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Siluridae · Água doce
Siluro
Silurus glanis
O maior peixe de água doce da Europa, chegado a Portugal a partir de Espanha neste século. Está estabelecido no Tejo e em expansão no Douro, pode ultrapassar os 2,5 m e é alvo de pesca especializada e de planos de controlo.
Também conhecido como
- peixe-gato-europeu

Antes de levar
Tamanho mínimo
Não definido
Captura
Pode ser capturada
Registo de capturas
Não exigido
Conservação (IUCN)
Pouco preocupante (LC)
A lei em vigor prevalece sobre esta ficha. Confirme sempre as regras locais (editais da capitania, zonas protegidas, regulamentos de cada rio).
Onde encontrar em Portugal
Rios e albufeiras
- Bacia do TejoComum
Tejo em Santarém, albufeiras de Fratel, Belver, Meimoa e Montargil
estimativa de cerca de 300 siluros por km² na albufeira de Belver (2026)
Indicativo: a abundância varia com a época, a água e o ano. As localizações exatas dos pesqueiros nunca são mostradas aqui.
Como identificar
Corpo enorme, sem escamas, de pele lisa e viscosa, alongado e achatado lateralmente na parte posterior. Cabeça larga e achatada, boca enorme com dentes pequenos em placas.
Tem seis barbilhos: dois muito compridos no maxilar superior e quatro curtos no queixo. Dorsal minúscula, sem barbatana adiposa, e barbatana anal muito longa (mais de 80 raios), que se estende quase até à cauda. Coloração escura, marmoreada, com ventre claro.
Confusões frequentes
Os juvenis podem ser confundidos com o peixe-gato-negro (Ameiurus melas), que tem barbatana adiposa, dorsal com espinho e oito barbilhos de tamanho semelhante, além de anal curta.
As enguias têm corpo serpentiforme e dorsal e anal unidas à caudal, sem barbilhos.
Onde vive
Espécie introduzida, nativa da Europa Central e de Leste. Foi introduzida em Espanha nos anos 70 e terá chegado a Portugal por volta de 2006–2008. O primeiro registo publicado é de abril de 2014, em Aldeia das Caneiras (Santarém), no Tejo. Está estabelecido no Tejo e albufeiras associadas (Fratel, Belver, Meimoa, Montargil) e, desde há poucos anos, também no troço português do Douro; não há registos publicados no Guadiana português.
Vive em rios largos e albufeiras profundas, em fundos com estruturas e poços. É um superpredador com potencial de grande impacto sobre peixes nativos e aves aquáticas; consulte as regras do ICNF sobre espécies exóticas.
Comportamento e época
Predador oportunista e sobretudo noturno: come peixes, lagostins, rãs, aves aquáticas e pequenos mamíferos. Localiza as presas pelos barbilhos e pela linha lateral.
Desova no fim da primavera e início do verão (maio a julho), em ninhos guardados pelo macho. É mais ativo com água quente, entre a primavera e o outono.
Como pescar
Pesca especializada, muitas vezes a partir de barco: spinning pesado com vinis e amostras grandes, pesca vertical, clonk (som que atrai o peixe) e pesca de fundo com iscos grandes ou bóia subaquática.
Exige material muito robusto: canas potentes, carretos grandes, multifilamento forte e terminais resistentes. As melhores horas são o anoitecer e a noite. Por segurança, nunca pesque sozinho de barco e use colete. A pesca em águas interiores exige licença do ICNF, e cada zona pode ter regras próprias.
Iscos e amostras
Vinis grandes (shads de 15 a 25 cm), swimbaits, jigs pesados, peixes mortos, lulas, pellets de halibute em grandes quantidades e cachos de minhocas.
Na cozinha
Os exemplares pequenos e médios têm carne branca, sem espinhas e comestível. Os muito grandes são gordos e podem acumular contaminantes.
Curiosidades
- É o maior peixe de água doce da Europa: o máximo publicado é de 2,73 m e 130 kg, e pode viver décadas.
- O primeiro siluro registado em Portugal media cerca de 1,18 m e pesava 14,4 kg, apanhado numa rede no Tejo em 2014.
- Em 2026 uma operação do projeto LIFE PREDATOR retirou cerca de 23 toneladas de siluros do Tejo.
Conservação
Em Portugal é exótico (Não Aplicável no Livro Vermelho de 2023) e consta da Lista Nacional de Espécies Invasoras. O ICNF tem um Plano de Ação para o Controlo do Siluro (2022) e o projeto LIFE PREDATOR faz campanhas de remoção no Tejo. O Livro Vermelho aponta-o como ameaça a espécies migradoras e nativas como o sável, a lampreia e a enguia. Boas práticas: nunca transportar siluros vivos nem introduzi-los noutras albufeiras, comunicar capturas em locais novos ao ICNF ou a projetos de investigação; sobre o destino a dar aos exemplares capturados, consulte as regras do ICNF sobre espécies exóticas.
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Referências
- First record of Silurus glanis in Portugal (J. Appl. Ichthyol. 31: 756–758, 2015) · Gkenas et al. (primeiro registo publicado (abril 2014, Aldeia das Caneiras, Santarém, 118 cm, 14,4 kg))
- LIFE PREDATOR – controlo do siluro (descrição de projeto) · NeoBiota (Pensoft) (chegada provável em 2006–2008, Tejo estabelecido, Douro recente, sem registos no Guadiana, Lista Nacional (DL 92/2019), DL 112/2017, albufeiras alvo)
- Westwards expansion of the European catfish Silurus glanis in the Douro River (Limnetica 43, 2024) · Limnetica (primeira ocorrência e expansão no Douro português (2024))
- Operação no Tejo retira 23 toneladas de siluros (1/6/2026) · Observador (remoção de 23 t no Tejo (2026), densidade em Belver)
- Livro Vermelho dos Peixes Dulciaquícolas e Diádromos de Portugal Continental (2023) · Magalhães et al. / FCiências.ID e ICNF (nome peixe-gato-europeu, estatuto NA, pressão sobre migradores, Plano de Ação 2022)
- Lista Nacional de Espécies Invasoras (Anexo II do Decreto-Lei n.º 92/2019) · ICNF (inclusão na Lista Nacional de Espécies Invasoras)
- FishBase – Silurus glanis (factos verificados: tamanhos, distribuição) · FishBase (comprimento máximo 273 cm, 130 kg, barbilhos mentonianos, anal com 83–95 raios, sem adiposa)

