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Soleidae · Mar
Linguado-do-Senegal
Solea senegalensis
Nome oficialLinguado · também autorizado: Linguado-branco
Linguado de águas mais quentes, muito comum nos estuários e lagoas do centro e sul de Portugal. Peixe noturno de fundos de areia e lodo, de grande valor gastronómico e também criado em aquacultura.

Antes de levar
Tamanho mínimo
24 cm
Captura
Pode ser capturada
Registo de capturas
Não exigido
Conservação (IUCN)
Dados insuficientes (DD)
Fonte: DGRM, Tabela de Tamanhos Mínimos de Captura (26/02/2026): Portaria n.º 255/2022, Regulamento (UE) 2019/1241 e Regulamento (UE) 2026/249 · Linguados (Solea spp.). A lei em vigor prevalece sobre esta ficha. Confirme sempre as regras locais (editais da capitania, zonas protegidas, regulamentos de cada rio).
Onde encontrar em Portugal
Costa do continente
Rios e albufeiras
- Ribeiras do AlgarveComum
ria Formosa, ria de Alvor
- Bacia do GuadianaFrequente
estuário do Guadiana
- Bacia do MiraFrequente
estuário do Mira (Vila Nova de Milfontes)
- Bacia do MondegoFrequente
estuário do Mondego
- Bacia do MinhoOcasional
estuário do Minho
Indicativo: a abundância varia com a época, a água e o ano. As localizações exatas dos pesqueiros nunca são mostradas aqui.
Como identificar
Forma típica de linguado: corpo oval muito achatado, com os olhos no lado direito e boca pequena e curva. O lado ocular é castanho a cinzento, por vezes salpicado de pequenas pintas; o lado cego é branco.
Dorsal e anal ligadas à caudal. O sinal mais útil é a barbatana peitoral do lado ocular, que tem os raios riscados de negro em vez de uma mancha única, e a caudal uniforme, sem pontas escuras. A narina do lado cego é tubular e não está dilatada.
Confusões frequentes
Muito parecido com o linguado-legítimo (Solea solea), que tem uma mancha negra bem definida na parte de trás e de cima da peitoral e as pontas da caudal escuras. Também se confunde com o linguado-de-areia (Pegusa lascaris), com a mancha negra a meio da peitoral e a narina do lado cego dilatada em roseta. Em lota as três espécies aparecem muitas vezes com o mesmo nome, e muitos pescadores tratam-nas apenas por linguado.
Onde vive
Fundos de areia e lodo pouco profundos, sobretudo em estuários, rias, lagoas costeiras e zonas de sapal. Tolera bem variações de salinidade e temperatura.
Ocorre em toda a costa continental e é o linguado dominante no sul, onde o linguado-legítimo é raro: estuários do Tejo e do Sado, ria de Aveiro, ria Formosa e Guadiana.
Comportamento e época
Ativo à noite, quando procura poliquetas, pequenos bivalves e crustáceos. De dia enterra-se na areia ou no lodo.
Desova na primavera e no verão, mais tarde e durante mais tempo do que o linguado-legítimo: no Tejo, os juvenis chegam aos viveiros de junho a outubro, em várias vagas. Nos meses quentes entra bem nos estuários e nos canais das rias.
Como pescar
Pesca-se ao fundo em estuários, rias e cais, e em surfcasting nas praias próximas das barras. A pesca noturna é claramente a mais produtiva, em especial na enchente e no início da vazante.
Use chumbadas leves sempre que a corrente permita, estralhos longos e anzóis pequenos de haste longa. Espere que o peixe engula o isco antes de ferrar.
Iscos e amostras
Minhoca (de areia ou de lodo), casulo, ganso (minhocão), camarão pequeno e mexilhão. Iscar com o isco a cobrir todo o anzol e a deixar uma ponta solta.
Na cozinha
Carne muito delicada, igual em valor ao linguado-legítimo. Frito, grelhado ou em filetes; é também espécie de aquacultura em Portugal.
Curiosidades
- É uma das espécies de aquacultura mais promissoras em Portugal, criada sobretudo em tanques de terra e em sistemas de recirculação.
- Gosta de águas mais quentes do que o linguado-legítimo, e por isso domina no sul do país.
- No Tejo, os juvenis chegam aos viveiros em várias vagas entre junho e outubro, sinal de uma época de desova longa.
- Como todos os linguados, os olhos começam um de cada lado e um deles migra durante a metamorfose larvar.
- O nome científico lembra o Senegal, onde foi descrito, mas a espécie vive desde o golfo da Biscaia até à costa africana e no Mediterrâneo.
Conservação
Não encontrei uma avaliação global recente e clara da IUCN para esta espécie. As principais ameaças são a perda e degradação dos estuários e sapais que servem de viveiro e a captura de juvenis.
Boas práticas: devolver os exemplares pequenos com cuidado, evitar arrastar o peixe pela areia ou pelo lodo seco e respeitar as zonas de viveiro das rias e estuários.
Galeria
Vivem nas mesmas águas
Espécies que se encontram nas mesmas zonas e habitats do linguado-do-senegal.
Iscos, amostras e montagens para linguado-do-senegal
Referências
- Linguados (ficha de identificação, 2017) · IPMA (caracteres e nome linguado-branco)
- Denominações comerciais de produtos da pesca – lista de Portugal – Solea senegalensis · Comissão Europeia (EU Fish Names) / DGRM (denominações linguado e linguado-branco)
- Solea senegalensis – CIESM Atlas · CIESM (narina do lado cego tubular, não dilatada)
- Differences in growth rates of juvenile Solea solea and Solea senegalensis in the Tagus estuary (JMBA 83: 861-868, 2003) · Cabral, H. – Universidade de Lisboa (época de recrutamento dos juvenis no Tejo)
- Relative importance of estuarine flatfish nurseries along the Portuguese coast (J. Sea Research 57: 209-217, 2007) · Cabral, H.N. et al. – MARE/Universidade de Lisboa (distribuição de linguados e solha-das-pedras nos estuários portugueses)
- Commercially exploited species in PNLN · OMARE – Observatório Marinho de Esposende (presença no Parque Natural do Litoral Norte (Esposende))
- Regulamento da cultura e apanha do isco do tipo minhoca (Portaria 254/1979) · Diário da República («ganso» = Marphysa sanguinea)
- Denominações comerciais autorizadas em Portugal (Anexo I da Portaria 587/2006, consolidado a 27/04/2021) · DGRM (nome oficial e denominações autorizadas)

