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Jigging

Também conhecida como jigging vertical, vertical jigging, slow jigging, slow pitch jigging, pesca vertical com jig

Pesca de barco com uma amostra metálica pesada (o «jig») que se deixa cair até ao fundo e se faz subir e descer na vertical, por baixo da embarcação, para provocar o ataque de predadores como o pargo, o safio ou o charuteiro.

Onde se usa

Mar abertoRecife

Jigging
Foto: Gordito1869 · CC BY 3.0 · Wikimedia Commons
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O que é

O jigging é uma técnica de pesca a partir de embarcação. Usa-se uma amostra (isco artificial) feita de metal, chamada jig, que é pesada e afunda depressa. O pescador deixa-a descer na vertical até ao fundo, ou até à profundidade onde a sonda mostra peixe, e depois trabalha-a com movimentos de cana e de carreto (o mecanismo que enrola a linha) para que suba e volte a cair.

O movimento imita um peixe pequeno ferido ou em fuga. Muitos ataques são de reação: o predador morde o jig sem estar necessariamente a caçar.

Há duas grandes variantes:

  • Jigging vertical «clássico» ou rápido: jigs compridos e estreitos, puxões fortes de cana e recolha rápida. Exige mais esforço físico.
  • Slow jigging (ou slow pitch jigging): jigs mais curtos e largos, que «planam» e rodopiam na queda; canas com ação parabólica (dobram em toda a extensão) e movimentos lentos, de meia volta de carreto. A maior parte das picadas acontece durante a queda do jig.

Como se faz

O princípio é simples: pôr o jig onde está o peixe e mantê-lo na vertical.

  1. Escolher o local: pedra, cabeços (elevações rochosas do fundo) ou bordas de fundões. A sonda ajuda a ver o relevo e os cardumes.
  2. Escolher o peso do jig: depende da profundidade e da corrente. A regra é ter a linha o mais vertical possível. Se a linha fica muito inclinada, usa-se um jig mais pesado.
  3. Descer o jig: abre-se o carreto e deixa-se cair até tocar no fundo. Fecha-se logo para não prender na pedra.
  4. Trabalhar o jig: no jigging rápido, dá-se um puxão de cana e recolhe-se linha ao mesmo tempo, repetindo várias vezes. No slow jigging, dá-se meia ou uma volta de carreto com um levantamento suave de cana e deixa-se o jig cair com a linha quase solta.
  5. Subir e voltar a descer: trabalha-se uma faixa de alguns metros acima do fundo e volta-se a deixar cair.
  6. Ferrar e lutar: ao sentir o peso ou a paragem da queda, ferra-se (dá-se um puxão firme para cravar o anzol) e afasta-se o peixe da pedra logo nos primeiros segundos.

O barco costuma pescar à deriva (sem âncora), deixando-se levar pelo vento e pela corrente por cima da zona de pesca.

Material

  • Cana curta e própria para jigging (cerca de 1,6 a 2 m). Para slow jigging, cana parabólica e mais leve.
  • Carreto de tambor rotativo (tipo «baitcasting» ou de jigging) ou carreto de bobine fixa robusto. Para slow jigging prefere-se carreto de tambor rotativo, com recuperação moderada.
  • Linha multifilamento («trançado»): quase não estica, o que permite sentir o fundo e as picadas a grande profundidade.
  • Baixada (troço final de linha) em fluorocarbono ou nylon grosso, que resiste melhor à abrasão das pedras.
  • Jigs de vários pesos e formas (compridos para jigging rápido; largos e curtos para slow jigging).
  • Anzóis de assistência («assist hooks»): anzóis presos ao olhal superior do jig por um pequeno cabo. Prendem menos no fundo do que as fateixas (anzóis triplos).
  • Equipamento de apoio: alicate, bicheiro ou camaroeiro para tirar o peixe da água, colete salva-vidas.

Iscos e amostras

Não se usa isco natural: o jig é a própria amostra. As cores e formas variam muito. Muitos pescadores levam jigs com tinta fosforescente («glow») para águas fundas ou turvas, e alguns acrescentam uma pequena tira de lula ou peixe nos anzóis, o que é permitido na pesca lúdica embarcada.

Quando resulta melhor

As melhores condições são as que deixam a linha vertical: pouco vento e corrente moderada. Com muita corrente o barco deriva depressa e o jig não chega ao fundo na posição certa.

