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Pescar

Atualizado a

Sparidae · Mar · Estuário

Dourada

Sparus aurata

Esparídeo de corpo alto e prateado, com uma faixa dourada entre os olhos. Forte e desconfiada, é muito procurada nas rias, estuários e praias, sobretudo entre a primavera e o outono.

Também conhecido como

  • Doirada
  • Douradinha
  • Safata
Dourada
Foto: Diego Delso · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
—

Antes de levar

Tamanho mínimo

19 cm

Captura

Pode ser capturada

Registo de capturas

Não exigido

Conservação (IUCN)

Pouco preocupante (LC)

Fonte: DGRM, Tabela de Tamanhos Mínimos de Captura (26/02/2026): Portaria n.º 255/2022, Regulamento (UE) 2019/1241 e Regulamento (UE) 2026/249. A lei em vigor prevalece sobre esta ficha. Confirme sempre as regras locais (editais da capitania, zonas protegidas, regulamentos de cada rio).

Onde encontrar em Portugal

Costa do continente

  • Ria Formosa (Faro, Olhão, Tavira)

    estudos de seguimento mostram forte fidelidade dos adultos à laguna

  • Costa OesteFrequente

    Lagoa de Óbidos, Peniche

    presença confirmada pelo IPMA (Ictiofauna de Portugal, 2019); abundância relativa estimada

Ilhas

Rios e albufeiras

  • Bacia do SadoFrequente

    Estuário do Sado, península de Troia

    presença confirmada pelo IPMA (Ictiofauna de Portugal, 2019); abundância relativa estimada

  • Bacia do TejoFrequente

    Estuário do Tejo

    presença confirmada pelo IPMA (Ictiofauna de Portugal, 2019); abundância relativa estimada

  • Ria de Aveiro

    presença confirmada pelo IPMA (Ictiofauna de Portugal, 2019); abundância relativa estimada

Indicativo: a abundância varia com a época, a água e o ano. As localizações exatas dos pesqueiros nunca são mostradas aqui.

Como identificar

Corpo oval, alto e comprimido, cinzento-prateado com linhas longitudinais escuras pouco marcadas. A marca mais típica é uma faixa dourada entre os olhos, limitada por zonas escuras, e uma mancha negra na origem da linha lateral, no topo do opérculo, que se prolonga por uma mancha avermelhada no bordo do opérculo.

Perfil da cabeça arredondado e lábios grossos. À frente tem 4 a 6 dentes caninos em cada maxila e, dos lados, 2 a 4 fiadas de dentes molares, adaptados a partir conchas. A barbatana dorsal é única, com espinhos fortes à frente.

Confusões frequentes

Pode confundir-se com os sargos e com a choupa. Os sargos têm geralmente bandas verticais escuras e uma mancha negra no pedúnculo caudal; a dourada não tem essa mancha na cauda e tem a faixa dourada entre os olhos. A choupa é acinzentada, com linhas longitudinais finas e boca mais pequena.

Em peixes de aquacultura fugidos a faixa dourada pode estar pouco visível, mas a mancha escura no topo do opérculo mantém-se.

Onde vive

Comum em toda a costa continental, com maior abundância do centro para sul. Vive em estuários, rias e lagoas costeiras (ria Formosa, ria de Aveiro, Sado, Tejo, Mondego, lagoa de Óbidos, lagoa de Albufeira), em praias de areia, zonas de pedra misturada com areia e junto a molhes e cais.

Na primavera entra nas lagoas e estuários para se alimentar, regressando ao mar no fim do outono. Encontra-se sobretudo entre a linha de água e 30 m, mas os adultos podem descer até 150 m. Na Madeira só aparecem douradas fugidas de aquacultura (é considerada espécie introduzida) e nos Açores os registos antigos foram atribuídos a outra espécie.

Comportamento e época

Come sobretudo moluscos (mexilhão, berbigão, amêijoa, caracóis), caranguejos, camarões, ouriços e vermes, que esmaga com os dentes. Os juvenis comem mais vermes e pequenos crustáceos. É um peixe desconfiado, que costuma provar o isco antes de o engolir, o que exige atenção ao toque.

É hermafrodita: nasce macho e passa a fêmea com a idade, amadurecendo a partir do 2.º ano. A desova acontece no mar, no fim do outono e no inverno. A melhor pesca costeira e estuarina acontece entre a primavera e o outono, com água mais quente.

