Saltar para o conteúdo
Pescar

Atualizado a

Tincidae · Água doce

Tenca

Tinca tinca

Nome oficialTenca · também autorizado: Tinca

Ciprinídeo de águas paradas e vegetação densa, de pele viscosa e olhos avermelhados. Introduzida em Portugal há muito tempo, é pescada à bóia junto aos limos e tem boa fama à mesa.

Tenca
Foto: Karelj · Public domain · Wikimedia Commons
—

Antes de levar

Tamanho mínimo

Não definido

Captura

Pode ser capturada

Registo de capturas

Não exigido

Conservação (IUCN)

Pouco preocupante (LC)

A lei em vigor prevalece sobre esta ficha. Confirme sempre as regras locais (editais da capitania, zonas protegidas, regulamentos de cada rio).

Onde encontrar em Portugal

Rios e albufeiras

  • charcas, açudes e albufeiras do Alentejo

    distribuição dispersa e muito localizada

  • estuário do Minho

    surgiu no estuário em 2015–2016

Indicativo: a abundância varia com a época, a água e o ano. As localizações exatas dos pesqueiros nunca são mostradas aqui.

Como identificar

Corpo robusto, coberto de escamas minúsculas e muito muco, que lhe dá um aspeto liso e escorregadio. Coloração verde-oliva escura a dourada, com ventre mais claro.

Olhos pequenos e avermelhados, boca terminal com um par de barbilhos curtos nos cantos. Barbatanas arredondadas e escuras; nos machos as ventrais são maiores e mais espessas.

Confusões frequentes

Difícil de confundir. A carpa tem escamas grandes, dorsal longa e dois pares de barbilhos; o pimpão não tem barbilhos e tem escamas visíveis. Os barbos têm corpo alongado e dois pares de barbilhos.

Onde vive

Espécie considerada exótica em Portugal pelo Livro Vermelho de 2023, nativa de grande parte da Europa e da Ásia ocidental, e presente há muito tempo no país. O seu estatuto já foi discutido por ictiólogos portugueses: há quem admita que possa ser nativa em alguns pontos do Alentejo, onde tem uma distribuição dispersa e muito localizada.

Vive em lagoas, açudes, charcas, valas, pauis e albufeiras com fundos de lodo ou argila e muita vegetação aquática, tolerando águas pouco oxigenadas. Em zonas mais naturais pode competir com espécies nativas; consulte as regras do ICNF sobre espécies exóticas.

Comportamento e época

Alimenta-se no fundo de larvas, moluscos, crustáceos e matéria vegetal, sobretudo ao amanhecer, ao anoitecer e de noite. Denuncia-se por pequenas bolhas à superfície.

Desova no fim da primavera e verão (maio a julho), quando a água aquece, sobre a vegetação. No inverno fica quase inativa, enterrada no lodo.

Como pescar

A técnica clássica é a pesca à bóia junto a limos, juncais e clareiras na vegetação, com linha média e anzol forte. Também se pesca ao fundo e com feeder em pesqueiros limpos.

As melhores horas são a madrugada e o fim do dia, de maio a setembro. A tenca puxa com força para a vegetação; não use linhas demasiado finas. A pesca em águas interiores exige licença do ICNF, e cada zona pode ter regras próprias.

Iscos e amostras

Minhoca, asticot, milho, pão e pequenos pellets. Engodos à base de farinhas escuras, terra e asticot, por vezes com cânhamo.

Na cozinha

Considerada das melhores carnes de água doce, firme e saborosa quando vem de águas limpas. Tradicionalmente frita ou de escabeche.

Curiosidades

  • Em 1998 o ictiólogo Carlos Almaça publicou um artigo a perguntar se a tenca é ou não uma espécie introduzida em Portugal; a questão continua a gerar dúvidas.
  • Os machos distinguem-se facilmente: as barbatanas ventrais são muito maiores e mais grossas, chegando ao ânus.
  • O peso máximo publicado ronda os 7,5 kg.
  • Passa o inverno quase inativa, enterrada no lodo.

Conservação

Classificada como exótica (Não Aplicável) no Livro Vermelho de 2023 e Pouco Preocupante a nível global. Não consta da Lista Nacional de Espécies Invasoras consultada. Boas práticas: preservar a vegetação das margens, não transportar peixes entre massas de água e devolver os exemplares com cuidado, usando camaroeiro e mãos molhadas.

Galeria

  • Tenca
    MAKY.OREL (CC0)
  • Tenca
    Piet Spaans (CC BY-SA 2.5)

Vivem nas mesmas águas

Espécies que se encontram nas mesmas zonas e habitats do tenca.

Iscos, amostras e montagens para tenca

Referências

  1. Livro Vermelho dos Peixes Dulciaquícolas e Diádromos de Portugal Continental (2023) · Magalhães et al. / FCiências.ID e ICNF (estatuto exótico, NA)
  2. Ictiofauna dulçaquícola exótica da fração portuguesa da bacia do Guadiana · LPN – projeto LIFE Saramugo (estatuto de exótica discutível no Alentejo, distribuição dispersa e localizada)
  3. Bibliografia da tenca, incl. Almaça (1998) 'A tenca é ou não uma espécie introduzida em Portugal?' · Enciclopedia Virtual de los Vertebrados Españoles (MNCN-CSIC) (artigo de Almaça (1998) sobre o estatuto da tenca em Portugal)
  4. Alterações climáticas afetam comunidade de peixes nativos do estuário do Minho (estudo CIIMAR) · DNoticias / Lusa (aparecimento no estuário do Minho em 2015–2016)
  5. Lista Nacional de Espécies Invasoras (Anexo II do Decreto-Lei n.º 92/2019) · ICNF (a tenca NÃO consta da Lista Nacional de Espécies Invasoras)
  6. FishBase – Tinca tinca (factos verificados: tamanhos, distribuição) · FishBase (comprimento máximo 70 cm SL, peso 7,5 kg, olhos laranja-avermelhados, um par de barbilhos)
  7. Denominações comerciais autorizadas em Portugal (Anexo I da Portaria 587/2006, consolidado a 27/04/2021) · DGRM (nome oficial e denominações autorizadas)