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Pescar

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Corrico

Também conhecida como trolling, corripo, pesca ao corrico, pesca grossa, big game fishing, pesca de altura

Pesca com amostras ou isco rebocados por uma embarcação em andamento, à superfície ou a pouca profundidade. Vai desde o corrico costeiro à cavala e ao robalo até à pesca grossa de espadins e atuns nos Açores e na Madeira.

Onde se usa

Mar abertoRecife

Corrico
Foto: Grander13 · CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons
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O que é

O corrico (em inglês trolling; na lei também «corripo») é uma técnica em que a linha com a amostra ou o isco é rebocada por uma embarcação em movimento, à superfície ou um pouco abaixo dela. O peixe ataca a amostra como se fosse uma presa a fugir.

A Portaria n.º 14/2014 define o corrico como um aparelho de anzol com uma linha simples e até três anzóis ou amostras, que podem ter anzóis triplos (fateixas), rebocado à superfície ou subsuperfície por uma embarcação ou a partir da costa. Neste guia tratamos o corrico de barco.

Há dois mundos dentro do corrico:

  • Corrico costeiro: perto da costa, com material médio, a peixes como cavala, sarda, anchova, bonito, robalo ou dourado.
  • Pesca grossa (big game fishing): ao largo, com material muito pesado, a peixes de grande porte como espadim-azul, espadim-branco, atuns e doirado. Os Açores e a Madeira são destinos conhecidos internacionalmente.

Como se faz

  1. Preparar as linhas: escolhe as amostras (peixes artificiais, «polvos» de plástico, colheres) e define a que distância do barco vai cada uma. Em barcos maiores usam-se tangones (varas laterais que afastam as linhas umas das outras).
  2. Regular a velocidade: cada amostra tem uma velocidade em que trabalha bem. No corrico costeiro anda-se devagar; na pesca grossa a velocidade é maior.
  3. Controlar a profundidade: para pescar abaixo da superfície usam-se amostras com pala (que mergulham), chumbadas de corrico ou um downrigger (sistema com um peso que leva a linha a uma profundidade fixa).
  4. Percorrer a zona: segue-se a linha de costa, bordas de pedra, frentes de água ou sinais de vida (aves a mergulhar, peixe a saltar à superfície).
  5. A picada: o carreto dispara com o travão a soltar linha. Abranda-se o barco, pega-se na cana e recupera-se o peixe, enquanto as outras linhas se recolhem para não se enrolarem.
  6. Pesca grossa: a luta pode ser longa; o pescador usa cinto ou cadeira de luta e o mestre manobra o barco para ajudar. Nos espadins é habitual a captura e libertação.

Material

  • Cana de corrico: curta e robusta, com passadores (anéis) reforçados ou com roldanas na pesca grossa.
  • Carreto de tambor rotativo com bom travão (o sistema que deixa sair linha quando o peixe puxa). Na pesca grossa usam-se carretos de grande capacidade.
  • Linha de nylon ou multifilamento e baixada (troço final) mais grossa, em fluorocarbono, nylon ou aço para peixes com dentes.
  • Amostras: peixes artificiais com ou sem pala, colheres, «polvos» de plástico (skirts) e amostras de cabeça pesada para a pesca grossa.
  • Acessórios: porta-canas, tangones, chumbadas de corrico ou downrigger, destorcedores (peças que evitam que a linha torça), bicheiro e alicate.
  • Sonda e GPS para encontrar relevos, temperatura da água e cardumes.

Iscos e amostras

Usa-se sobretudo isco artificial (amostras). Também se faz corrico com peixe inteiro morto ou vivo, por exemplo cavala, lula ou carapau, rebocado muito devagar. Na pesca grossa usam-se tanto amostras como isco natural, conforme a espécie e o operador.

Quando resulta melhor

Mar relativamente calmo, para o barco andar a velocidade constante e as amostras trabalharem bem. O início da manhã e o fim da tarde são normalmente bons para o corrico costeiro.

