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Pescar

Atualizado a

Cyprinidae · Água doce

Barbo-de-cabeça-pequena

Luciobarbus microcephalus

Barbo endémico da bacia do Guadiana, de cabeça proporcionalmente pequena e raio dorsal fortemente serrilhado. Classificado como Vulnerável no Livro Vermelho de 2023, deve ser pescado com cuidado e devolvido à água em boas condições.

Barbo-de-cabeça-pequena
Foto: Aleuze · Public domain · Wikimedia Commons
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Antes de levar

Tamanho mínimo

Não definido

Captura

Pode ser capturada

Registo de capturas

Não exigido

Conservação (IUCN)

Quase ameaçada (NT)

A lei em vigor prevalece sobre esta ficha. Confirme sempre as regras locais (editais da capitania, zonas protegidas, regulamentos de cada rio).

Onde encontrar em Portugal

Rios e albufeiras

  • rio Guadiana e afluentes de maior caudal; albufeiras da bacia

    única bacia onde ocorre; em rarefação nas áreas afetadas pela albufeira de Alqueva

Indicativo: a abundância varia com a época, a água e o ano. As localizações exatas dos pesqueiros nunca são mostradas aqui.

Como identificar

Barbo de corpo robusto, com cabeça proporcionalmente pequena e convexa (cerca de um quarto do comprimento do corpo) e focinho curto. Dois pares de barbilhos e lábio inferior fino, sem lóbulo central.

A dorsal é curta e tem o bordo posterior bem côncavo; o último raio simples é comprido, grosso, ossificado e fortemente serrilhado em quase todo o comprimento, com dentículos que se mantêm nos adultos. Dorso esverdeado ou bronzeado, flancos dourados e ventre claro.

Confusões frequentes

No Guadiana convive com o barbo-do-sul (L. sclateri), o cumba (L. comizo, de cabeça muito comprida e focinho côncavo) e o barbo-de-Steindachner. A cabeça pequena e o raio dorsal muito serrilhado são as melhores pistas, mas a distinção no terreno é difícil e há híbridos.

Do barbo-comum (L. bocagei), que não ocorre no Guadiana, separa-se pelo serrilhado muito mais extenso. Da carpa distingue-se pela dorsal curta.

Onde vive

Endémico da Península Ibérica, restrito à bacia do Guadiana em Portugal e Espanha. Em Portugal ocorre no Guadiana e afluentes, com cerca de dez localizações conhecidas.

Prefere rios grandes e profundos, de corrente lenta, água bem oxigenada e vegetação aquática, e também aparece em albufeiras. Desova em zonas de corrente forte e fundo grosseiro. É afetado pela degradação da qualidade da água, pelas barragens sem passagem para peixes (Alqueva, Odeleite, Caia), pela captação de água e por espécies exóticas.

Comportamento e época

Detritívoro e bentónico: come algas, larvas de dípteros e tricópteros, ninfas de efemerópteros e sedimento; com o crescimento aumenta a proporção de algas e de larvas de tricópteros.

Desova entre abril e junho, depois de migrar para troços pouco profundos com corrente e cascalho; os machos ganham tubérculos nupciais. Depois regressa às zonas fundas, onde se concentra no verão, evitando ribeiras que secam em pegos.

Como pescar

Técnicas semelhantes às dos outros barbos: ao fundo, com feeder ou chumbada corrida, e à bóia. Também responde a pequenas amostras em spinning.

Dada a sua situação de conservação, privilegie a captura e solta: linha adequada para não prolongar a luta, anzol sem barbela, mínimo tempo fora de água e foto rápida. A pesca em águas interiores exige licença do ICNF, e cada zona pode ter regras próprias.

Iscos e amostras

Minhoca, milho, pão, massa e asticot. Engodos simples de pão e milho moído chegam para fixar os peixes no pesqueiro.

Na cozinha

Não se recomenda o consumo, dada a situação de conservação da espécie. As ovas dos barbos estão associadas a intoxicações e não devem ser comidas.

Curiosidades

  • O nome microcephalus significa «cabeça pequena» e foi dado pelo ictiólogo português Carlos Almaça, que descreveu a espécie em 1967.
  • Foi durante décadas classificado no género Barbus; passou a Luciobarbus em 2007.
  • É dos poucos barbos ibéricos em que os dentículos do raio dorsal se mantêm fortes nos adultos.
  • A sua categoria passou de Quase Ameaçado (2005) para Vulnerável (2023), numa mudança considerada genuína, devida ao declínio do habitat.
  • Apesar do estatuto, tem interesse para a pesca lúdica, desportiva e profissional no Guadiana.

Conservação

Vulnerável (VU) no Livro Vermelho dos Peixes de Portugal (2023), também VU a nível global e em Espanha; está protegido pelo Anexo V da Diretiva Habitats e pelo Anexo III da Convenção de Berna. As ameaças incluem extração de inertes, poluição agrícola, industrial e doméstica, barragens sem passagem para peixes, regularização e captação de água, espécies exóticas (chanchito, perca-sol) e as secas agravadas pelas alterações climáticas. Boas práticas: devolver sempre o peixe, evitar pescar sobre zonas de desova na primavera, não manter peixes em mangas e nunca transportar peixes de outras bacias.

Vivem nas mesmas águas

Espécies que se encontram nas mesmas zonas e habitats do barbo-de-cabeça-pequena.

Iscos, amostras e montagens para barbo-de-cabeça-pequena

Referências

  1. Livro Vermelho dos Peixes Dulciaquícolas e Diádromos de Portugal Continental (2023) · Magalhães et al. / FCiências.ID e ICNF (categoria VU (2023), distribuição só no Guadiana, habitat, pressões, enquadramento legal)
  2. Barbo cabecicorto – Luciobarbus microcephalus · Enciclopedia Virtual de los Vertebrados Españoles (MNCN-CSIC) (serrilhado do raio dorsal, desova abril–junho, dieta, habitat, tamanho máximo 59 cm)
  3. Species summary – Barbus microcephalus · UICN Centro de Cooperação do Mediterrâneo (distribuição no Guadiana, habitat em troços médios e baixos e albufeiras)
  4. FishBase – Luciobarbus microcephalus (factos verificados: tamanhos, distribuição) · FishBase (raio dorsal serrilhado em quase todo o comprimento, cabeça 22–27% do comprimento)