As mudanças de maré, quando a corrente abranda ou ganha força, costumam animar o peixe. As primeiras horas da manhã e o fim da tarde são, em geral, bons períodos. Mar calmo é também uma questão de segurança e de conforto, porque se pesca com o barco parado à deriva.

Onde se pratica

Pratica-se no mar aberto, sobre fundos de pedra, recifes, naufrágios e cabeços, normalmente a dezenas de metros de profundidade. Faz-se a partir de embarcações de recreio registadas ou de empresas marítimo-turísticas que organizam saídas de pesca.

No continente, há saídas de jigging a partir de portos como Peniche, Sesimbra, Sagres e portos do Barlavento algarvio. Nos Açores e na Madeira, os fundos rochosos e as grandes profundidades perto da costa favorecem o jigging a peixes como o charuteiro (Seriola) e outros predadores.

Diferenças para outras técnicas

Jigging vs. spinning: ambos usam amostras artificiais, mas de formas opostas. No spinning lança-se a amostra para longe e recolhe-se na horizontal, em direção ao pescador, normalmente perto da superfície ou a meia-água, de terra ou de barco. No jigging quase não se lança: o jig desce na vertical por baixo do barco e trabalha-se num movimento de sobe e desce junto ao fundo, a grande profundidade. As amostras de spinning (vinis, amostras de plástico, colheres) são mais leves; os jigs são metal compacto, pensado para afundar depressa. Existe um caso intermédio, o shore jigging, em que se lançam jigs a partir de terra, mas aí a recolha é inclinada e não vertical.

Jigging vs. corrico: no corrico (trolling) o barco anda e reboca a amostra ou o isco à superfície ou perto dela, cobrindo muita distância à procura de peixe pelágico (de águas abertas, como atuns e espadins). No jigging o barco está parado ou à deriva lenta e a amostra trabalha-se na vertical, junto ao fundo. O corrico procura o peixe; o jigging pesca o peixe que já está num ponto conhecido.

Jigging vs. pesca ao fundo de barco: na pesca ao fundo usa-se isco natural (lula, sardinha, camarão) e uma chumbada que fica parada no fundo, à espera da picada. No jigging não há chumbada separada: o peso está no próprio jig, e é o movimento constante que atrai o peixe.

Jigging vs. pesca com toneira: a toneira também se trabalha num sobe e desce vertical, mas é dirigida a cefalópodes (lulas e chocos) e tem uma coroa de anzóis sem barbela; o jig tem anzóis de assistência e procura peixes predadores.

Slow jigging vs. jigging rápido: o rápido usa jigs compridos e puxões fortes e trabalha sobretudo a reação do peixe à velocidade; o lento usa jigs largos que planam na queda, canas parabólicas e cadência suave, e costuma ser mais eficaz quando o peixe está pouco ativo.

Dicas

  • Leva jigs de vários pesos: a corrente muda ao longo do dia e o peso certo de manhã pode não servir à tarde.
  • Fecha o carreto mal o jig toque no fundo; os segundos seguintes são os mais arriscados para prender na pedra.
  • Com vários pescadores no barco, usa jigs de peso semelhante para as linhas não se enrolarem.
  • Presta atenção à queda do jig: se parar antes do tempo ou a linha afrouxar, pode ser uma picada.
  • Verifica com frequência os nós e o estado dos anzóis de assistência.
  • Devolve à água, com cuidado, o peixe que não vais consumir.

Segurança

A bordo de uma embarcação em pesca lúdica, todos os tripulantes são obrigados a usar colete de salvação ou auxiliar de flutuação individual. Consulta a meteorologia e o estado do mar antes de sair e respeita os avisos da Capitania.

Os jigs são pesados e os anzóis muito afiados: cuidado ao fazer os movimentos de cana perto de outras pessoas e ao tirar o anzol do peixe. As lutas com peixe grande podem ser longas; usa um cinto de luta ou apoio de cana se necessário e protege as mãos ao manusear linha multifilamento.

Licença e regras

No continente, o jigging é pesca lúdica embarcada. É preciso licença de pesca lúdica embarcada (ou geral), emitida pela DGRM; a licença embarcada também permite pescar apeado. Quem vai numa embarcação marítimo-turística e só tem licença apeada precisa de uma licença diária embarcada, que a própria empresa pode fornecer. Menores de 16 anos acompanhados por um titular de licença estão dispensados.

