Atualizado a
Sparidae · Mar
Sargo-mucharra-branca
Diplodus bellottii
Nome oficialSargo
O sargo-do-senegal é um pequeno sargo de origem africana, de cabeça escura, com mancha na origem da linha lateral e sela negra junto à cauda. Chegou à costa portuguesa nas últimas décadas e é hoje comum no sul e nos estuários do Tejo e do Sado.
Também conhecido como
- Mucharra · Algarve
- Sargo-do-senegal

Antes de levar
Tamanho mínimo
12 cm
Captura
Pode ser capturada
Registo de capturas
Não exigido
Conservação (IUCN)
Pouco preocupante (LC)
Fonte: DGRM, Tabela de Tamanhos Mínimos de Captura (26/02/2026): Portaria n.º 255/2022, Regulamento (UE) 2019/1241 e Regulamento (UE) 2026/249. A lei em vigor prevalece sobre esta ficha. Confirme sempre as regras locais (editais da capitania, zonas protegidas, regulamentos de cada rio).
Onde encontrar em Portugal
Costa do continente
Rios e albufeiras
- Bacia do TejoComum
Estuário do Tejo
forte aumento de abundância entre 1979-81 e 1995-97; zona de viveiro
Indicativo: a abundância varia com a época, a água e o ano. As localizações exatas dos pesqueiros nunca são mostradas aqui.
Como identificar
Corpo oval e comprimido, cinzento-prateado, com a cabeça escura, uma mancha escura na origem da linha lateral (junto ao topo do opérculo) e uma mancha negra em forma de sela no pedúnculo caudal. Não tem bandas verticais no corpo.
É um sargo de tamanho pequeno. Tem espinhos dorsais que exigem cuidado.
Confusões frequentes
Confunde-se facilmente com o sargo-safia, que tem uma banda escura muito mais larga sobre a nuca e um anel no pedúnculo que se prolonga para as barbatanas dorsal e anal. Com o sargo-alcorraz, mais amarelado, com barbatanas ventrais amareladas e sem mancha na origem da linha lateral.
A distinção no terreno pode ser difícil em peixes pequenos; observe a posição e a nitidez da mancha da frente e a cor das ventrais.
Onde vive
Espécie de águas quentes, originária da costa africana (do Senegal à Mauritânia), que se expandiu para norte: apareceu no golfo de Cádis nos anos 70, chegou ao Algarve e depois aos estuários do Sado e do Tejo (anos 90) e à ria de Aveiro. É hoje comum na zona de Lisboa.
Vive na plataforma pouco profunda, desde a costa até 100 m, sobretudo entre 30 e 50 m, em vários tipos de fundo. Os juvenis usam estuários grandes e pouco profundos, como o Tejo e o Sado.
Comportamento e época
Come pequenos moluscos e crustáceos do fundo. É gregário e por vezes forma cardumes grandes, muitas vezes misturado com outros sargos pequenos.
Amadurece por volta dos 11 cm. Os dados sobre a reprodução em águas portuguesas são escassos. É mais frequente nos meses quentes.
Como pescar
Apanha-se com material ligeiro: à bóia ou ao fundo com chumbada leve, em cais, molhes e zonas de pedra baixa, e em pesca embarcada sobre fundos pouco profundos. Anzóis pequenos e iscos pequenos.
Por ser pequeno, devolva os exemplares jovens rapidamente à água.
Iscos e amostras
Iscos naturais: pedaços de minhoca, camarão, mexilhão e pão.
Na cozinha
Come-se frito ou grelhado, como os outros sargos pequenos.
Curiosidades
- Em poucas décadas passou do Senegal e da Mauritânia para a costa ibérica, numa das expansões mais rápidas conhecidas para um peixe marinho.
- Ao contrário do que é habitual em espécies que colonizam novas áreas, as populações portuguesas mantêm uma diversidade genética muito elevada.
- Os investigadores relacionam a sua expansão com o aquecimento do mar.
- No estuário do Tejo partilha o habitat com a safia, mas as duas espécies dividem o espaço e o alimento.
- Já foi descrito com o nome Diplodus senegalensis, hoje sinónimo.
Conservação
A Lista Vermelha da IUCN classifica o sargo-do-senegal como Pouco Preocupante (LC), estatuto também indicado pelo IPMA. Em Portugal está em expansão e é visto como um indicador das alterações climáticas no mar.
Boas práticas: devolver os juvenis, que são abundantes nos estuários, e registar capturas fora da área habitual (por exemplo a norte de Aveiro), que podem ter interesse científico.
Vivem nas mesmas águas
Espécies que se encontram nas mesmas zonas e habitats do sargo-mucharra-branca.
Referências
- Ficha de identificação: sargos (Diplodus spp.) · IPMA (novembro 2022) (mancha na origem da linha lateral, sela negra)
- Manual de Identificação de Peixes Ósseos da Costa Continental Portuguesa – Principais Características Diagnosticantes · IPMA (Martins & Carneiro, 2018) (identificação; nome Sargo-do-Senegal ou Mucharra)
- Ichthyofauna of Portugal / Ictiofauna de Portugal, Vol. I – Diversidade taxonómica, nomes comuns e científicos dos peixes marinhos · IPMA (Carneiro, Martins, Reiner & Batista, 2019) (nomes e presença)
- Lista das denominações comerciais autorizadas em território nacional (Anexo I consolidado) · DGRM (Mucharra atribuída à safia)
- FishBase – Diplodus bellottii (factos verificados; texto não reutilizado) · FishBase (Froese & Pauly) (profundidade, dieta, gregarismo, tamanho, maturação, IUCN)
- Against all odds: a tale of marine range expansion with maintenance of extremely high genetic diversity · Robalo et al. (2020), Scientific Reports (MARE/ISPA) (expansão em Portugal, diversidade genética, abundância em Lisboa)
- Spatial and trophic niche overlap of Diplodus juveniles in Portuguese estuaries · Vinagre, Cabral & Costa (2010), Estuarine, Coastal and Shelf Science (doi:10.1016/j.ecss.2009.11.013) (juvenis associados aos estuários do Tejo e do Sado)
- Denominações comerciais autorizadas em Portugal (Anexo I da Portaria 587/2006, consolidado a 27/04/2021) · DGRM (nome oficial e denominações autorizadas)