Atualizado a
Muraenidae · Mar
Moreia
Muraena helena
Nome oficialMoreia · também autorizados: Moreia-pintada, Moreia-amarela, Moreia-preta (só Açores e Madeira)
Peixe serpentiforme de rocha, de padrão marmoreado amarelo e castanho, com dentes longos e afiados. Vive em fendas e buracos e é captura frequente à noite nos pesqueiros de pedra, sobretudo no sul e nas ilhas.

Antes de levar
Tamanho mínimo
Não definido
Captura
Pode ser capturada
Registo de capturas
Não exigido
Conservação (IUCN)
Pouco preocupante (LC)
A lei em vigor prevalece sobre esta ficha. Confirme sempre as regras locais (editais da capitania, zonas protegidas, regulamentos de cada rio).
Onde encontrar em Portugal
Costa do continente
- Alentejo litoralFrequente
Sines, costa vicentina
- Barlavento algarvioFrequente
Sagres, Lagos, Portimão
- Lisboa e SetúbalFrequente
Arrábida, Sesimbra, Cascais
- Costa OesteOcasional
Peniche, Berlengas
- Sotavento algarvioOcasional
molhes de Faro/Olhão
Ilhas
Indicativo: a abundância varia com a época, a água e o ano. As localizações exatas dos pesqueiros nunca são mostradas aqui.
Como identificar
Corpo alongado, musculoso e comprimido lateralmente, sem escamas e sem barbatanas peitorais. A cor de fundo é castanha a quase negra, com muitas manchas amarelas ou esbranquiçadas irregulares.
A boca é grande e mantém-se muitas vezes aberta, mostrando dentes longos e curvos. A abertura branquial é um pequeno orifício redondo, e as narinas anteriores e posteriores são tubulares.
Confusões frequentes
Confunde-se com o congro, que tem barbatanas peitorais, cor cinzenta uniforme e dentes curtos em fila. Nos Açores e na Madeira existem outras moreias: a moreia-preta (Muraena augusti), de fundo mais escuro e com pintas claras pequenas, só reconhecida como espécie distinta em 2007, e várias espécies de Gymnothorax, como o Gymnothorax unicolor, castanho quase uniforme, e o Gymnothorax maderensis (moreia-da-madeira). Estas exigem observação atenta e, nas ilhas, os nomes populares nem sempre correspondem à mesma espécie.
Onde vive
Fundos rochosos com fendas, molhes de blocos e recifes, desde a zona de rebentação até algumas dezenas de metros. Prefere águas temperadas.
Mais comum no Algarve, na costa sudoeste e na Arrábida do que no norte; é abundante nos Açores e na Madeira.
Comportamento e época
Predador de emboscada, sobretudo noturno, que se alimenta de peixes, polvos, chocos e crustáceos. Deteta as presas mais pelo olfato do que pela visão.
Amadurece no verão e, segundo estudos no Mediterrâneo, afasta-se da costa para desovar em águas profundas. É territorial e mantém-se perto da mesma toca. Quando ferrada, enrola-se no estralho e tenta voltar ao buraco.
Como pescar
Pesca-se ao fundo, de noite ou ao lusco-fusco, em pesqueiros de rocha e molhes, com cana forte e montagem curta junto à pedra. Também surge em pesca embarcada sobre fundos rochosos.
Tal como no congro, é preciso tirá-la da pedra logo após a ferragem.
Segurança: a mordida da moreia é dolorosa e as feridas infetam com facilidade. Use sempre alicate de cabo longo, segure o peixe com um pano e nunca o pegue pela cabeça. Se não for para consumo, corte a linha junto à boca e devolva-a à água. Em caso de mordida, lave e desinfete bem e procure assistência se a ferida for profunda.
Iscos e amostras
Sardinha, cavala, lula, choco e polvo, de preferência frescos e com cheiro intenso. Use anzóis fortes e estralho de aço fino ou nylon grosso.
Na cozinha
Muito apreciada na Madeira e nos Açores, onde se come moreia frita (às vezes seca antes de fritar). A pele é grossa e há espinhas pequenas. No continente o consumo é menos comum.
Curiosidades
- Tem um segundo par de maxilas na garganta (maxilas faríngeas) que avança para agarrar a presa e puxá-la para dentro.
- Abre e fecha a boca constantemente para fazer passar água pelas guelras; não é sinal de agressividade.
- Os romanos criavam moreias em viveiros, e há relatos antigos de patrícios que as tratavam como animais de estimação.
- A moreia-preta das ilhas (Muraena augusti) foi durante muito tempo confundida com esta espécie, até estudos morfológicos e genéticos a separarem em 2007.
- Não tem barbatanas peitorais nem escamas; a pele grossa é protegida por muco.
Conservação
A IUCN classifica a moreia como Pouco Preocupante. Não é alvo de pescarias dirigidas importantes no continente, mas é sensível à captura intensiva em pesqueiros de rocha e à pesca submarina, por ser territorial.
Boas práticas: cortar a linha junto à boca em vez de tentar desferrar (por segurança e para reduzir o tempo fora de água), não deixar estralhos de aço presos na pedra e evitar retirar várias moreias da mesma zona.
Galeria
Vivem nas mesmas águas
Espécies que se encontram nas mesmas zonas e habitats do moreia.
Iscos, amostras e montagens para moreia
Referências
- Denominações comerciais de produtos da pesca – lista de Portugal – Muraena helena · Comissão Europeia (EU Fish Names) / DGRM (nomes moreia-pintada, moreia-amarela; moreia-preta nos Açores e Madeira)
- Muraena augusti – Catalog of Fishes · California Academy of Sciences (validade de M. augusti e distribuição (Madeira, Açores))
- Gymnothorax unicolor · Naturalis – Fishes of the NE Atlantic and Mediterranean (presença nos Açores e Madeira)
- Gymnothorax maderensis · GBIF (nomes moreia-da-madeira e moreão)
- Checklist dos peixes marinhos de Portugal (2014) · Zenodo (M. augusti como moreia-preta/moreão)
- Biology of Muraena helena in the Adriatic (Aquatic Biology 13: 275-284, 2011) · Inter-Research (maturação no verão e desova ao largo)
- Denominações comerciais autorizadas em Portugal (Anexo I da Portaria 587/2006, consolidado a 27/04/2021) · DGRM (nome oficial e denominações autorizadas)

