Atualizado a
Trichiuridae · Mar
Peixe-espada-branco
Lepidopus caudatus
Nome oficialPeixe-espada · também autorizado: Peixe-espada-branco
Peixe longo, achatado e prateado como uma fita, que vive no talude e sobe durante a noite. Uma das capturas importantes da pesca artesanal de Sesimbra e alvo de pesca embarcada em profundidade.
Também conhecido como
- Espada · Sesimbra

Antes de levar
Tamanho mínimo
Não definido
Captura
Pode ser capturada
Registo de capturas
Não exigido
Conservação (IUCN)
Dados insuficientes (DD)
A lei em vigor prevalece sobre esta ficha. Confirme sempre as regras locais (editais da capitania, zonas protegidas, regulamentos de cada rio).
Onde encontrar em Portugal
Costa do continente
- Lisboa e SetúbalComum
Sesimbra, canhão de Setúbal, Cabo Espichel
principal porto de desembarque no continente
- Alentejo litoralFrequente
ao largo de Sines
- Costa OesteFrequente
ao largo de Peniche e Nazaré (canhão da Nazaré)
- Barlavento algarvioOcasional
ao largo de Sagres e Portimão
Ilhas
- Madeira e Porto SantoOcasional
Indicativo: a abundância varia com a época, a água e o ano. As localizações exatas dos pesqueiros nunca são mostradas aqui.
Como identificar
Corpo muito alongado e achatado, em forma de fita, totalmente prateado e sem escamas. Cabeça pontiaguda, olhos grandes e boca com dentes compridos e afiados.
A barbatana dorsal corre ao longo de todo o dorso sem interrupção e há uma pequena barbatana caudal em forma de forquilha.
Confusões frequentes
Confunde-se sobretudo com o peixe-espada-preto (Aphanopus carbo), que é negro-acastanhado, vive muito mais fundo (centenas a mais de mil metros) e tem a dorsal com um entalhe entre a parte espinhosa e a mole. Também pode ser confundido com o lírio ou peixe-espada-lírio (Trichiurus lepturus), raro em Portugal, que não tem barbatana caudal e termina em ponta fina.
Onde vive
Vive sobre a plataforma e o talude, normalmente entre 100 e 600 m (nos Açores concentra-se entre 200 e 400 m), em fundos de areia e vasa e junto a canhões e montes submarinos. No continente é desembarcado sobretudo em Sesimbra, junto ao canhão de Setúbal, e ocorre ao longo da costa e nos Açores e Madeira.
Comportamento e época
Faz migrações verticais diárias: de dia fica perto do fundo e à noite sobe na coluna de água para caçar pequenos peixes (biqueirão, sardinha, carapau), lulas e crustáceos.
Desova numa época alargada, com picos no fim do verão e outono. Morde de forma rápida e pouco percetível; perde-se facilmente se a linha não estiver tensa.
Como pescar
É uma pesca embarcada, feita ao fundo com linhas de vários anzóis ou com jigs verticais, em profundidades de 100 a 400 m, com chumbadas pesadas ou carretos elétricos. À noite pode ser procurado a profundidades menores, quando sobe.
Escolher dias de pouca corrente e mar calmo. Usar estralhos de fluorocarbono grosso ou aço fino por causa dos dentes, e luzes químicas junto aos anzóis. Manusear com cuidado: os dentes cortam.
Iscos e amostras
Isco natural: tiras de cavala, sardinha ou lula, compridas e finas para ondularem na água, bem presas ao anzol.
Amostras: jigs metálicos estreitos e prateados ou fosforescentes, slow jigs e lulas de borracha luminosas.
Na cozinha
Peixe muito apreciado: filetes de peixe-espada com arroz de tomate ou açorda, postas fritas ou grelhadas. Em Sesimbra faz parte da cozinha local, embora a quinzena gastronómica da vila seja dedicada ao peixe-espada-preto.
Curiosidades
- Portugal é o país com mais desembarques médios desta espécie no mundo, com grande peso dos Açores.
- Não tem escamas: o brilho prateado vem de uma camada de guanina na pele.
- Sobe à noite para camadas mais altas da água atrás do alimento e volta ao fundo de dia.
- Nos Açores já foram registados exemplares com quase 2 m de comprimento.
- Não deve ser confundido com o peixe-espada-preto, pescado em Sesimbra com palangre a cerca de 1500 m de profundidade.
Conservação
Classificado como Pouco Preocupante pela IUCN. Nos Açores, estudos recentes indicam tendência de declínio da abundância e taxa de exploração ligeiramente acima do ideal. Boas práticas: evitar capturar exemplares pequenos, guardar só o necessário (dificilmente sobrevive à subida de grandes profundidades) e manusear com luvas por causa dos dentes.
Galeria
Vivem nas mesmas águas
Espécies que se encontram nas mesmas zonas e habitats do peixe-espada-branco.
Iscos, amostras e montagens para peixe-espada-branco
Referências
- Anexo I – Denominações comerciais autorizadas (atualização de 4 de junho de 2020) · DGRM (Peixe-espada (oficial), Peixe-espada-branco; Trichiurus lepturus = Lírio)
- Life History and Fishing Aspects of the Deep-Sea Silver Scabbardfish Lepidopus caudatus in the Azores · Biology (MDPI), 2022 (profundidade, tamanho máximo observado, desembarques, estado nos Açores)
- Pesca artesanal em Sesimbra (Etnográfica) · P. Pereira da Silva, Etnográfica (peixe-espada branco entre as principais capturas de Sesimbra)
- Sesimbra Acontece n.º 60 · Câmara Municipal de Sesimbra (pesca do peixe-espada-preto em Sesimbra (1500 m) e quinzena gastronómica)
- Lepidopus caudatus – WoRMS · World Register of Marine Species (taxonomia e nome científico válido)
- Lepidopus caudatus – Lista Vermelha da IUCN · IUCN (estado de conservação global)
- Denominações comerciais autorizadas em Portugal (Anexo I da Portaria 587/2006, consolidado a 27/04/2021) · DGRM (nome oficial e denominações autorizadas)

