardumes à superfície e pesca com isco vivo ou à deriva. Exige material pesado, embarcação adequada e experiência.
Só pode ser retido em embarcações de pesca-turística autorizadas; em qualquer caso, a captura deve ser registada na aplicação RecFishing da UE. Dê preferência à captura e libertação: luta curta, devolução dentro de água, sem tirar o peixe para bordo, e reanimação com o barco em marcha lenta até o peixe nadar sozinho.
Iscos e amostras
Amostras: poppers e stickbaits grandes, lulas e penas de corrico, minnows de barbela grande e jigs pesados.
Isco natural: cavala, sardinha ou lula, vivas ou mortas, iscadas em anzóis circulares (que reduzem o ferrar no estômago e facilitam a libertação).
Na cozinha
Carne vermelha muito valorizada. Na tradição algarvia usa-se em atum de cebolada, estupeta, muxama (lombo salgado e seco) e em conserva. Lembre-se de que só pode ser retido nas condições autorizadas.
Curiosidades
- As armações de atum dominaram a costa algarvia entre Vila Real de Santo António e Aljezur até aos anos 70 do século XX.
- O último atum da antiga armação de Tavira foi apanhado em 1972; a pesca com armação só voltou nos anos 90, por uma empresa luso-japonesa sediada em Olhão.
- Na Praia do Barril (Tavira) ainda se vê o «cemitério de âncoras» da antiga armação dos Três Irmãos.
- Consegue manter o corpo mais quente do que a água, o que lhe permite caçar em mares frios.
- Pode ultrapassar 4,5 m e várias centenas de quilos.
- Rabilo e rabil são outras denominações autorizadas em Portugal.
Conservação
Esteve classificado como Em Perigo pela IUCN, mas a recuperação do stock do Atlântico oriental com o plano de gestão da ICCAT levou à reclassificação como Pouco Preocupante (2021). A pesca continua muito regulada. Boas práticas: preferir a captura e libertação com anzóis circulares, lutas curtas e peixe sempre dentro de água, e registar todas as capturas como exigido.
Galeria
Vivem nas mesmas águas
Espécies que se encontram nas mesmas zonas e habitats do atum-rabilho.
Iscos, amostras e montagens para atum-rabilho
Referências
- Anexo I – Denominações comerciais autorizadas (atualização de 4 de junho de 2020) · DGRM (Atum (oficial), Atum-rabilho, Rabilo, Rabil)
- Tese sobre as armações de atum no Algarve · Universidade do Algarve (Sapientia) (atum de direito (maio–junho) e de revés (agosto–setembro))
- Edital n.º 347/2021 · Diário da República (armações entre Vila Real de Santo António e Aljezur até aos anos 70)
- Como os japoneses fizeram renascer a tradição algarvia da pesca do atum · Diário de Notícias (fim em 1972 e retoma nos anos 90 em Olhão)
- Portaria n.º 1/2024, de 5 de janeiro · Governo Regional dos Açores (rabilho incluído nas regras de pesca lúdica dos Açores)
- High value and long life – double jeopardy for tunas and billfishes · Collette et al., Science, 2011 (estatuto anterior (Em Perigo))
- Thunnus thynnus – WoRMS · World Register of Marine Species (taxonomia e nome científico válido)
- Thunnus thynnus – Lista Vermelha da IUCN · IUCN (Pouco Preocupante (2021))
- Denominações comerciais autorizadas em Portugal (Anexo I da Portaria 587/2006, consolidado a 27/04/2021) · DGRM (nome oficial e denominações autorizadas)

