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Pescar

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IntermédioMar

Surfcasting

Também conhecida como pesca de praia, pesca de arremesso, pesca na rebentação, pesca ao casting

Pesca a partir da praia de areia, com canas compridas e chumbadas pesadas lançadas para lá da rebentação. O isco fica no fundo e a picada vê-se na ponta da cana, apoiada num espeto. Procura robalos, douradas, sargos, safios e raias.

Onde se usa

Praia de areia

Surfcasting
Foto: Alexkom000 · CC BY 4.0 · Wikimedia Commons
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O que é

O surfcasting é a pesca de arremesso feita a partir de praias de areia. O nome junta duas palavras inglesas: surf (rebentação) e casting (lançamento). O pescador usa uma cana comprida e um carreto (a peça que guarda e recolhe a linha) para lançar uma chumbada (peso de chumbo que leva a linha ao fundo) e um ou mais anzóis iscados até à zona onde o peixe procura comida.

No fundo, é uma variante da pesca ao fundo, adaptada à praia: o isco fica pousado na areia e o pescador espera pela picada, que se nota na ponteira (ponta da cana). Em Portugal a técnica tem muitos adeptos, porque o país tem centenas de quilómetros de praias. A Federação Portuguesa de Pesca Desportiva acrescentou-a às suas modalidades em 2002, com o nome de «pesca ao casting».

Como se faz

O segredo é ler a praia e pôr o isco onde o peixe come. Muitas vezes não é preciso lançar longe: o peixe anda junto às valas e à primeira rebentação.

  1. Ler a praia na maré vazia. Procure valas (zonas mais fundas, onde a água fica mais escura e as ondas rebentam menos), bancos de areia, correntes de retorno e zonas com pedra misturada. São os sítios onde o peixe se junta.
  2. Montar o estralho. O estralho (ou baixada) é o troço final de linha com os anzóis. Os mais comuns têm um a três anzóis em linhas laterais curtas e a chumbada no fim.
  3. Iscar bem. O isco deve ficar firme no anzol para aguentar o lançamento. Use fio elástico para iscos moles, como sardinha ou casulo.
  4. Lançar. Com a cana para trás, faça um movimento contínuo e acelere no fim. Ponha o dedo na linha para não a soltar antes do tempo. Treine primeiro a precisão, só depois a distância.
  5. Pousar a cana no espeto (suporte espetado na areia) com a linha esticada e a ponteira bem visível.
  6. Ferrar. Quando a ponteira dá esticões firmes ou a linha afrouxa de repente, levante a cana com decisão e recolha a linha.
  7. Recolher com a onda. Traga o peixe para a areia aproveitando o impulso da onda, sem forçar contra a ressaca.
  8. Rever o isco a cada 15–20 minutos. Caranguejos e peixes pequenos limpam o anzol depressa.

Material

  • Cana de surfcasting com cerca de 4 a 5 m, potente para lançar chumbadas pesadas.
  • Carreto de bobina fixa grande, de bobina longa e cónica (facilita o lançamento).
  • Linha de monofilamento (nylon) ou entrançada. Com entrançada, use um chicote: um troço de nylon mais grosso no início da linha, que aguenta o esforço do lançamento.
  • Chumbadas de praia: em pirâmide, em bolbo ou com garras (arames que se agarram à areia com mar mexido ou com corrente).
  • Estralhos de um a três anzóis, destorcedores (peças que evitam que a linha torça) e alfinetes.
  • Espeto ou tripé para apoiar a cana, faca, alicate, toalha, lanterna frontal e balde ou geleira.

Iscos e amostras

Os iscos naturais dominam: minhocas marinhas (casulo, ganso, bicha da areia e outras poliquetas), bivalves como o linguirão, a navalha ou o mexilhão, caranguejo (sobretudo o caranguejo de muda, mole), camarão, lula e peixe gordo como a sardinha e a cavala. Escolha o isco pela espécie: minhocas e bivalves para sargos e douradas, caranguejo para douradas e robalos, sardinha e lula para safios, raias e robalos à noite.

Não é permitido usar ovas de peixe como isco. O engodo é permitido na pesca lúdica, mas na praia é pouco eficaz porque as ondas o espalham.

Quando resulta melhor

Mar: o ideal é mar com alguma ondulação e água um pouco turva, que levanta comida da areia e dá confiança ao peixe. Com mar muito chão (parado) e água transparente, o peixe afasta-se ou só entra à noite. Com mar muito grosso, a pesca torna-se perigosa e quase impossível.

Marés: as horas à volta da praia-mar (maré cheia), sobretudo a enchente, costumam ser as mais produtivas. Na vazante, aproveite para estudar a praia.

Hora do dia: o fim da tarde, a noite e o amanhecer são, em geral, melhores do que o meio do dia.

Épocas: pesca-se todo o ano. Outono e inverno são a época clássica para robalo e sargo; primavera e verão trazem douradas e ferreiras, mas as praias com banhistas limitam a pesca de dia.

