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Pescar

Atualizado a

Sparidae · Mar

Goraz

Pagellus bogaraveo

Esparídeo de olhos grandes e mancha negra no início da linha lateral, típico de águas fundas. Muito procurado nos Açores, onde também se chama carapau ou peixão; os juvenis aparecem perto da costa.

Também conhecido como

  • besugo
  • carapau · Açores
  • peixão · Açores
Goraz
Foto: Isabelle Cheret, null · CC BY 4.0 · Wikimedia Commons
—

Antes de levar

Tamanho mínimo

33 cm

Captura

Pode ser capturada

Registo de capturas

Não exigido

Conservação (IUCN)

Quase ameaçada (NT)

Fonte: DGRM, Tabela de Tamanhos Mínimos de Captura (26/02/2026): Portaria n.º 255/2022, Regulamento (UE) 2019/1241 e Regulamento (UE) 2026/249. A lei em vigor prevalece sobre esta ficha. Confirme sempre as regras locais (editais da capitania, zonas protegidas, regulamentos de cada rio).

Onde encontrar em Portugal

Costa do continente

  • Sagres, Portimão

    abundância relativa estimada

  • Sesimbra

    abundância relativa estimada

  • Costa NorteOcasional

    Esposende, Póvoa de Varzim

    espécie explorada na área do Parque Natural do Litoral Norte; juvenis perto da costa

  • Costa OesteOcasional

    Peniche, Nazaré

    abundância relativa estimada; adultos raros após o colapso da pescaria continental

Ilhas

  • AçoresComum

    bancos e montes submarinos em torno das ilhas; Faial, Pico, São Miguel

    principal zona de pesca de adultos em Portugal

  • Madeira e Porto Santo

    presença confirmada com exemplares em coleção

Indicativo: a abundância varia com a época, a água e o ano. As localizações exatas dos pesqueiros nunca são mostradas aqui.

Como identificar

Corpo oval, de cor cinzento-rosada no dorso e prateada nos flancos, com barbatanas avermelhadas. Destaca-se pelo olho muito grande (o focinho é mais curto do que o diâmetro do olho) e por uma mancha negra bem visível no início da linha lateral, logo atrás da cabeça.

Focinho curto e arredondado. A boca e o interior das guelras têm tons alaranjados. Nos juvenis a mancha pode ser pouco nítida.

Confusões frequentes

Confunde-se com a bica (Pagellus erythrinus), que não tem a mancha no início da linha lateral, tem olho menor, cabeça muito pontiaguda e bordo do opérculo vermelho, e com o besugo (Pagellus acarne), cuja mancha é vermelha escura e fica na base da barbatana peitoral, e cujo focinho é mais comprido do que o olho.

Atenção aos nomes: nos Açores «carapau» designa o goraz, enquanto no continente é o nome do Trachurus trachurus.

Onde vive

Os juvenis vivem perto da costa, em fundos mistos e pouco profundos. Os adultos descem para o talude e para montes submarinos, sobre rocha, cascalho e lodo, geralmente entre os 150 e os 500 metros e, no Atlântico, até cerca de 700 metros.

Existe em todo o continente, na Madeira e nos Açores. A pesca de adultos tem hoje mais expressão nos Açores; no continente a pescaria dirigida entrou em colapso há décadas.

Comportamento e época

Alimenta-se de crustáceos, moluscos, vermes e pequenos peixes, subindo na coluna de água durante a noite. É hermafrodita protândrico: a maioria começa como macho e passa a fêmea, em geral entre os 20 e os 30 cm.

Cresce devagar (vive pelo menos 15 anos) e as populações são sensíveis à sobrepesca, sobretudo quando se capturam muitos juvenis junto à costa.

Como pescar

Pesca-se embarcado, ao fundo, em pesqueiros fundos, com linha de mão ou cana robusta, carreto com bastante linha (de preferência multifilamento) e chumbadas pesadas. Montagens com vários estralhos e anzóis médios.

