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Pescar

Atualizado a

Percidae · Água doce

Lucioperca

Sander lucioperca

Nome oficialLúcio-perca

Percídeo predador de origem centro-europeia, chegado a Portugal em 1997 e hoje presente em várias grandes albufeiras e rios. Caça em cardume junto ao fundo, sobretudo com pouca luz.

Lucioperca
Foto: eLNuko · Public domain · Wikimedia Commons
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Antes de levar

Tamanho mínimo

Não definido

Captura

Pode ser capturada

Registo de capturas

Não exigido

Conservação (IUCN)

Pouco preocupante (LC)

A lei em vigor prevalece sobre esta ficha. Confirme sempre as regras locais (editais da capitania, zonas protegidas, regulamentos de cada rio).

Onde encontrar em Portugal

Rios e albufeiras

  • albufeiras de Alqueva e Pedrógão, Guadiana entre Pedrógão e Mértola, Xévora, ribeira do Vascão

    em forte expansão; primeiro registo em Alqueva em 2008

  • Bacia do TejoFrequente

    Tejo e albufeiras da bacia

    estudada a dieta no Tejo (Ribeiro et al. 2020)

  • albufeira do Ermal (rio Ave)

    primeiro registo nacional (1997), bacia do Ave sem chave própria

Indicativo: a abundância varia com a época, a água e o ano. As localizações exatas dos pesqueiros nunca são mostradas aqui.

Como identificar

Corpo alongado e fusiforme, com duas barbatanas dorsais separadas, a primeira com espinhos fortes e a segunda com raios moles. Boca grande com dentes caninos bem visíveis.

Dorso cinzento-esverdeado, flancos prateados com barras escuras verticais difusas, dorsais com fiadas de pintas escuras e olhos grandes e vítreos, adaptados a pouca luz.

Confusões frequentes

Pode ser confundida com o lúcio, que tem uma só dorsal muito recuada e focinho em bico de pato. O achigã tem as duas dorsais unidas, boca muito larga sem caninos e uma faixa escura longitudinal no flanco.

Onde vive

Espécie introduzida, nativa da Europa Central e de Leste. Foi introduzida em Espanha nos anos 70 para a pesca desportiva; em Portugal foi registada pela primeira vez em 1997, na albufeira do Ermal (bacia do Ave), e em cerca de uma década espalhou-se pelo continente, chegando ao Guadiana por volta de 2005. Está presente sobretudo nas bacias do Tejo e do Guadiana (Alqueva, Pedrógão, Guadiana entre Pedrógão e Mértola, troços baixos do Xévora e da ribeira do Vascão) e em albufeiras do norte.

Prefere águas amplas, algo turvas e profundas, com fundos duros, tanto em albufeiras como em troços de rio de corrente fraca. Sendo um predador eficiente, pode afetar as populações de ciprinídeos nativos; consulte as regras do ICNF sobre espécies exóticas.

Comportamento e época

Piscívora em adulta: os alevins comem zooplâncton, os juvenis invertebrados e os adultos sobretudo peixes. Em Portugal a dieta varia com a região: no norte dominam rutilos, achigãs juvenis e larvas de mosquito; noutras zonas alburnos, lagostim-vermelho e camarões de água doce. Há canibalismo. Caça sobretudo ao amanhecer, ao anoitecer, de noite ou em água turva.

Desova na primavera (março a maio), em ninhos limpos pelo macho em fundos duros, que este guarda com agressividade. Durante o dia tende a manter-se junto ao fundo, em rampas, pedras e estruturas submersas.

Como pescar

Pesca-se em spinning, sobretudo com vinis em cabeçote (jig) trabalhados a saltar junto ao fundo, e com técnicas verticais a partir de barco. Também se apanha com peixe morto ou vivo ao fundo, onde permitido.

As melhores horas são o crepúsculo e a noite, e dias nublados ou com água tomada. Os toques são muitas vezes subtis: use linha multifilamento e ferre com firmeza. A pesca em águas interiores exige licença do ICNF, e cada zona pode ter regras próprias.

Iscos e amostras

Vinis tipo shad e minhoca de 7 a 12 cm, jigs, lâminas vibratórias, minnows de mergulho profundo e pequenos peixes como isco.

Na cozinha

Uma das melhores carnes de água doce: branca, firme e com poucas espinhas. Ótima em filetes grelhados ou fritos.

Curiosidades

  • O primeiro registo em Portugal foi em 1997, na albufeira do Ermal, no Ave, longe da fronteira, o que aponta para introdução humana.
  • Tem um ou dois dentes caninos aumentados na frente de cada maxila.
  • O macho limpa e guarda o ninho até à eclosão dos ovos.
  • No Guadiana passou a comer muito lagostim-vermelho-da-Luisiana, outra espécie invasora.
  • O peso máximo publicado ronda os 20 kg e pode viver 17 anos.

Conservação

Em Portugal é exótica (Não Aplicável no Livro Vermelho de 2023; Pouco Preocupante a nível global) e consta da Lista Nacional de Espécies Invasoras. O Livro Vermelho aponta-a como pressão sobre peixes nativos ameaçados. Boas práticas: não transportar peixes vivos entre albufeiras nem usar iscos vivos de outras águas; sobre o destino a dar aos exemplares capturados, consulte as regras do ICNF sobre espécies exóticas.

Galeria

  • Lucioperca
    MAKY.OREL (CC0)
  • Lucioperca
    Emőke Dénes (CC BY-SA 4.0)

Vivem nas mesmas águas

Espécies que se encontram nas mesmas zonas e habitats do lucioperca.

Iscos, amostras e montagens para lucioperca

Notícias, artigos e eventos: lucioperca

Referências

  1. Variation in diet patterns of the invasive top predator Sander lucioperca across Portuguese basins (Water, 2021) · Ribeiro, Gkenas, Gago & Ribeiro (primeiro registo (1997, Ermal, Ave), expansão até ao Guadiana em 2005, dieta em sete bacias, canibalismo)
  2. First record of pikeperch in the Alqueva reservoir (Limnetica 28(2), 2009) · Pérez-Bote & Roso-Romero (primeiro registo na albufeira de Alqueva (2008))
  3. Ictiofauna dulçaquícola exótica da fração portuguesa da bacia do Guadiana · LPN – projeto LIFE Saramugo (introdução em Espanha nos anos 70, locais no Guadiana, dieta com lagostim)
  4. Livro Vermelho dos Peixes Dulciaquícolas e Diádromos de Portugal Continental (2023) · Magalhães et al. / FCiências.ID e ICNF (espécie exótica nova face a 2005; pressão sobre nativas)
  5. Lista Nacional de Espécies Invasoras (Anexo II do Decreto-Lei n.º 92/2019) · ICNF (inclusão na Lista Nacional de Espécies Invasoras)
  6. FishBase – Sander lucioperca (factos verificados: tamanhos, distribuição) · FishBase (tamanho 100 cm, peso 20 kg, idade 17 anos, caninos)
  7. Denominações comerciais autorizadas em Portugal (Anexo I da Portaria 587/2006, consolidado a 27/04/2021) · DGRM (nome oficial e denominações autorizadas)