Como pescar

Surfcasting e pesca ao fundo são as técnicas mais usadas, em praias junto a zonas de pedra ou em canais de rias e estuários. Também se pesca à bóia junto a molhes e pilares de cais, com o isco perto do fundo, e cada vez mais com amostras de vinil em spinning ligeiro.

A enchente, sobretudo as horas antes da preia-mar, é geralmente o melhor período, quando a dourada entra nas zonas de pouca água para comer. Água limpa ou ligeiramente turva e mar calmo a moderado são as condições ideais. Use estralhos resistentes, pois a picada é forte e o peixe procura a pedra.

Iscos e amostras

Iscos naturais: caranguejo (vivo ou mole), mexilhão, lingueirão, ameijoa, casulo, ganso, minhoca-coreana, camarão. O caranguejo e o mexilhão atados com linha elástica são clássicos para selecionar peixes maiores.

Amostras: vinis pequenos imitando caranguejo ou camarão, trabalhados lentamente no fundo; pequenos jigs em zonas de corrente.

Na cozinha

Uma das espécies mais apreciadas da cozinha portuguesa. Come-se grelhada, no forno com batatas e cebola, ao sal ou em filetes. A dourada selvagem tem carne mais firme e saborosa do que a de aquacultura.

Curiosidades

  • O nome vem da faixa dourada entre os olhos, bem visível no peixe acabado de sair da água.
  • É hermafrodita protândrica: começa a vida como macho e passa depois a fêmea.
  • Os dentes molares, dispostos em várias fiadas, funcionam como um quebra-nozes para partir mexilhões e berbigões.
  • Na ria Formosa, douradas marcadas com emissores mostraram que os adultos permanecem muito tempo nas mesmas zonas da laguna.
  • É uma das principais espécies de aquacultura na Europa e em Portugal; o IPMA estuda a sua produção na Estação Piloto de Piscicultura de Olhão.
  • O recorde de peso publicado ronda os 17 kg.

Conservação

A Lista Vermelha da IUCN classifica a dourada como Pouco Preocupante (LC), estatuto também indicado pelo IPMA. As rias e lagoas costeiras, onde se alimenta e cresce, são sensíveis à poluição e à perda de pradarias marinhas. As fugas de aquacultura podem misturar peixes de cultura com as populações selvagens.

Boas práticas: soltar as douradas pequenas, não pescar com isco recolhido em zonas interditas e evitar pisar as pradarias de ervas marinhas nas rias.

Galeria

  • Dourada
    David Blaikie (CC BY 2.0)
  • Dourada
    Isabelle Cheret (CC BY 4.0)

Vivem nas mesmas águas

Espécies que se encontram nas mesmas zonas e habitats do dourada.

Iscos, amostras e montagens para dourada

Notícias, artigos e eventos: dourada

Referências

  1. Dourada – Sparus aurata · IPMA – Estação Piloto de Piscicultura de Olhão (habitat, profundidade 15-30 m, dieta, hermafroditismo, maturação)
  2. Manual de Identificação de Peixes Ósseos da Costa Continental Portuguesa – Principais Características Diagnosticantes · IPMA (Martins & Carneiro, 2018) (identificação (dentes, faixa dourada, mancha na origem da linha lateral))
  3. Ichthyofauna of Portugal / Ictiofauna de Portugal, Vol. I – Diversidade taxonómica, nomes comuns e científicos dos peixes marinhos · IPMA (Carneiro, Martins, Reiner & Batista, 2019) (distribuição (introduzida na Madeira, não válida nos Açores), nomes comuns)
  4. FishBase – Sparus aurata (factos verificados; texto não reutilizado) · FishBase (Froese & Pauly) (tamanho máximo, peso recorde, profundidade máxima, IUCN)
  5. The coastal fishes of Madeira Island – new records and an annotated check-list (Sparidae) · Wirtz, Fricke & Biscoito (2008), Zootaxa 1715 (exemplares fugidos de aquacultura na Madeira)
  6. Site fidelity and movements of gilthead sea bream in a coastal lagoon (Ria Formosa) · Abecasis & Erzini (2008), Universidade do Algarve (fidelidade à ria Formosa)
  7. Reproductive biology of gilthead seabream in the Gulf of Gabes · Estudo tunisino (redalyc) (época de desova (referência mediterrânica))
  8. Denominações comerciais autorizadas em Portugal (Anexo I da Portaria 587/2006, consolidado a 27/04/2021) · DGRM (nome oficial e denominações autorizadas)