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Pescar

Atualizado a

Trachinidae · Mar

Peixe-aranha

Trachinus draco

Nome oficialPeixe-aranha · também autorizado: Peixe-aranha-maior

Peixe de areia que vive semienterrado e tem espinhos venenosos na dorsal e nas guelras. Captura frequente no surfcasting e na pesca ao fundo; exige muito cuidado ao manusear.

Também conhecido como

  • Aranha
Peixe-aranha
Foto: Etrusko25 · Public domain · Wikimedia Commons
—

Antes de levar

Tamanho mínimo

Não definido

Captura

Pode ser capturada

Registo de capturas

Não exigido

Conservação (IUCN)

Pouco preocupante (LC)

Espinhos venenosos na barbatana dorsal e nos opérculos: manusear com luvas.

A lei em vigor prevalece sobre esta ficha. Confirme sempre as regras locais (editais da capitania, zonas protegidas, regulamentos de cada rio).

Onde encontrar em Portugal

Costa do continente

Indicativo: a abundância varia com a época, a água e o ano. As localizações exatas dos pesqueiros nunca são mostradas aqui.

Como identificar

Corpo alongado e comprimido, com olhos no alto da cabeça e boca virada para cima, adaptações a viver enterrado. Cor amarelada ou acastanhada, com linhas oblíquas azuladas e amareladas nos flancos.

A primeira dorsal é curta, escura e tem espinhos venenosos; há também um espinho venenoso em cada opérculo (tampa das guelras). A segunda dorsal e a anal são longas.

Segurança: nunca agarre o peixe com as mãos. Use alicate ou pinça de desferrar, um pano grosso ou luvas resistentes e corte a linha se necessário. Em caso de picada, mergulhe a zona afetada em água quente (cerca de 40–45 °C, o mais quente que se tolere sem queimar) durante 60 a 90 minutos, retire restos de espinho visíveis e procure assistência médica (SNS 24, Centro de Informação Antivenenos ou 112), sobretudo se houver dor intensa, inchaço, reação alérgica ou mal-estar geral.

Confusões frequentes

Confunde-se com o peixe-aranha-menor (Echiichthys vipera), muito mais pequeno (raramente passa dos 15 cm) e atarracado, típico das praias de areia em pouca água, e com outros Trachinus menos frequentes. Todos são venenosos e devem ser tratados com o mesmo cuidado.

Distingue-se de outros peixes de areia pela primeira dorsal escura e pelas linhas oblíquas nos flancos.

Onde vive

Vive em fundos de areia, vasa ou cascalho, desde poucos metros até mais de 100 m, frequentemente enterrado com só os olhos e a dorsal de fora. Ocorre em toda a costa continental, em praias, baías e entradas de estuários.

Comportamento e época

Predador de emboscada: espera enterrado e ataca pequenos peixes e camarões que passam. É mais ativo ao entardecer e à noite.

Desova no verão, altura em que se aproxima mais da costa. Morde com facilidade iscos de surfcasting e fica frequentemente preso em anzóis destinados a outras espécies.

Como pescar

Apanha-se sobretudo no surfcasting e na pesca ao fundo em praias e areais, e embarcado sobre fundos de areia. Raramente é procurado de propósito.

Ao trazê-lo para terra, deixe-o no chão e use o alicate para o desferrar. Não o pise nem deixe peixes mortos na areia: os espinhos continuam a picar. Na praia, use sapatos de água em zonas de banho e pesca a pé.

Iscos e amostras

Pica em minhoca, casulo, ganso, camarão, tiras de sardinha e lula. Também ataca pequenas amostras arrastadas no fundo.

Na cozinha

Apesar do veneno (que está só nos espinhos), tem carne branca e muito saborosa. Cortar as barbatanas espinhosas com tesoura antes de amanhar. Excelente em caldeirada, sopa de peixe e arroz de peixe.

Curiosidades

  • O veneno principal, a draco-toxina, é destruído pelo calor, e é por isso que a água quente alivia a dor.
  • Os espinhos de um peixe morto continuam a picar durante horas.
  • A denominação oficial portuguesa é peixe-aranha; «peixe-aranha-maior» distingue-o do peixe-aranha-menor.
  • Passa grande parte do tempo enterrado, só com os olhos e a dorsal de fora, à espera das presas.
  • Sem tratamento com calor, há casos descritos de feridas que demoraram meses a sarar.

Conservação

Classificado como Pouco Preocupante pela IUCN. Não é alvo de pesca dirigida. Boas práticas: devolver à água os exemplares que não se aproveitam, usando alicate, e nunca os deixar mortos na areia, onde podem picar banhistas.

Galeria

  • Peixe-aranha
    Hans Hillewaert (CC BY-SA 4.0)
  • Peixe-aranha
    Erling Svensen/Ocean Photo (CC BY-SA 4.0)

Vivem nas mesmas águas

Espécies que se encontram nas mesmas zonas e habitats do peixe-aranha.

Referências

  1. Anexo I – Denominações comerciais autorizadas (atualização de 4 de junho de 2020) · DGRM (Peixe-aranha (oficial) e Peixe-aranha-maior)
  2. Thermal immersion in managing greater weever sting: a case study on delayed recovery · Eyinç et al., Ulus Travma Acil Cerrahi Derg, 2024 (água quente 40–45 °C durante 60–90 min, draco-toxina termolábil, complicações)
  3. Revisão sobre a picada de Trachinus draco · Repositório Aberto da Universidade do Porto (tratamento por imersão em água quente e prevenção)
  4. Echiichthys vipera – EUNIS · Agência Europeia do Ambiente (nome peixe-aranha-menor)
  5. Trachinus draco – WoRMS · World Register of Marine Species (taxonomia e nome científico válido)
  6. Trachinus draco – Lista Vermelha da IUCN · IUCN (estado de conservação global)
  7. Denominações comerciais autorizadas em Portugal (Anexo I da Portaria 587/2006, consolidado a 27/04/2021) · DGRM (nome oficial e denominações autorizadas)