Saltar para o conteúdo
Pescar

Atualizado a

Carangidae · Mar

Lírio

Seriola dumerili

Nome oficialCharuteiro · também autorizados: Írio (só Açores), Lírio (só Açores)

Grande predador pelágico, muito potente, que frequenta baixios, pedras e montes submarinos. Uma das lutas mais duras da pesca embarcada em Portugal, sobretudo no Sul, Açores e Madeira.

Lírio
Foto: Diego Delso · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
—

Antes de levar

Tamanho mínimo

Não definido

Captura

Pode ser capturada

Registo de capturas

Não exigido

Conservação (IUCN)

Pouco preocupante (LC)

A lei em vigor prevalece sobre esta ficha. Confirme sempre as regras locais (editais da capitania, zonas protegidas, regulamentos de cada rio).

Onde encontrar em Portugal

Costa do continente

Ilhas

  • AçoresComum

    baixios e bancos em torno das ilhas (Faial, Pico, São Miguel)

    alvo clássico do jigging

  • costa sul da Madeira, Porto Santo, Desertas

Indicativo: a abundância varia com a época, a água e o ano. As localizações exatas dos pesqueiros nunca são mostradas aqui.

Como identificar

Corpo alongado e robusto, ligeiramente comprimido, com dorso cinzento-azulado ou acastanhado e flancos prateados, por vezes com uma faixa longitudinal amarelada.

Tem uma banda escura oblíqua que passa pelo olho até à nuca, bem visível nos exemplares mais pequenos. Primeira dorsal curta, segunda dorsal longa, caudal bifurcada potente. Não tem escudos ósseos na linha lateral, ao contrário dos carapaus.

Confusões frequentes

Confunde-se com outras seriolas, como a Seriola rivoliana, de dorsal e anal mais altas e falcadas e corpo mais alto (em Portugal ambas são vendidas como charuteiro), e a Seriola fasciata, mais pequena. Também pode ser confundido com a anchova à distância, que tem dentes bem visíveis, e com o xaréu, que tem escudos ósseos na linha lateral.

Os juvenis têm faixas verticais escuras e acompanham objetos flutuantes.

Onde vive

Vive em baixios rochosos, recifes, naufrágios e montes submarinos, normalmente entre 20 e 200 m, podendo subir à superfície. No continente é mais comum no Algarve, costa alentejana e Sesimbra–Arrábida; nos Açores e Madeira é um alvo clássico da pesca embarcada.

Comportamento e época

Caça em pequenos grupos peixes como cavala, chicharro, sardinha e lulas. Desova no fim da primavera e verão.

Ao ser ferrado, procura de imediato o fundo e as pedras para partir a linha, por isso é preciso travão forte e determinação nos primeiros segundos. É curioso e muitas vezes segue o peixe ferrado ou a amostra até perto do barco.

Como pescar

A técnica mais usada é o jigging vertical sobre baixios e montes, com jigs de 100–300 g consoante a corrente e a profundidade. Também se pesca com isco vivo (cavala, chicharro) a meia água ou junto ao fundo e ao corrico lento.

Os melhores momentos são as mudanças de maré e as horas de corrente moderada, ao amanhecer e ao fim do dia. Material pesado: multiplicadores ou carretos de alta capacidade, multifilamento grosso e pontas de fluorocarbono robustas. Para os exemplares que não se pretendem guardar, o charuteiro aguenta bem a devolução se for manuseado com cuidado.

Iscos e amostras

Amostras: jigs metálicos longos (speed jig, slow jig), poppers e stickbaits grandes quando o peixe está à superfície, vinis grandes em cabeçote.

Isco natural: cavala ou chicharro vivos, iscados pelo lábio ou pelo dorso; lula inteira em alternativa.

Na cozinha

Carne firme e saborosa, muito boa grelhada, em postas no forno ou crua (marinada). Exemplares muito grandes podem ter parasitas na carne; os médios são os mais apreciados.

Curiosidades

  • É o maior peixe da família dos carapaus (carangídeos), podendo ultrapassar 1,8 m.
  • Nos Açores chama-se írio ou lírio; no resto do país o nome comercial é charuteiro.
  • Os juvenis vivem associados a objetos à deriva e algas flutuantes, com riscas verticais que desaparecem com a idade.
  • A banda escura que atravessa o olho escurece ou clareia conforme o estado de excitação do peixe.
  • É uma espécie criada em aquacultura em vários países mediterrânicos.

Conservação

Classificado como Pouco Preocupante pela IUCN. Os grandes reprodutores concentram-se em baixios e montes submarinos, onde são muito vulneráveis ao jigging intensivo. Boas práticas: guardar só exemplares médios, libertar os grandes depressa e com o peixe dentro de água, e não repetir o mesmo cardume vezes sem conta.

Galeria

  • Lírio
    NOAA Photo Library (CC BY 2.0)
  • Lírio
    Albarubescens (CC BY-SA 4.0)

Vivem nas mesmas águas

Espécies que se encontram nas mesmas zonas e habitats do lírio.

Iscos, amostras e montagens para lírio

Referências

  1. Anexo I – Denominações comerciais autorizadas (atualização de 4 de junho de 2020) · DGRM (Charuteiro (oficial) para S. dumerili e S. rivoliana; Írio e Lírio nos Açores)
  2. Fichas de identificación de medregales · Gobierno de Canarias / ULPGC (González, 2019) (distinção entre seriolas e nome «charuteiro» na Madeira)
  3. Seriola dumerili – WoRMS · World Register of Marine Species (taxonomia e nome científico válido)
  4. Seriola dumerili – Lista Vermelha da IUCN · IUCN (estado de conservação global)
  5. Denominações comerciais autorizadas em Portugal (Anexo I da Portaria 587/2006, consolidado a 27/04/2021) · DGRM (nome oficial e denominações autorizadas)