Atualizado a
Trachinidae · Mar
Peixe-aranha
Trachinus draco
Nome oficialPeixe-aranha · também autorizado: Peixe-aranha-maior
Peixe de areia que vive semienterrado e tem espinhos venenosos na dorsal e nas guelras. Captura frequente no surfcasting e na pesca ao fundo; exige muito cuidado ao manusear.
Também conhecido como
- Aranha

Antes de levar
Tamanho mínimo
Não definido
Captura
Pode ser capturada
Registo de capturas
Não exigido
Conservação (IUCN)
Pouco preocupante (LC)
Espinhos venenosos na barbatana dorsal e nos opérculos: manusear com luvas.
A lei em vigor prevalece sobre esta ficha. Confirme sempre as regras locais (editais da capitania, zonas protegidas, regulamentos de cada rio).
Onde encontrar em Portugal
Costa do continente
- Costa CentroComum
Aveiro (Costa Nova), Mira, Figueira da Foz
- Alentejo litoralFrequente
Comporta, Melides, Sines
- Barlavento algarvioFrequente
Meia Praia (Lagos), Alvor
- Lisboa e SetúbalFrequente
Costa da Caparica, Fonte da Telha
- Costa do MinhoFrequente
praias de Caminha e Viana do Castelo
- Costa NorteFrequente
praias de Vila do Conde, Espinho
- Costa OesteFrequente
Nazaré, São Martinho do Porto, Peniche
- Sotavento algarvioFrequente
Faro, Monte Gordo
Indicativo: a abundância varia com a época, a água e o ano. As localizações exatas dos pesqueiros nunca são mostradas aqui.
Como identificar
Corpo alongado e comprimido, com olhos no alto da cabeça e boca virada para cima, adaptações a viver enterrado. Cor amarelada ou acastanhada, com linhas oblíquas azuladas e amareladas nos flancos.
A primeira dorsal é curta, escura e tem espinhos venenosos; há também um espinho venenoso em cada opérculo (tampa das guelras). A segunda dorsal e a anal são longas.
Segurança: nunca agarre o peixe com as mãos. Use alicate ou pinça de desferrar, um pano grosso ou luvas resistentes e corte a linha se necessário. Em caso de picada, mergulhe a zona afetada em água quente (cerca de 40–45 °C, o mais quente que se tolere sem queimar) durante 60 a 90 minutos, retire restos de espinho visíveis e procure assistência médica (SNS 24, Centro de Informação Antivenenos ou 112), sobretudo se houver dor intensa, inchaço, reação alérgica ou mal-estar geral.
Confusões frequentes
Confunde-se com o peixe-aranha-menor (Echiichthys vipera), muito mais pequeno (raramente passa dos 15 cm) e atarracado, típico das praias de areia em pouca água, e com outros Trachinus menos frequentes. Todos são venenosos e devem ser tratados com o mesmo cuidado.
Distingue-se de outros peixes de areia pela primeira dorsal escura e pelas linhas oblíquas nos flancos.
Onde vive
Vive em fundos de areia, vasa ou cascalho, desde poucos metros até mais de 100 m, frequentemente enterrado com só os olhos e a dorsal de fora. Ocorre em toda a costa continental, em praias, baías e entradas de estuários.
Comportamento e época
Predador de emboscada: espera enterrado e ataca pequenos peixes e camarões que passam. É mais ativo ao entardecer e à noite.
Desova no verão, altura em que se aproxima mais da costa. Morde com facilidade iscos de surfcasting e fica frequentemente preso em anzóis destinados a outras espécies.
Como pescar
Apanha-se sobretudo no surfcasting e na pesca ao fundo em praias e areais, e embarcado sobre fundos de areia. Raramente é procurado de propósito.
Ao trazê-lo para terra, deixe-o no chão e use o alicate para o desferrar. Não o pise nem deixe peixes mortos na areia: os espinhos continuam a picar. Na praia, use sapatos de água em zonas de banho e pesca a pé.
Iscos e amostras
Pica em minhoca, casulo, ganso, camarão, tiras de sardinha e lula. Também ataca pequenas amostras arrastadas no fundo.
Na cozinha
Apesar do veneno (que está só nos espinhos), tem carne branca e muito saborosa. Cortar as barbatanas espinhosas com tesoura antes de amanhar. Excelente em caldeirada, sopa de peixe e arroz de peixe.
Curiosidades
- O veneno principal, a draco-toxina, é destruído pelo calor, e é por isso que a água quente alivia a dor.
- Os espinhos de um peixe morto continuam a picar durante horas.
- A denominação oficial portuguesa é peixe-aranha; «peixe-aranha-maior» distingue-o do peixe-aranha-menor.
- Passa grande parte do tempo enterrado, só com os olhos e a dorsal de fora, à espera das presas.
- Sem tratamento com calor, há casos descritos de feridas que demoraram meses a sarar.
Conservação
Classificado como Pouco Preocupante pela IUCN. Não é alvo de pesca dirigida. Boas práticas: devolver à água os exemplares que não se aproveitam, usando alicate, e nunca os deixar mortos na areia, onde podem picar banhistas.
Galeria
Vivem nas mesmas águas
Espécies que se encontram nas mesmas zonas e habitats do peixe-aranha.
Referências
- Anexo I – Denominações comerciais autorizadas (atualização de 4 de junho de 2020) · DGRM (Peixe-aranha (oficial) e Peixe-aranha-maior)
- Thermal immersion in managing greater weever sting: a case study on delayed recovery · Eyinç et al., Ulus Travma Acil Cerrahi Derg, 2024 (água quente 40–45 °C durante 60–90 min, draco-toxina termolábil, complicações)
- Revisão sobre a picada de Trachinus draco · Repositório Aberto da Universidade do Porto (tratamento por imersão em água quente e prevenção)
- Echiichthys vipera – EUNIS · Agência Europeia do Ambiente (nome peixe-aranha-menor)
- Trachinus draco – WoRMS · World Register of Marine Species (taxonomia e nome científico válido)
- Trachinus draco – Lista Vermelha da IUCN · IUCN (estado de conservação global)
- Denominações comerciais autorizadas em Portugal (Anexo I da Portaria 587/2006, consolidado a 27/04/2021) · DGRM (nome oficial e denominações autorizadas)

