Atualizado a
Epinephelidae · Mar
Mero
Epinephelus marginatus
Nome oficialMero · também autorizados: Mero-legítimo, Mero-negro, Garoupa-do-Brasil (só Açores)
Grande peixe de rocha, territorial e de vida longa, símbolo dos fundos rochosos bem preservados. No continente a captura na pesca lúdica é proibida: se for apanhado por acidente, deve ser devolvido com cuidado.

Antes de levar
Tamanho mínimo
Não definido
Captura
Captura proibida
Registo de capturas
Não exigido
Conservação (IUCN)
Vulnerável (VU)
Captura e retenção proibidas na pesca lúdica (Meros (género Epinephelus)). Se for apanhado, devolver de imediato à água.
Fonte: DGRM, Perguntas frequentes da pesca lúdica (2026): espécies cuja captura e retenção é proibida. A lei em vigor prevalece sobre esta ficha. Confirme sempre as regras locais (editais da capitania, zonas protegidas, regulamentos de cada rio).
Onde encontrar em Portugal
Costa do continente
- Sotavento algarvioOcasional
recifes artificiais ao largo de Olhão e Faro
- Lisboa e SetúbalRara
Arrábida, Sesimbra (Parque Marinho Luiz Saldanha)
- Costa OesteRara
Berlengas
Ilhas
- AçoresFrequente
costas rochosas e reservas marinhas das ilhas (Flores, Corvo, Faial)
mais comum do que no continente
- Madeira e Porto SantoFrequente
Reserva do Garajau, Desertas, Porto Santo
Indicativo: a abundância varia com a época, a água e o ano. As localizações exatas dos pesqueiros nunca são mostradas aqui.
Como identificar
Corpo robusto e alto, cabeça grande e boca muito larga com o maxilar inferior saliente. Cor castanho-escura ou acinzentada, com manchas claras irregulares espalhadas pelo corpo e cabeça.
As barbatanas dorsal, anal e caudal costumam ter um rebordo claro ou alaranjado. A cauda é arredondada. Os exemplares grandes podem passar de 1 m e dezenas de quilos.
Confusões frequentes
Os juvenis podem confundir-se com a garoupa (Serranus cabrilla) e o serrano, que têm faixas verticais regulares e não manchas claras. Também se confunde com o cherne (Polyprion americanus), que é cinzento uniforme, tem uma crista óssea no opérculo e cauda truncada, e com outros meros raros (Epinephelus costae, de riscas longitudinais).
Se tiver dúvidas, trate o peixe como mero e devolva-o.
Onde vive
Vive em fundos rochosos com grutas e fendas, de poucos metros até cerca de 200 m; os adultos ocupam a mesma toca durante anos. Ocorre em toda a costa portuguesa, sendo mais frequente no continente no Algarve, Arrábida–Sesimbra e Berlengas; é mais comum nos Açores e Madeira, sobretudo em áreas marinhas protegidas como a Reserva do Garajau.
Comportamento e época
Predador de emboscada, alimenta-se sobretudo de polvos e caranguejos, e também de chocos, lulas e peixes. Nasce fêmea e muda para macho já tarde, entre os 10 e os 16 anos e com 70–80 cm, o que o torna muito vulnerável à pesca: retirar os grandes exemplares compromete a reprodução.
Cresce devagar, pode pesar cerca de 60 kg e viver uns 50 anos. É curioso e confiante perante mergulhadores, o que faz dele um peixe muito apreciado na observação subaquática.
Como pescar
O mero não deve ser pescado nem mantido a bordo. Se morder por acidente na pesca ao fundo ou no jigging, traga-o com calma, sem forçar demasiado, e prepare a devolução antes de o ter junto ao barco.
Os meros apanhados a mais de 20–30 m sofrem frequentemente barotrauma (bexiga natatória dilatada, olhos salientes, estômago a sair pela boca). Nesses casos:
- mantenha o peixe dentro de água ou o mínimo de tempo possível fora dela;
- use mãos molhadas ou luva, nunca o agarre pelas guelras nem o deixe no chão quente;
- se o anzol estiver fundo, corte a linha junto à boca em vez de o arrancar;
- use um dispositivo de descompressão (descendedor ou cesto com peso) para o devolver à profundidade onde foi apanhado; não perfure a bexiga se não tiver formação para isso.
Iscos e amostras
Não se deve procurar o mero com iscos. Morde ocasionalmente polvo, choco, lula, peixe vivo e jigs destinados a outras espécies de fundo; se pescar em zonas com meros conhecidos, evite insistir nesses pesqueiros e mude de local quando aparecer.
Na pesca submarina também não deve ser capturado: aproveite para o observar e fotografar.
Na cozinha
Não deve ser retido na pesca lúdica. Qualquer exemplar capturado deve ser devolvido vivo à água.
Curiosidades
- Todos os meros começam a vida como fêmeas; só os mais velhos e maiores se tornam machos.
- A Reserva Natural Parcial do Garajau, na Madeira, a primeira reserva portuguesa exclusivamente marinha, foi criada em grande parte para proteger o mero.
- O IPMA, com a Universidade do Algarve, reproduz meros em cativeiro na Estação Piloto de Piscicultura de Olhão e já libertou juvenis na costa algarvia.
- Pode viver cerca de meio século e ultrapassar 1,5 m.
- Em zonas protegidas aproxima-se dos mergulhadores e reconhece locais e rotinas.
- Nos Açores a pesca do mero chegou a ser suspensa temporariamente em 2024 por se observarem peixes com comportamento e alterações físicas anormais.
Conservação
Classificado como Vulnerável na Lista Vermelha da IUCN: cresce devagar, muda de sexo tarde e é fiel à toca, o que o torna fácil de sobrepescar. No continente a captura é proibida na pesca lúdica, e na Madeira a captura na caça submarina também é proibida; nos Açores há regras regionais próprias. O IPMA pede que os avistamentos sejam comunicados. Boas práticas: evitar pesqueiros conhecidos de meros, devolver de imediato qualquer exemplar e usar descendedor para os apanhados em profundidade.
Galeria
Vivem nas mesmas águas
Espécies que se encontram nas mesmas zonas e habitats do mero.
Iscos, amostras e montagens para mero
Referências
- Mero – Epinephelus marginatus · IPMA – Estação Piloto de Piscicultura de Olhão (biologia, distribuição, proibição na pesca lúdica, repovoamento)
- Ficha Mero – Epinephelus marginatus · Governo Regional da Madeira (Mar Madeira) (captura proibida na caça submarina na Madeira, Vulnerável, 1,6 m, até 200 m, Garajau)
- Portaria n.º 1/2024, de 5 de janeiro · Governo Regional dos Açores (regras próprias da pesca lúdica do mero nos Açores; mero como Vulnerável)
- Portaria n.º 83-B/2024 (suspensão temporária da pesca do mero nos Açores) · Jornal Oficial dos Açores (suspensão em 2024 por anomalias observadas)
- Anexo I – Denominações comerciais autorizadas (atualização de 4 de junho de 2020) · DGRM (Mero, Mero-legítimo, Mero-negro, Garoupa-do-Brasil (Açores))
- Epinephelus marginatus – WoRMS · World Register of Marine Species (taxonomia e nome científico válido)
- Epinephelus marginatus – Lista Vermelha da IUCN · IUCN (Vulnerável)
- Denominações comerciais autorizadas em Portugal (Anexo I da Portaria 587/2006, consolidado a 27/04/2021) · DGRM (nome oficial e denominações autorizadas)