Regras gerais confirmadas:

  • Só se pode pescar a partir de embarcações registadas no recreio ou na atividade marítimo-turística. Caiaques, canoas, pranchas e insufláveis não registados não servem para pesca embarcada.
  • Cada praticante pode usar até três linhas ou canas e até nove anzóis no conjunto (os anzóis de assistência contam).
  • É proibido pescar de barco nos canais de navegação das barras e embocaduras dos rios, nos canais de acesso a portos e em canais balizados.
  • Deve manter-se 50 m de distância de outras embarcações, de artes de pesca caladas e de praticantes de pesca submarina.
  • Nas áreas marinhas do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, da Arrábida, do Litoral Norte e da Reserva Natural das Berlengas, a pesca embarcada só é permitida de quinta a segunda-feira e feriados, exceto entre 1 de junho e 30 de setembro (as embarcações marítimo-turísticas não estão sujeitas a esta restrição). Nas Berlengas é ainda proibido pescar de barco a menos de 50 m de terra.
  • Desde janeiro de 2026 é obrigatório comunicar na aplicação RecFishing as capturas de algumas espécies (incluindo o robalo legítimo).

Nos Açores e na Madeira a licença é emitida pelos serviços regionais de pescas e aplica-se legislação regional própria.

Curiosidades

  • O slow jigging nasceu no Japão e espalhou-se depois pela Europa; costuma ser atribuído a um pescador japonês de grandes profundidades.
  • Na lei portuguesa, as canas de pesca são consideradas «linhas»: por isso o limite de três linhas por pescador inclui as canas.
  • A expansão do jigging acompanhou a das sondas e do GPS nas embarcações de recreio, porque a técnica depende de encontrar com precisão o relevo do fundo.

Onde se pratica em Portugal

Zonas onde a técnica é comum, com exemplos de locais públicos. Confirme sempre as regras locais e as zonas interditas.

Costa e ilhas

  • Costa Oeste

    Saídas de barco a partir de Peniche (fundos de pedra ao largo; atenção às regras da Reserva Natural das Berlengas)

    Na Reserva Natural das Berlengas a pesca lúdica embarcada tem restrições próprias (ver licenças).

  • Lisboa e Setúbal

    Saídas a partir do porto de Sesimbra, fora das zonas de proteção do Parque Natural da Arrábida

    No Parque Natural da Arrábida a pesca lúdica é interdita nas zonas de proteção total e parcial.

  • Barlavento algarvio

    Saídas de barco a partir de Sagres (porto da Baleeira), Lagos, Alvor e Portimão

    Há empresas marítimo-turísticas que anunciam saídas de jigging nesta zona.

  • Açores

    Saídas a partir dos principais portos das ilhas, sobre bancos e fundos rochosos

    Licença e regras próprias da Região Autónoma dos Açores.

  • Madeira e Porto Santo

    Saídas a partir do Funchal e da Calheta

    Licença e regras próprias da Região Autónoma da Madeira.

Galeria

  • Barco de pesca desportiva no mar com pescadores a pescar na vertical
    Barco de pesca desportiva no mar com pescadores a pescar na vertical · Weefemwe (CC BY-SA 3.0) · Wikimedia Commons

Outras técnicas

Material, iscos, nós e montagens: jigging

Ver tudo em Material e iscos →

Notícias, artigos e eventos: jigging

Referências

  1. FAQ Pesca Lúdica 2026 · DGRM (Tipos de licença, artes permitidas, embarcações, distâncias, áreas protegidas, colete obrigatório, RecFishing)
  2. Portaria n.º 14/2014, de 23 de janeiro · Diário da República (Artes permitidas, embarcações, restrições por área (art. 3.º, 7.º, 8.º, 9.º))
  3. Decreto-Lei n.º 101/2013, de 25 de julho · Diário da República (cópia CCDR LVT) (Tipos de licença e exceção para menores de 16 anos)
  4. Saltwater Jigging Guide: Vertical, Slow Pitch, Speed, and Casting Techniques · The Tackle Room (Descrição das variantes de jigging (pista; loja))
  5. The Slow Pitch: Fishing Center-Weighted Jigs · The Fisherman (Origem japonesa do slow pitch jigging)
  6. Jigging fishing day from Alvor (Algarve) · Yumping (Saídas de jigging no Barlavento (pista))

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