Atualizado a
Linha de mão
Também conhecida como pesca à linha de mão, pesca à mão, linha, aparelho de mão
A forma mais antiga e simples de pescar: uma linha com chumbada e anzóis, segurada e trabalhada diretamente com a mão, sem cana. Pratica-se de barco ou de cais e molhes, sobretudo ao fundo.
Onde se usa
Mar abertoRecifePorto e marinaMolhe e caisRochaEstuário

O que é
Na pesca à linha de mão não há cana nem carreto. A linha está enrolada num carrinho, numa tábua ou numa simples bobina, e o pescador segura-a nos dedos. Na ponta leva uma chumbada (peso de chumbo que leva a linha ao fundo) e um ou mais estralhos (pequenos troços de linha com um anzol cada).
É uma pesca muito sensível: como a linha passa diretamente pelos dedos, sente-se o menor toque do peixe. É também a base de muitas artes tradicionais da pequena pesca portuguesa, que o IPMA descreve como seletivas e ligadas a comunidades piscatórias do litoral.
Na lei portuguesa, as canas de pesca e as toneiras são consideradas «linhas de mão», e a pesca lúdica permite até três linhas por praticante.
Como se faz
- Montar o aparelho: ata a chumbada na ponta da linha e, acima dela, um a três estralhos com anzóis, afastados entre si para não se enrolarem.
- Iscar: coloca o isco no anzol, tapando a ponta só o necessário.
- Descer a linha: deixa-a correr entre os dedos até a chumbada tocar no fundo. Recolhe um pouco para a chumbada ficar logo acima.
- Sentir a picada: segura a linha entre o polegar e o indicador, com uma ligeira tensão. Pequenos toques são o peixe a provar o isco.
- Ferrar: quando o toque se torna firme, puxa a linha com um movimento curto e decidido.
- Recolher: puxa a linha mão sobre mão, deixando-a cair arrumada num balde ou no fundo do barco, sem a deixar afrouxar.
Material
- Linha de nylon, mais grossa do que a usada em cana, porque se manuseia diretamente com as mãos.
- Carrinho, tábua ou bobina para enrolar a linha.
- Chumbadas de vários pesos, conforme a profundidade e a corrente.
- Anzóis de tamanhos adequados à espécie e destorcedores (peças que impedem a linha de torcer).
- Luvas finas ou dedeiras para proteger os dedos ao puxar peixe grande.
- Balde para a linha, faca, alicate e caixa para o isco.
Iscos e amostras
Usa-se sobretudo isco natural: lula, sardinha, cavala, camarão, caranguejo ou minhoca do mar (anelídeos). O isco deve estar fresco e bem preso ao anzol. A linha de mão também se usa com amostras simples, como penas ou pequenas colheres, para cavala e carapau.
Na pesca de barco pode usar-se engodo (comida lançada à água para atrair o peixe), desde que não sejam ovas de peixe nem substâncias tóxicas.
Quando resulta melhor
Funciona melhor com pouca corrente e vento fraco, para a linha descer na vertical e se sentirem as picadas. As mudanças de maré e as primeiras e últimas horas do dia costumam ser boas. Pode pescar-se todo o ano; as espécies mudam com a estação.
Onde se pratica
De barco, sobre fundos de pedra ou areia junto à costa, em baías, rias e estuários (fora dos canais de navegação). De terra, em cais, molhes e pontões onde a pesca é permitida, muitas vezes deixando a linha cair na vertical junto à estrutura. É uma pesca comum em todo o litoral do continente, nos Açores e na Madeira.
Diferenças para outras técnicas
Linha de mão vs. pesca ao fundo de barco com cana: o aparelho no fundo pode ser quase igual (chumbada, estralhos, isco natural). A diferença está em como se segura e trabalha a linha. Com linha de mão sente-se a picada diretamente nos dedos, o material é barato e ocupa pouco espaço, mas a recolha é manual e mais lenta a grande profundidade, e não há travão para cansar um peixe grande. Com cana e carreto recolhe-se mais depressa, o travão do carreto protege a linha numa luta forte e é mais fácil pescar fundo. Para a lei, ambas são «linhas»: contam para o limite de três por pescador.
Linha de mão vs. toneira: a toneira é uma linha de mão especial, sem isco e com coroa de anzóis sem barbela, para lulas e chocos. A linha de mão comum usa anzóis com isco para peixe.
Linha de mão vs. palangre (espinhel): o palangre é uma linha comprida com muitos anzóis, deixada calada (fixa) na água; é uma arte da pesca profissional e não é permitida na pesca lúdica. A linha de mão lúdica fica sempre na mão do pescador e não pode ter mais de três anzóis por linha.
Linha de mão vs. corrico: no corrico a linha é rebocada pelo barco em movimento; na linha de mão a linha está parada ou quase, junto ao fundo.
Dicas
- Enrola sempre a linha arrumada: uma linha embaraçada é o maior inimigo desta pesca.
- Mantém um dedo a sentir a linha: o toque do peixe costuma ser mais claro do que numa cana.
- Usa a chumbada mais leve que chegue ao fundo; com chumbada pesada demais deixas de sentir as picadas.
