Atualizado a
Percidae · Água doce
Lucioperca
Sander lucioperca
Nome oficialLúcio-perca
Percídeo predador de origem centro-europeia, chegado a Portugal em 1997 e hoje presente em várias grandes albufeiras e rios. Caça em cardume junto ao fundo, sobretudo com pouca luz.

Antes de levar
Tamanho mínimo
Não definido
Captura
Pode ser capturada
Registo de capturas
Não exigido
Conservação (IUCN)
Pouco preocupante (LC)
A lei em vigor prevalece sobre esta ficha. Confirme sempre as regras locais (editais da capitania, zonas protegidas, regulamentos de cada rio).
Onde encontrar em Portugal
Rios e albufeiras
- Bacia do GuadianaComum
albufeiras de Alqueva e Pedrógão, Guadiana entre Pedrógão e Mértola, Xévora, ribeira do Vascão
em forte expansão; primeiro registo em Alqueva em 2008
- Bacias do Cávado e AveOcasional
albufeira do Ermal (rio Ave)
primeiro registo nacional (1997), bacia do Ave sem chave própria
Indicativo: a abundância varia com a época, a água e o ano. As localizações exatas dos pesqueiros nunca são mostradas aqui.
Como identificar
Corpo alongado e fusiforme, com duas barbatanas dorsais separadas, a primeira com espinhos fortes e a segunda com raios moles. Boca grande com dentes caninos bem visíveis.
Dorso cinzento-esverdeado, flancos prateados com barras escuras verticais difusas, dorsais com fiadas de pintas escuras e olhos grandes e vítreos, adaptados a pouca luz.
Confusões frequentes
Pode ser confundida com o lúcio, que tem uma só dorsal muito recuada e focinho em bico de pato. O achigã tem as duas dorsais unidas, boca muito larga sem caninos e uma faixa escura longitudinal no flanco.
Onde vive
Espécie introduzida, nativa da Europa Central e de Leste. Foi introduzida em Espanha nos anos 70 para a pesca desportiva; em Portugal foi registada pela primeira vez em 1997, na albufeira do Ermal (bacia do Ave), e em cerca de uma década espalhou-se pelo continente, chegando ao Guadiana por volta de 2005. Está presente sobretudo nas bacias do Tejo e do Guadiana (Alqueva, Pedrógão, Guadiana entre Pedrógão e Mértola, troços baixos do Xévora e da ribeira do Vascão) e em albufeiras do norte.
Prefere águas amplas, algo turvas e profundas, com fundos duros, tanto em albufeiras como em troços de rio de corrente fraca. Sendo um predador eficiente, pode afetar as populações de ciprinídeos nativos; consulte as regras do ICNF sobre espécies exóticas.
Comportamento e época
Piscívora em adulta: os alevins comem zooplâncton, os juvenis invertebrados e os adultos sobretudo peixes. Em Portugal a dieta varia com a região: no norte dominam rutilos, achigãs juvenis e larvas de mosquito; noutras zonas alburnos, lagostim-vermelho e camarões de água doce. Há canibalismo. Caça sobretudo ao amanhecer, ao anoitecer, de noite ou em água turva.
Desova na primavera (março a maio), em ninhos limpos pelo macho em fundos duros, que este guarda com agressividade. Durante o dia tende a manter-se junto ao fundo, em rampas, pedras e estruturas submersas.
Como pescar
Pesca-se em spinning, sobretudo com vinis em cabeçote (jig) trabalhados a saltar junto ao fundo, e com técnicas verticais a partir de barco. Também se apanha com peixe morto ou vivo ao fundo, onde permitido.
As melhores horas são o crepúsculo e a noite, e dias nublados ou com água tomada. Os toques são muitas vezes subtis: use linha multifilamento e ferre com firmeza. A pesca em águas interiores exige licença do ICNF, e cada zona pode ter regras próprias.
Iscos e amostras
Vinis tipo shad e minhoca de 7 a 12 cm, jigs, lâminas vibratórias, minnows de mergulho profundo e pequenos peixes como isco.
Na cozinha
Uma das melhores carnes de água doce: branca, firme e com poucas espinhas. Ótima em filetes grelhados ou fritos.
Curiosidades
- O primeiro registo em Portugal foi em 1997, na albufeira do Ermal, no Ave, longe da fronteira, o que aponta para introdução humana.
- Tem um ou dois dentes caninos aumentados na frente de cada maxila.
- O macho limpa e guarda o ninho até à eclosão dos ovos.
- No Guadiana passou a comer muito lagostim-vermelho-da-Luisiana, outra espécie invasora.
- O peso máximo publicado ronda os 20 kg e pode viver 17 anos.
Conservação
Em Portugal é exótica (Não Aplicável no Livro Vermelho de 2023; Pouco Preocupante a nível global) e consta da Lista Nacional de Espécies Invasoras. O Livro Vermelho aponta-a como pressão sobre peixes nativos ameaçados. Boas práticas: não transportar peixes vivos entre albufeiras nem usar iscos vivos de outras águas; sobre o destino a dar aos exemplares capturados, consulte as regras do ICNF sobre espécies exóticas.
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Referências
- Variation in diet patterns of the invasive top predator Sander lucioperca across Portuguese basins (Water, 2021) · Ribeiro, Gkenas, Gago & Ribeiro (primeiro registo (1997, Ermal, Ave), expansão até ao Guadiana em 2005, dieta em sete bacias, canibalismo)
- First record of pikeperch in the Alqueva reservoir (Limnetica 28(2), 2009) · Pérez-Bote & Roso-Romero (primeiro registo na albufeira de Alqueva (2008))
- Ictiofauna dulçaquícola exótica da fração portuguesa da bacia do Guadiana · LPN – projeto LIFE Saramugo (introdução em Espanha nos anos 70, locais no Guadiana, dieta com lagostim)
- Livro Vermelho dos Peixes Dulciaquícolas e Diádromos de Portugal Continental (2023) · Magalhães et al. / FCiências.ID e ICNF (espécie exótica nova face a 2005; pressão sobre nativas)
- Lista Nacional de Espécies Invasoras (Anexo II do Decreto-Lei n.º 92/2019) · ICNF (inclusão na Lista Nacional de Espécies Invasoras)
- FishBase – Sander lucioperca (factos verificados: tamanhos, distribuição) · FishBase (tamanho 100 cm, peso 20 kg, idade 17 anos, caninos)
- Denominações comerciais autorizadas em Portugal (Anexo I da Portaria 587/2006, consolidado a 27/04/2021) · DGRM (nome oficial e denominações autorizadas)