Onde se pratica

Pratica-se em praias de areia expostas ao mar aberto, de norte a sul. São especialmente procuradas as praias com valas, mistura de areia e pedra, ou próximas de fozes e molhes, onde há mais comida.

Na costa norte, os areais de Moledo, Carreço, Cabedelo (Viana do Castelo), Amorosa, A Ver o Mar, Cabo do Mundo, Madalena, Valadares, Espinho e Furadouro são locais habituais de pesca de costa. No Algarve, Albufeira recebe todos os anos provas de surfcasting e acolheu em 2025 um campeonato do mundo de pesca de praia.

Na época balnear, as praias vigiadas têm horários e zonas de pesca definidos pela Capitania do Porto. Confirme sempre os editais locais.

Diferenças para outras técnicas

Surfcasting vs. pesca ao fundo de rocha ou molhe. As duas deixam o isco no fundo, mas o terreno muda tudo. Na praia o fundo é de areia e limpo: usam-se canas longas, chumbadas que se agarram à areia e lançamentos compridos. Na rocha o fundo tem pedras e algas: o peixe está perto, os lançamentos são curtos, as canas são mais curtas e robustas, as linhas mais grossas e as chumbadas muitas vezes «perdíveis» (presas por linha mais fraca, para salvar o resto da montagem quando prendem). Na praia o perigo são as ondas e a ressaca; na rocha, as quedas e os golpes de mar.

Surfcasting vs. pesca ao fundo de barco. No barco não é preciso lançar: deixa-se cair a chumbada na vertical, sobre pedras ou fundos que a praia não alcança, e a licença é outra (embarcada).

Surfcasting vs. spinning de praia. No spinning não há espera: o pescador lança e recolhe sem parar uma amostra (isco artificial que imita um peixe ou outra presa) e anda ao longo da praia à procura de peixes caçadores, como o robalo. No surfcasting o isco é natural, fica parado e a cana descansa no espeto. O material também é diferente: canas de spinning mais curtas e leves, carretos menores, linhas mais finas.

Surfcasting vs. pesca à bóia. Na bóia o isco fica suspenso a meia-água, por baixo de um flutuador. Na praia aberta a bóia é pouco prática por causa das ondas; usa-se mais em rocha, molhes e estuários.

Dicas

  • Visite a praia na maré vazia e tire fotografias das valas: na enchente já sabe onde lançar.
  • Comece com uma cana bem montada antes de passar a duas ou três; a lei permite até três canas e nove anzóis no total.
  • Lançar longe não é tudo: experimente primeiro a 30–60 m, sobretudo com mar mexido.
  • Quando houver algas a arrastar, use chumbada com garras ou mude para um troço de praia com menos corrente.
  • Leve os iscos frescos numa geleira, à sombra.
  • Devolva logo à água os peixes abaixo do tamanho mínimo, mesmo que estejam mortos.
  • Leve o lixo consigo, incluindo restos de linha, que matam aves.

Segurança

O mar é a maior ameaça: antes de sair, consulte a previsão e os avisos do IPMA e a tabela de marés. Nunca vire costas ao mar, não entre na água para lançar com mar mexido, cuidado com valas fundas e correntes de retorno, e tenha sempre um caminho de recuo que a maré não corte. Use calçado antiderrapante; em rocha e molhe a DGRM aconselha colete, embora não seja obrigatório em terra. Leve telemóvel carregado, diga a alguém onde vai e não pesque sozinho em sítios expostos. No arremesso, confirme que não há ninguém atrás ou ao lado. Guarde os anzóis protegidos e use alicate para os tirar. Em caso de emergência ligue 112.

À noite use lanterna frontal e roupa refletora, e mantenha o material acima da linha da maré cheia.

Licença e regras

No mar, nos estuários e nas águas interiores sob jurisdição da Autoridade Marítima do continente, a pesca lúdica com cana exige licença de pesca lúdica da DGRM. Há licenças diárias, mensais e anuais, de quatro tipos: apeada (a partir de terra firme ou de rochas isoladas), embarcada (a bordo; inclui também a apeada), submarina e geral (abrange todas). Obtêm-se no Multibanco, nos balcões da DGRM e das direções regionais de agricultura e pescas, ou no portal Bmar. A licença é digital e fica associada ao número do documento de identificação. Os menores de 16 anos acompanhados por um titular de licença não precisam de licença própria. A licença da DGRM não é válida nos Açores, na Madeira nem nas águas doces geridas pelo ICNF (por exemplo, no Douro a montante da barragem de Crestuma).