Os peixes pelágicos (de águas abertas) seguem a temperatura da água e o alimento. Nos meses mais quentes aparecem mais perto da costa. Na Madeira, um estudo sobre capturas de espadim-azul encontrou maiores taxas de captura em junho e julho, ligadas à subida da temperatura da água. Nos Açores, a pesca grossa concentra-se no verão e no início do outono.

Onde se pratica

No continente, faz-se corrico ao longo de toda a costa, sobretudo junto a pontas rochosas, bordas de pedra e saídas de estuários, sempre fora dos canais de navegação.

A pesca grossa tem nos Açores (em especial o triângulo Faial, Pico e São Jorge, com a Horta como porto de referência) e na Madeira (Funchal e Calheta) os destinos portugueses mais conhecidos. Também há saídas de pesca grossa no Algarve.

Diferenças para outras técnicas

Corrico vs. jigging: no corrico o barco está em andamento e reboca a amostra quase na horizontal, à superfície ou a pouca profundidade; serve para procurar peixe que se desloca (pelágicos). No jigging o barco está parado ou à deriva e o jig trabalha-se na vertical, junto ao fundo, sobre um ponto onde o peixe já está.

Corrico vs. spinning: no spinning lança-se a amostra e é o pescador que a recolhe com o carreto; no corrico é o movimento do barco que faz a amostra trabalhar e o pescador espera a picada com a cana no porta-canas.

Corrico costeiro vs. pesca grossa: a técnica é a mesma, mas a escala muda: na pesca grossa o material é muito mais pesado, as saídas são ao largo, as espécies podem pesar centenas de quilos e é quase sempre feita com empresas especializadas.

Corrico de barco vs. corrico de terra: a lei também chama corrico ao aparelho lançado da costa e recolhido devagar. De terra, a amostra só cobre a distância do lançamento; de barco, cobrem-se quilómetros.

Corrico vs. pesca ao fundo de barco: na pesca ao fundo o barco está fundeado ou à deriva, com isco parado junto ao fundo; no corrico o isco ou a amostra andam sempre.

Dicas

  • Varia a distância e a profundidade das amostras até descobrires onde está o peixe.
  • Faz curvas suaves: na curva, as amostras do lado de dentro abrandam e as de fora aceleram, o que muitas vezes provoca picadas.
  • Ajusta o travão do carreto antes de começar; uma picada forte com o travão demasiado apertado parte a linha.
  • Aves a mergulhar e peixe miúdo a saltar à superfície indicam predadores por perto; corrica pela borda do cardume, sem passar por cima.
  • Na pesca grossa, se o objetivo é libertar o espadim, reduz o tempo de luta e mantém o peixe dentro de água.

Segurança

Colete de salvação ou auxiliar de flutuação individual obrigatório para todos a bordo durante a pesca lúdica. Com o barco em andamento e várias linhas na água, mantém a popa arrumada e longe de pés e mãos as linhas tensas. Os peixes grandes, sobretudo espadins, podem saltar e ferir quem está a bordo: deixa o manuseamento à tripulação experiente. Atenção ao tráfego de outras embarcações e à meteorologia ao largo.

Licença e regras

No continente, o corrico de barco exige licença de pesca lúdica embarcada (ou geral) da DGRM. A Portaria n.º 14/2014 inclui expressamente o corrico nas artes permitidas na pesca lúdica a partir de embarcação. Só se podem usar embarcações registadas no recreio ou na atividade marítimo-turística.

Regras gerais confirmadas:

  • Até três linhas ou canas por praticante e até nove anzóis no total; cada linha de corrico pode ter até três anzóis ou amostras (com fateixas).
  • Proibido pescar de barco nos canais de navegação das barras e embocaduras, nos canais de acesso aos portos e em canais balizados.
  • Distância mínima de 50 m a outras embarcações, artes caladas, bóias de sinalização de pesca submarina e barcos com bandeira Alfa.
  • O atum-rabilho está na lista de espécies de captura proibida na pesca lúdica, com uma exceção limitada para a pesca turística previamente autorizada pela DGRM.
  • Desde janeiro de 2026 é obrigatório comunicar na aplicação RecFishing as capturas de atum-rabilho, espadim-azul, espadim-branco, espadim-peto e robalo legítimo.
  • Nas áreas marinhas protegidas aplicam-se os dias e restrições próprios (ver FAQ da DGRM).