- Com peixe grande, deixa a linha deslizar pelos dedos protegidos em vez de a prender com força.
- Ótima forma de ensinar crianças: é simples, barata e o contacto direto com o peixe é muito didático.
Segurança
A linha a correr pelos dedos pode cortar; usa luvas ou dedeiras quando há peixe grande ou linha fina. Nunca enroles a linha à volta da mão ou do pulso: um peixe forte ou um prender no fundo pode causar ferimentos graves. De barco, colete de salvação ou auxiliar de flutuação obrigatório para todos a bordo. De terra, cuidado com molhes molhados e com ondulação.
Licença e regras
A linha de mão é uma das artes permitidas na pesca lúdica no continente, apeada e embarcada. De terra basta a licença apeada; de barco é precisa a licença embarcada (ou geral), emitida pela DGRM. Menores de 16 anos acompanhados por um titular de licença estão dispensados.
Regras gerais confirmadas:
- Até três linhas ou canas por praticante e até nove anzóis no conjunto; cada linha pode ter até três anzóis.
- O aparelho de anzol não pode configurar uma arte de pesca profissional (por exemplo, a piteira para polvo nos moldes profissionais ou o palangre).
- Podem usar-se iscos e engodos, exceto ovas de peixe e substâncias tóxicas, venenosas ou explosivas.
- Luzes como chamariz não são permitidas com linha de mão de anzol (só com toneira).
- De terra, 5 m de distância a outros pescadores; de barco, 50 m a outras embarcações e artes caladas.
- Em alguns rios há limites mais apertados: por exemplo, no Cávado, Douro, Lima e Mondego, duas canas ou linhas; no Tejo e no Sado, duas linhas com o máximo de três anzóis.
Curiosidades
- Na lei, a cana de pesca é tecnicamente uma «linha de mão» manobrada com uma vara.
- A FAO publicou um manual de formação dedicado à pesca à linha de mão e de lulas, o que mostra a importância destas artes simples em pescas de pequena escala no mundo inteiro.
- Muitos dos nomes de aparelhos tradicionais portugueses variam de terra para terra; o IPMA dá exemplos como «aparelho do robalo» ou «aparelho fino» e «aparelho grosso».
Onde se pratica em Portugal
Zonas onde a técnica é comum, com exemplos de locais públicos. Confirme sempre as regras locais e as zonas interditas.
Costa e ilhas
- Lisboa e Setúbal
Baía de Sesimbra e costa próxima, fora das zonas protegidas da Arrábida
Forte tradição de pesca ao anzol em pequenas embarcações.
- Sotavento algarvio
Ria Formosa e costa entre Faro e Vila Real de Santo António
Fora dos canais de navegação e barras.
- Açores
Costa das várias ilhas, a partir de embarcações de recreio e em portos onde a pesca é permitida
Legislação e licença regionais.
Galeria

Pescador a lançar uma linha de mão à beira-mar · Peter van der Sluijs (CC BY-SA 3.0) · Wikimedia Commons
Outras técnicas
- Intermédio
Jigging
Pesca de barco com uma amostra metálica pesada (o «jig») que se deixa cair até ao fundo e se faz subir e descer na vertical, por baixo da embarcação, para provocar o ataque de predadores como o pargo, o safio ou o charuteiro.
- Intermédio
Corrico
Pesca com amostras ou isco rebocados por uma embarcação em andamento, à superfície ou a pouca profundidade. Vai desde o corrico costeiro à cavala e ao robalo até à pesca grossa de espadins e atuns nos Açores e na Madeira.
- Iniciação
Pesca com toneira
Pesca de lulas e chocos com a toneira, um isco artificial com lastro e uma coroa de anzóis sem barbela, trabalhada em sobe e desce de barco ou lançada de terra. Inclui o egging, a variante moderna de origem japonesa feita com cana leve.
- Avançado
Caça submarina
Pesca feita debaixo de água, em apneia (sem garrafa nem qualquer aparelho de respiração), com espingarda submarina. Exige licença própria, bóia de sinalização e só é permitida de dia.
Material, iscos, nós e montagens: linha de mão
Ver tudo em Material e iscos →Referências
- Decreto-Lei n.º 246/2000, de 29 de setembro (texto original) · Marinha / Diário da República (Artes permitidas; canas e toneiras como linhas de mão)
- Portaria n.º 14/2014, de 23 de janeiro · Diário da República (Artes permitidas, iscos e engodos, distâncias)
- FAQ Pesca Lúdica 2026 · DGRM (Limite de linhas e anzóis, regras dos rios, luzes, licenças)
- Artes de pesca artesanais em Portugal · IPMA (Rogélia Martins e Miguel Carneiro) (Pesca à linha com anzóis, estralho, palangres, designações locais)
- Handlining and squid jigging (FAO Training Series 23) · FAO, B. A. Bjarnason, 1992 (Manual técnico de pesca à linha de mão)
- Artes de Pesca (folheto) · Câmara Municipal de Sesimbra (Pesca tradicional ao anzol em Sesimbra)
Comentários
Seja cordial. Não partilhe a localização exata de pesqueiros de outras pessoas. Comentários ofensivos ou com pesca ilegal são removidos.
A carregar comentários…