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Pescar

Atualizado a

Epinephelidae · Mar

Mero

Epinephelus marginatus

Nome oficialMero · também autorizados: Mero-legítimo, Mero-negro, Garoupa-do-Brasil (só Açores)

Grande peixe de rocha, territorial e de vida longa, símbolo dos fundos rochosos bem preservados. No continente a captura na pesca lúdica é proibida: se for apanhado por acidente, deve ser devolvido com cuidado.

Mero
Foto: Diego Delso · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
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Antes de levar

Tamanho mínimo

Não definido

Captura

Captura proibida

Registo de capturas

Não exigido

Conservação (IUCN)

Vulnerável (VU)

Captura e retenção proibidas na pesca lúdica (Meros (género Epinephelus)). Se for apanhado, devolver de imediato à água.

Fonte: DGRM, Perguntas frequentes da pesca lúdica (2026): espécies cuja captura e retenção é proibida. A lei em vigor prevalece sobre esta ficha. Confirme sempre as regras locais (editais da capitania, zonas protegidas, regulamentos de cada rio).

Onde encontrar em Portugal

Costa do continente

Ilhas

  • AçoresFrequente

    costas rochosas e reservas marinhas das ilhas (Flores, Corvo, Faial)

    mais comum do que no continente

  • Reserva do Garajau, Desertas, Porto Santo

Indicativo: a abundância varia com a época, a água e o ano. As localizações exatas dos pesqueiros nunca são mostradas aqui.

Como identificar

Corpo robusto e alto, cabeça grande e boca muito larga com o maxilar inferior saliente. Cor castanho-escura ou acinzentada, com manchas claras irregulares espalhadas pelo corpo e cabeça.

As barbatanas dorsal, anal e caudal costumam ter um rebordo claro ou alaranjado. A cauda é arredondada. Os exemplares grandes podem passar de 1 m e dezenas de quilos.

Confusões frequentes

Os juvenis podem confundir-se com a garoupa (Serranus cabrilla) e o serrano, que têm faixas verticais regulares e não manchas claras. Também se confunde com o cherne (Polyprion americanus), que é cinzento uniforme, tem uma crista óssea no opérculo e cauda truncada, e com outros meros raros (Epinephelus costae, de riscas longitudinais).

Se tiver dúvidas, trate o peixe como mero e devolva-o.

Onde vive

Vive em fundos rochosos com grutas e fendas, de poucos metros até cerca de 200 m; os adultos ocupam a mesma toca durante anos. Ocorre em toda a costa portuguesa, sendo mais frequente no continente no Algarve, Arrábida–Sesimbra e Berlengas; é mais comum nos Açores e Madeira, sobretudo em áreas marinhas protegidas como a Reserva do Garajau.

Comportamento e época

Predador de emboscada, alimenta-se sobretudo de polvos e caranguejos, e também de chocos, lulas e peixes. Nasce fêmea e muda para macho já tarde, entre os 10 e os 16 anos e com 70–80 cm, o que o torna muito vulnerável à pesca: retirar os grandes exemplares compromete a reprodução.

Cresce devagar, pode pesar cerca de 60 kg e viver uns 50 anos. É curioso e confiante perante mergulhadores, o que faz dele um peixe muito apreciado na observação subaquática.

Como pescar

O mero não deve ser pescado nem mantido a bordo. Se morder por acidente na pesca ao fundo ou no jigging, traga-o com calma, sem forçar demasiado, e prepare a devolução antes de o ter junto ao barco.

Os meros apanhados a mais de 20–30 m sofrem frequentemente barotrauma (bexiga natatória dilatada, olhos salientes, estômago a sair pela boca). Nesses casos:

  • mantenha o peixe dentro de água ou o mínimo de tempo possível fora dela;
  • use mãos molhadas ou luva, nunca o agarre pelas guelras nem o deixe no chão quente;
  • se o anzol estiver fundo, corte a linha junto à boca em vez de o arrancar;
  • use um dispositivo de descompressão (descendedor ou cesto com peso) para o devolver à profundidade onde foi apanhado; não perfure a bexiga se não tiver formação para isso.

Iscos e amostras

Não se deve procurar o mero com iscos. Morde ocasionalmente polvo, choco, lula, peixe vivo e jigs destinados a outras espécies de fundo; se pescar em zonas com meros conhecidos, evite insistir nesses pesqueiros e mude de local quando aparecer.

Na pesca submarina também não deve ser capturado: aproveite para o observar e fotografar.

Na cozinha

Não deve ser retido na pesca lúdica. Qualquer exemplar capturado deve ser devolvido vivo à água.

Curiosidades

  • Todos os meros começam a vida como fêmeas; só os mais velhos e maiores se tornam machos.
  • A Reserva Natural Parcial do Garajau, na Madeira, a primeira reserva portuguesa exclusivamente marinha, foi criada em grande parte para proteger o mero.
  • O IPMA, com a Universidade do Algarve, reproduz meros em cativeiro na Estação Piloto de Piscicultura de Olhão e já libertou juvenis na costa algarvia.
  • Pode viver cerca de meio século e ultrapassar 1,5 m.
  • Em zonas protegidas aproxima-se dos mergulhadores e reconhece locais e rotinas.
  • Nos Açores a pesca do mero chegou a ser suspensa temporariamente em 2024 por se observarem peixes com comportamento e alterações físicas anormais.

Conservação

Classificado como Vulnerável na Lista Vermelha da IUCN: cresce devagar, muda de sexo tarde e é fiel à toca, o que o torna fácil de sobrepescar. No continente a captura é proibida na pesca lúdica, e na Madeira a captura na caça submarina também é proibida; nos Açores há regras regionais próprias. O IPMA pede que os avistamentos sejam comunicados. Boas práticas: evitar pesqueiros conhecidos de meros, devolver de imediato qualquer exemplar e usar descendedor para os apanhados em profundidade.

Galeria

  • Mero
    Waielbi (CC BY-SA 3.0)
  • Mero
    Georges Jansoone (JoJan) (CC BY 3.0)

Vivem nas mesmas águas

Espécies que se encontram nas mesmas zonas e habitats do mero.

Iscos, amostras e montagens para mero

Referências

  1. Mero – Epinephelus marginatus · IPMA – Estação Piloto de Piscicultura de Olhão (biologia, distribuição, proibição na pesca lúdica, repovoamento)
  2. Ficha Mero – Epinephelus marginatus · Governo Regional da Madeira (Mar Madeira) (captura proibida na caça submarina na Madeira, Vulnerável, 1,6 m, até 200 m, Garajau)
  3. Portaria n.º 1/2024, de 5 de janeiro · Governo Regional dos Açores (regras próprias da pesca lúdica do mero nos Açores; mero como Vulnerável)
  4. Portaria n.º 83-B/2024 (suspensão temporária da pesca do mero nos Açores) · Jornal Oficial dos Açores (suspensão em 2024 por anomalias observadas)
  5. Anexo I – Denominações comerciais autorizadas (atualização de 4 de junho de 2020) · DGRM (Mero, Mero-legítimo, Mero-negro, Garoupa-do-Brasil (Açores))
  6. Epinephelus marginatus – WoRMS · World Register of Marine Species (taxonomia e nome científico válido)
  7. Epinephelus marginatus – Lista Vermelha da IUCN · IUCN (Vulnerável)
  8. Denominações comerciais autorizadas em Portugal (Anexo I da Portaria 587/2006, consolidado a 27/04/2021) · DGRM (nome oficial e denominações autorizadas)