A pesca grossa nos Açores e na Madeira segue a legislação regional (nos Açores, Decreto Legislativo Regional n.º 9/2007/A; na Madeira, Decreto Legislativo Regional n.º 19/2016/M), com licenças emitidas pelos serviços regionais. Em geral faz-se com empresas marítimo-turísticas.

Curiosidades

  • A Madeira recebe uma etapa da Blue Marlin World Cup e as tripulações madeirenses já a venceram várias vezes.
  • Um estudo científico sobre as capturas de espadim-azul na Madeira concluiu que a mortalidade é baixa graças à prática de captura e libertação, e que os registos de captura servem para acompanhar a população.
  • A palavra «corrico» é usada tanto para a técnica como para o próprio aparelho rebocado.

Onde se pratica em Portugal

Zonas onde a técnica é comum, com exemplos de locais públicos. Confirme sempre as regras locais e as zonas interditas.

Costa e ilhas

  • Açores

    Triângulo Faial, Pico e São Jorge; porto da Horta (Faial). Outras ilhas também servem de ponto de partida.

    Espadim-azul, espadim-branco, doirado e atuns. Legislação e licença regionais.

  • Madeira e Porto Santo

    Saídas a partir do Funchal e da Calheta, na costa sul

    Espadim-azul como espécie principal; captura e libertação habitual.

  • Barlavento algarvio

    Saídas de barco a partir de Lagos, Portimão e Sagres

    Corrico costeiro e saídas de pesca grossa anunciadas por empresas marítimo-turísticas.

  • Sotavento algarvio

    Saídas a partir de Tavira, Olhão e Vilamoura

    Fora das barras e canais da Ria Formosa.

  • Lisboa e Setúbal

    Costa entre Cascais e o Cabo Espichel e baía de Sesimbra, fora das zonas protegidas da Arrábida

    Corrico costeiro a pelágicos.

Galeria

  • Canas de corrico na popa de um barco, com carretos de pesca grossa
    Canas de corrico na popa de um barco, com carretos de pesca grossa · Johnmartindavies (CC BY-SA 3.0) · Wikimedia Commons
  • Espadim-raiado (marlin) junto ao barco, preso à linha
    Espadim-raiado (marlin) junto ao barco, preso à linha · Jackiemora01 (CC BY-SA 3.0) · Wikimedia Commons

Outras técnicas

Material, iscos, nós e montagens: corrico

Ver tudo em Material e iscos →

Referências

  1. Portaria n.º 14/2014, de 23 de janeiro · Diário da República (Definição legal de corripo ou corrico e artes permitidas)
  2. FAQ Pesca Lúdica 2026 · DGRM (Licença embarcada, espécies proibidas, atum-rabilho, RecFishing, distâncias)
  3. Big Game Fishing · Visit Azores (Espécies e ilhas da pesca grossa nos Açores)
  4. Analysis of Big Game Fishing Catches of Blue Marlin (Makaira nigricans) in the Madeira Archipelago (Eastern Atlantic) and Factors that Affect Its Presence · Sustainability (MDPI), Martinez-Escauriaza et al., 2021 (Pesca grossa na Madeira, sazonalidade, captura e libertação)
  5. Big game fishing Madeira · Madeira Web (Blue Marlin World Cup na Madeira (pista))
  6. Decreto Legislativo Regional n.º 9/2007/A · Diário da República (Regime da pesca lúdica nos Açores)
  7. Decreto Legislativo Regional n.º 19/2016/M · Diário da República (Regime da pesca lúdica na Madeira)
  8. Equipa tavirense sagra-se campeã mundial em pesca grossa · Postal do Algarve (Prática de pesca grossa no Algarve (pista))

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