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Pescar

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Linha de mão

Também conhecida como pesca à linha de mão, pesca à mão, linha, aparelho de mão

A forma mais antiga e simples de pescar: uma linha com chumbada e anzóis, segurada e trabalhada diretamente com a mão, sem cana. Pratica-se de barco ou de cais e molhes, sobretudo ao fundo.

Onde se usa

Mar abertoRecifePorto e marinaMolhe e caisRochaEstuário

Linha de mão
Foto: Fimb · CC BY 2.0 · Wikimedia Commons
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O que é

Na pesca à linha de mão não há cana nem carreto. A linha está enrolada num carrinho, numa tábua ou numa simples bobina, e o pescador segura-a nos dedos. Na ponta leva uma chumbada (peso de chumbo que leva a linha ao fundo) e um ou mais estralhos (pequenos troços de linha com um anzol cada).

É uma pesca muito sensível: como a linha passa diretamente pelos dedos, sente-se o menor toque do peixe. É também a base de muitas artes tradicionais da pequena pesca portuguesa, que o IPMA descreve como seletivas e ligadas a comunidades piscatórias do litoral.

Na lei portuguesa, as canas de pesca e as toneiras são consideradas «linhas de mão», e a pesca lúdica permite até três linhas por praticante.

Como se faz

  1. Montar o aparelho: ata a chumbada na ponta da linha e, acima dela, um a três estralhos com anzóis, afastados entre si para não se enrolarem.
  2. Iscar: coloca o isco no anzol, tapando a ponta só o necessário.
  3. Descer a linha: deixa-a correr entre os dedos até a chumbada tocar no fundo. Recolhe um pouco para a chumbada ficar logo acima.
  4. Sentir a picada: segura a linha entre o polegar e o indicador, com uma ligeira tensão. Pequenos toques são o peixe a provar o isco.
  5. Ferrar: quando o toque se torna firme, puxa a linha com um movimento curto e decidido.
  6. Recolher: puxa a linha mão sobre mão, deixando-a cair arrumada num balde ou no fundo do barco, sem a deixar afrouxar.

Material

  • Linha de nylon, mais grossa do que a usada em cana, porque se manuseia diretamente com as mãos.
  • Carrinho, tábua ou bobina para enrolar a linha.
  • Chumbadas de vários pesos, conforme a profundidade e a corrente.
  • Anzóis de tamanhos adequados à espécie e destorcedores (peças que impedem a linha de torcer).
  • Luvas finas ou dedeiras para proteger os dedos ao puxar peixe grande.
  • Balde para a linha, faca, alicate e caixa para o isco.

Iscos e amostras

Usa-se sobretudo isco natural: lula, sardinha, cavala, camarão, caranguejo ou minhoca do mar (anelídeos). O isco deve estar fresco e bem preso ao anzol. A linha de mão também se usa com amostras simples, como penas ou pequenas colheres, para cavala e carapau.

Na pesca de barco pode usar-se engodo (comida lançada à água para atrair o peixe), desde que não sejam ovas de peixe nem substâncias tóxicas.

Quando resulta melhor

Funciona melhor com pouca corrente e vento fraco, para a linha descer na vertical e se sentirem as picadas. As mudanças de maré e as primeiras e últimas horas do dia costumam ser boas. Pode pescar-se todo o ano; as espécies mudam com a estação.

Onde se pratica

De barco, sobre fundos de pedra ou areia junto à costa, em baías, rias e estuários (fora dos canais de navegação). De terra, em cais, molhes e pontões onde a pesca é permitida, muitas vezes deixando a linha cair na vertical junto à estrutura. É uma pesca comum em todo o litoral do continente, nos Açores e na Madeira.

Diferenças para outras técnicas

Linha de mão vs. pesca ao fundo de barco com cana: o aparelho no fundo pode ser quase igual (chumbada, estralhos, isco natural). A diferença está em como se segura e trabalha a linha. Com linha de mão sente-se a picada diretamente nos dedos, o material é barato e ocupa pouco espaço, mas a recolha é manual e mais lenta a grande profundidade, e não há travão para cansar um peixe grande. Com cana e carreto recolhe-se mais depressa, o travão do carreto protege a linha numa luta forte e é mais fácil pescar fundo. Para a lei, ambas são «linhas»: contam para o limite de três por pescador.

Linha de mão vs. toneira: a toneira é uma linha de mão especial, sem isco e com coroa de anzóis sem barbela, para lulas e chocos. A linha de mão comum usa anzóis com isco para peixe.

Linha de mão vs. palangre (espinhel): o palangre é uma linha comprida com muitos anzóis, deixada calada (fixa) na água; é uma arte da pesca profissional e não é permitida na pesca lúdica. A linha de mão lúdica fica sempre na mão do pescador e não pode ter mais de três anzóis por linha.

