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Pescar

Atualizado a

Octopodidae · Mar

Polvo

Octopus vulgaris

Nome oficialPolvo · também autorizado: Polvo-vulgar

Cefalópode de rocha muito inteligente e de grande valor gastronómico, presente em toda a costa portuguesa, onde vive em tocas entre pedras e se pesca com amostras próprias a partir de barco ou de terra.

Polvo
Foto: Comingio Merculiano (1845-1915) in Jatta Giuseppe (1860-1903) · Public domain · Wikimedia Commons
—

Antes de levar

Tamanho mínimo

Não definido

ou 750 g

Captura

Pode ser capturada

Registo de capturas

Não exigido

Conservação (IUCN)

Pouco preocupante (LC)

Fonte: DGRM, Tabela de Tamanhos Mínimos de Captura (26/02/2026): Portaria n.º 255/2022, Regulamento (UE) 2019/1241 e Regulamento (UE) 2026/249. A lei em vigor prevalece sobre esta ficha. Confirme sempre as regras locais (editais da capitania, zonas protegidas, regulamentos de cada rio).

Onde encontrar em Portugal

Costa do continente

  • Sines, Vila Nova de Milfontes, Zambujeira do Mar

    plano do Algarve começa na ribeira de Odeceixe

  • Sagres, Lagos, Portimão, Albufeira

    região com a maior frota nacional dedicada ao polvo

  • Quarteira, Olhão, Santa Luzia (Tavira)

    Santa Luzia é conhecida como capital do polvo

  • Arrábida, Sesimbra, Cascais

  • Viana do Castelo, Vila Praia de Âncora

  • Costa NorteFrequente

    Póvoa de Varzim, Vila do Conde, Leixões

  • Costa OesteFrequente

    Peniche, Berlengas, Ericeira

  • Costa CentroOcasional

    molhes da Figueira da Foz e de Aveiro

    costa sobretudo arenosa

Ilhas

Indicativo: a abundância varia com a época, a água e o ano. As localizações exatas dos pesqueiros nunca são mostradas aqui.

Como identificar

Corpo em forma de saco (manto) sem barbatanas nem osso, e oito braços compridos com duas filas de ventosas. Não tem tentáculos maiores como a lula e o choco.

A pele muda de cor e textura conforme o fundo, de castanho-avermelhado a cinzento ou esbranquiçado, com pequenas papilas. Os braços são cerca de três a quatro vezes o comprimento do manto.

Confusões frequentes

Pode confundir-se com o polvo-cabeçudo (Eledone cirrhosa), mais pequeno, alaranjado e com só uma fila de ventosas em cada braço, e com o polvo-almiscarado (Eledone moschata), também de uma fila de ventosas e com cheiro intenso a almíscar.

Para distinguir veja as ventosas: duas filas no polvo-comum, uma fila nos Eledone.

Onde vive

Vive em fundos de rocha, pedra solta e cascalho, desde a zona de marés até cerca de 200 metros, em toda a costa continental, Açores e Madeira. É muito abundante no Algarve e na costa alentejana.

Usa tocas, fendas e objetos abandonados como abrigo, que se reconhecem pelas conchas e carapaças vazias à entrada.

Comportamento e época

Alimenta-se de caranguejos, mexilhões, búzios e peixes, sobretudo ao amanhecer, ao anoitecer e de noite. É curioso e territorial, saindo da toca para atacar objetos que se mexem.

Vive cerca de um ano e meio. Reproduz-se uma única vez: a fêmea guarda os ovos na toca durante semanas, sem se alimentar, e morre depois da eclosão.

Como pescar

Pesca-se com amostras próprias para polvo (polveiras ou toneiras de polvo) arrastadas lentamente sobre o fundo de pedra a partir de barco à deriva, ou lançadas de molhes e rochas. Também se pesca com linha de mão e isco atado a uma armação de anzóis.

Ao sentir peso, puxe de forma contínua para não o deixar agarrar-se às pedras. Os melhores dias são de mar calmo e água limpa. Devolva os polvos pequenos e as fêmeas que estejam a guardar ovos, e cumpra as regras da pesca submarina.

Iscos e amostras

Amostras de polvo com corpo em forma de caranguejo ou peixe, de cores claras ou brancas, com coroa de agulhas. As toneiras de lula grandes também resultam.

Como isco natural usam-se caranguejo, sardinha, cavala ou um pedaço de toucinho branco atado à armação, que se vê bem no fundo.

Na cozinha

Um dos produtos mais apreciados: polvo à lagareiro, arroz de polvo, polvo assado, salada de polvo e polvo seco.

Curiosidades

  • Tem três corações e sangue azulado, por usar hemocianina (com cobre) em vez de hemoglobina.
  • Grande parte dos seus neurónios está nos braços, que reagem e exploram quase de forma independente.
  • Vive apenas cerca de 18 meses e reproduz-se uma única vez.
  • Pode atingir cerca de 1,3 m de comprimento total e 10 kg, embora a maioria seja muito menor.
  • No Algarve é pescado tradicionalmente com alcatruzes, vasos de barro que o polvo usa como toca, e com covos.
  • Santa Luzia, em Tavira, é conhecida como a «capital do polvo».

Conservação

Não está ameaçado a nível global (avaliação IUCN de Pouco Preocupante), mas é um recurso muito explorado na costa portuguesa, sobretudo no Algarve, onde existe desde 2025 um plano de gestão da pesca do polvo com cogestão entre pescadores, cientistas e administração.

Boas práticas: devolver polvos pequenos, nunca capturar fêmeas a guardar ovos e não destruir tocas ou mexer em pedras para os desalojar.

Galeria

  • Polvo
    Beckmannjan (CC BY-SA 3.0)
  • Polvo
    H. Zell (CC BY-SA 3.0)

Vivem nas mesmas águas

Espécies que se encontram nas mesmas zonas e habitats do polvo.

Iscos, amostras e montagens para polvo

Notícias, artigos e eventos: polvo

Referências

  1. FAO Species Catalogue - Cephalopods of the World, vol. 3 (Octopodidae) · FAO (distribuição atlântica, tamanho e peso máximos)
  2. Portaria n.º 78/2025/1 - Plano de gestão da pesca do polvo no Algarve · Diário da República (importância do polvo no Algarve; plano de gestão)
  3. Portaria n.º 84/2024/1 - comité de cogestão do polvo no Algarve · Diário da República (área entre Odeceixe e a foz do Guadiana; alcatruzes e covos)
  4. Plano de gestão do polvo no Algarve · Barlavento (ciclo de vida de cerca de 18 meses; morre após uma única reprodução)
  5. Eledone cirrhosa - denominações comerciais · Comissão Europeia (EUMOFA fish names) (nome português 'polvo-cabeçudo')
  6. Polvo Cabeçudo Fresco (Eledone cirrhosa) · Continente (uso comercial do nome 'polvo-cabeçudo' em Portugal)
  7. Polveiras e toneiras · Nootica (loja de pesca) (uso dos termos 'toneira' e 'polveira' no comércio português)
  8. Denominações comerciais autorizadas em Portugal (Anexo I da Portaria 587/2006, consolidado a 27/04/2021) · DGRM (nome oficial e denominações autorizadas)