Regras gerais confirmadas pela DGRM: cada pescador pode usar até três canas ou linhas e nove anzóis no total; em alguns rios as regras são mais apertadas (Cávado, Douro, Lima e Mondego: duas canas; Tejo e Sado: duas canas e três anzóis). São permitidos iscos naturais ou artificiais e engodo, exceto ovas de peixe e substâncias tóxicas ou explosivas. Luzes para atrair o peixe só com toneiras; em bóias, só como indicador. Na pesca apeada é preciso guardar 5 m de outro pescador que já lá esteja e não se pode pescar a menos de 100 m de portos de abrigo, docas, estaleiros, aquiculturas ou saídas de esgoto assinaladas. A Capitania do Porto pode limitar a pesca em molhes perigosos e, por edital, regular a pesca noturna em praias concessionadas durante a época balnear. Nas áreas marinhas protegidas (Litoral Norte, Berlengas, Arrábida, Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, Pedra do Valado) há restrições próprias.

Para o surfcasting basta a licença apeada (ou a embarcada ou geral, que a incluem).

Curiosidades

  • Num estudo feito entre Moledo e Aveiro em 2003, a pesca ao fundo, família a que pertence o surfcasting, foi usada em cerca de três quartos das ações de pesca de costa observadas.
  • Albufeira recebeu em março de 2025 o 32.º Campeonato do Mundo de Pesca de Praia por Clubes, organizado com a FPPD.
  • Fundos de areia muito limpos são pouco produtivos: o peixe prefere a água revolta da rebentação, onde as ondas desenterram comida.

Onde se pratica em Portugal

Zonas onde a técnica é comum, com exemplos de locais públicos. Confirme sempre as regras locais e as zonas interditas.

Costa e ilhas

  • Costa do Minho

    Praia de Moledo, Praia de Carreço, Praia do Cabedelo (Viana do Castelo), Praia da Amorosa

    Areais com pesca de costa regular, alguns com afloramentos rochosos ao lado.

  • Costa Norte

    A Ver o Mar (Póvoa de Varzim), Cabo do Mundo (Leça da Palmeira), praias da Madalena e de Valadares, Espinho

    Em Espinho, pesca-se nos areais entre molhes.

  • Costa Centro

    Praia do Furadouro (Ovar), Praia da Barra (Ílhavo)

    Areais com molhes perto, onde também se pratica pesca ao fundo e à bóia.

  • Barlavento algarvio

    Praias da Falésia/Rocha Baixinha e dos Salgados (Albufeira)

    Palco do campeonato do mundo de pesca de praia por clubes (março de 2025), que incluiu também a Praia do Garrão (Loulé).

Galeria

  • Pescador junto ao tripé com a cana de surfcasting, numa praia atlântica francesa
    Pescador junto ao tripé com a cana de surfcasting, numa praia atlântica francesa · CPSH (Public domain) · Wikimedia Commons
  • Canas em suportes na areia e pescador a lançar das rochas, Praia de Manuel Lourenço (Albufeira)
    Canas em suportes na areia e pescador a lançar das rochas, Praia de Manuel Lourenço (Albufeira) · Kolforn (CC BY-SA 4.0) · Wikimedia Commons

Outras técnicas

Material, iscos, nós e montagens: surfcasting

Ver tudo em Material e iscos →

Clubes de surfcasting

Os 12 clubes de surfcasting →

Notícias, artigos e eventos: surfcasting

Referências

  1. Perguntas frequentes — Pesca Lúdica (versão 2026) · DGRM — Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (tipos de licença DGRM, artes permitidas (cana, linha de mão, toneira, corrico), 3 canas/9 anzóis, regras mais restritivas nos rios, distâncias, zonas proibidas, iscos e engodos, fontes luminosas, emba)
  2. Portaria n.º 14/2014, de 23 de janeiro · Diário da República (regulamento da pesca lúdica em águas oceânicas, interiores marítimas e interiores não marítimas sob jurisdição da Autoridade Marítima)
  3. Contribuição para o estudo da pesca recreativa de costa em Portugal (dissertação de mestrado) · Universidade do Porto — ICBAS (M. R. M. D. Oliveira, 2003) (definições FPPD de pesca à bóia, ao fundo, ao lançado, ao sentir e ao casting; pesca ao fundo em 74,39 % e à bóia em 22,97 % das ações de pesca entre Moledo e Aveiro; locais de areal, rocha e molhe am)
  4. 32nd World Championship Shore Angling for Clubs — Albufeira, 22 a 28 de março de 2025 (brochura) · FIPS-M / FPPD / Câmara Municipal de Albufeira (campeonato do mundo de pesca de praia em Albufeira; praias da Falésia/Rocha Baixinha, Salgados e Garrão; Albufeira recebe provas de surfcasting todos os anos)
  5. Quantifying recreational shore angling catch and harvest in southern Portugal (Journal of Fish Biology 76: 2216–2237) · Veiga, Ribeiro, Gonçalves & Erzini (2010), Universidade do Algarve / CCMAR (pesca lúdica de costa em ~250 km da costa sul e sudoeste; peso relevante das capturas de sargo)

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