O slow jigging em águas fundas tem dado bons resultados. Os juvenis apanham-se em profundidades moderadas com material mais leve. Escolha dias de mar calmo e pouca corrente; a segurança a bordo é essencial em saídas para o largo.

Iscos e amostras

Lula e choco em tiras, sardinha, cavala e camarão. Iscar com pedaços firmes que resistam à descida.

Em amostra, jigs de slow jigging e inchiku, idealmente com cores luminescentes para profundidade.

Na cozinha

Um dos peixes mais valorizados nos Açores. Muito bom grelhado, assado no forno ou cozido.

Curiosidades

  • Faz o percurso inverso da bica: começa a vida como macho e torna-se fêmea quando cresce.
  • Nos Açores a legislação de denominações comerciais aceita os nomes «carapau» e «peixão» para esta espécie.
  • É uma das espécies demersais mais importantes, económica e ecologicamente, no arquipélago dos Açores, onde é estudado há décadas pela Universidade dos Açores.
  • A pescaria no continente colapsou, o que fez aumentar a procura sobre o goraz açoriano.
  • No passado teve muitos nomes populares em Portugal, como olhos-moles, goraz-de-pinta, pachel ou besugo, este hoje reservado oficialmente ao Pagellus acarne.
  • O peso máximo publicado é de cerca de 4 kg.

Conservação

Classificado como Quase Ameaçado (NT) na Lista Vermelha global da IUCN (2009) e também a nível europeu, com tendência populacional decrescente. Em Portugal não há ainda avaliação nacional publicada (Livro Vermelho dos Peixes Marinhos em preparação). Ameaças: sobrepesca de adultos em montes submarinos e captura de juvenis junto à costa. Boas práticas: devolver juvenis vivos, evitar longas permanências em pesqueiros fundos onde a libertação já não é viável e levar só o necessário.

Galeria

  • Goraz
    Isabelle Cheret (CC BY 4.0)
  • Goraz
    Duméril, Auguste Henri André; La Blanchère, Henri de; Mesnel, A. (Public domain)

Vivem nas mesmas águas

Espécies que se encontram nas mesmas zonas e habitats do goraz.

Iscos, amostras e montagens para goraz

Referências

  1. Besugo ou Goraz? (ficha de identificação, fev. 2017) · IPMA – Programa Nacional de Amostragem Biológica (identificação de besugo, goraz e bica)
  2. Lista das Denominações Comerciais Autorizadas em Portugal (Anexo I, atualização de 9 set. 2026) · DGRM – Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (denominações comerciais oficiais)
  3. Portaria n.º 587/2006 (Anexos I e II – denominações comerciais, incl. Açores e Madeira) · Diário da República / DGRM (nomes oficiais regionais nos Açores e na Madeira)
  4. Portaria regional sobre pesca lúdica nos Açores (2016) · Governo Regional dos Açores – Jornal Oficial (nomes «goraz / peixão / carapau» usados nos Açores)
  5. Ichthyofauna of Portugal: taxonomic diversity, common and scientific names of marine fishes, Vol. I (Carneiro, Martins, Reiner & Batista, 2019) · IPMA (nomes vulgares registados em Portugal e ocorrência no continente, Açores e Madeira)
  6. Updated checklist of marine fishes (Chordata: Craniata) from Portugal (Carneiro et al., 2014, European Journal of Taxonomy 73) · European Journal of Taxonomy (ocorrência por região (continente, Açores, Madeira) e nomes locais por região)
  7. Blackspot seabream in the Azores (resumo, conferência ASFB 2016) · Universidade dos Açores (importância nos Açores e colapso da pescaria no continente)
  8. Commercially exploited species in PNLN (Parque Natural do Litoral Norte) · OMARE – Observatório Marinho de Esposende (presença na costa norte (Esposende))
  9. FishBase – Pagellus bogaraveo (dados factuais) · FishBase (tamanhos máximos e comuns, profundidade, longevidade, estatuto IUCN (factos verificados))
  10. Denominações comerciais autorizadas em Portugal (Anexo I da Portaria 587/2006, consolidado a 27/04/2021) · DGRM (nome oficial e denominações autorizadas)