Linha de mão vs. corrico: no corrico a linha é rebocada pelo barco em movimento; na linha de mão a linha está parada ou quase, junto ao fundo.

Dicas

  • Enrola sempre a linha arrumada: uma linha embaraçada é o maior inimigo desta pesca.
  • Mantém um dedo a sentir a linha: o toque do peixe costuma ser mais claro do que numa cana.
  • Usa a chumbada mais leve que chegue ao fundo; com chumbada pesada demais deixas de sentir as picadas.
  • Com peixe grande, deixa a linha deslizar pelos dedos protegidos em vez de a prender com força.
  • Ótima forma de ensinar crianças: é simples, barata e o contacto direto com o peixe é muito didático.

Segurança

A linha a correr pelos dedos pode cortar; usa luvas ou dedeiras quando há peixe grande ou linha fina. Nunca enroles a linha à volta da mão ou do pulso: um peixe forte ou um prender no fundo pode causar ferimentos graves. De barco, colete de salvação ou auxiliar de flutuação obrigatório para todos a bordo. De terra, cuidado com molhes molhados e com ondulação.

Licença e regras

A linha de mão é uma das artes permitidas na pesca lúdica no continente, apeada e embarcada. De terra basta a licença apeada; de barco é precisa a licença embarcada (ou geral), emitida pela DGRM. Menores de 16 anos acompanhados por um titular de licença estão dispensados.

Regras gerais confirmadas:

  • Até três linhas ou canas por praticante e até nove anzóis no conjunto; cada linha pode ter até três anzóis.
  • O aparelho de anzol não pode configurar uma arte de pesca profissional (por exemplo, a piteira para polvo nos moldes profissionais ou o palangre).
  • Podem usar-se iscos e engodos, exceto ovas de peixe e substâncias tóxicas, venenosas ou explosivas.
  • Luzes como chamariz não são permitidas com linha de mão de anzol (só com toneira).
  • De terra, 5 m de distância a outros pescadores; de barco, 50 m a outras embarcações e artes caladas.
  • Em alguns rios há limites mais apertados: por exemplo, no Cávado, Douro, Lima e Mondego, duas canas ou linhas; no Tejo e no Sado, duas linhas com o máximo de três anzóis.

Curiosidades

  • Na lei, a cana de pesca é tecnicamente uma «linha de mão» manobrada com uma vara.
  • A FAO publicou um manual de formação dedicado à pesca à linha de mão e de lulas, o que mostra a importância destas artes simples em pescas de pequena escala no mundo inteiro.
  • Muitos dos nomes de aparelhos tradicionais portugueses variam de terra para terra; o IPMA dá exemplos como «aparelho do robalo» ou «aparelho fino» e «aparelho grosso».

Onde se pratica em Portugal

Zonas onde a técnica é comum, com exemplos de locais públicos. Confirme sempre as regras locais e as zonas interditas.

Costa e ilhas

  • Lisboa e Setúbal

    Baía de Sesimbra e costa próxima, fora das zonas protegidas da Arrábida

    Forte tradição de pesca ao anzol em pequenas embarcações.

  • Sotavento algarvio

    Ria Formosa e costa entre Faro e Vila Real de Santo António

    Fora dos canais de navegação e barras.

  • Açores

    Costa das várias ilhas, a partir de embarcações de recreio e em portos onde a pesca é permitida

    Legislação e licença regionais.

  • Madeira e Porto Santo

    Costa sul da Madeira e Porto Santo

    Legislação e licença regionais.

Galeria

  • Pescador a lançar uma linha de mão à beira-mar
    Pescador a lançar uma linha de mão à beira-mar · Peter van der Sluijs (CC BY-SA 3.0) · Wikimedia Commons

Outras técnicas

Material, iscos, nós e montagens: linha de mão

Ver tudo em Material e iscos →

Referências

  1. Decreto-Lei n.º 246/2000, de 29 de setembro (texto original) · Marinha / Diário da República (Artes permitidas; canas e toneiras como linhas de mão)
  2. Portaria n.º 14/2014, de 23 de janeiro · Diário da República (Artes permitidas, iscos e engodos, distâncias)
  3. FAQ Pesca Lúdica 2026 · DGRM (Limite de linhas e anzóis, regras dos rios, luzes, licenças)
  4. Artes de pesca artesanais em Portugal · IPMA (Rogélia Martins e Miguel Carneiro) (Pesca à linha com anzóis, estralho, palangres, designações locais)
  5. Handlining and squid jigging (FAO Training Series 23) · FAO, B. A. Bjarnason, 1992 (Manual técnico de pesca à linha de mão)
  6. Artes de Pesca (folheto) · Câmara Municipal de Sesimbra (Pesca tradicional ao anzol em Sesimbra)

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