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Pescar

Atualizado a

Mugilidae · Mar · Estuário · Água doce

Tainha-de-beiço-grosso

Chelon labrosus

Nome oficialTainha · também autorizados: Muja, Liça, Muge

Tainha de lábio superior grosso e papiloso, oficialmente tainha-liça, frequente em costas rochosas, portos e estuários. Muito desconfiada e combativa em linha fina.

Também conhecido como

  • fataça · Lisboa
  • mugem · Norte
  • tainha-liça
Tainha-de-beiço-grosso
Foto: David Perez · CC BY 3.0 · Wikimedia Commons
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Antes de levar

Tamanho mínimo

Não definido

Captura

Pode ser capturada

Registo de capturas

Não exigido

Conservação (IUCN)

Quase ameaçada (NT)

A lei em vigor prevalece sobre esta ficha. Confirme sempre as regras locais (editais da capitania, zonas protegidas, regulamentos de cada rio).

Onde encontrar em Portugal

Costa do continente

  • Esposende, Leixões, Póvoa de Varzim

    espécie explorada na área do Parque Natural do Litoral Norte

  • Sines, ribeiras entre a Comporta e o Burgau

    presente junto aos estuários das linhas de água do litoral alentejano

  • Costa CentroFrequente

    Figueira da Foz, Aveiro

    abundância relativa estimada

  • Cascais, Setúbal

    abundância relativa estimada

  • Costa OesteFrequente

    Peniche, Nazaré

    abundância relativa estimada

  • Lagos, Portimão

    abundância relativa estimada

Ilhas

  • AçoresComum

    portos e costas rochosas das ilhas

    provavelmente a única tainha dos Açores

  • Funchal, Porto Santo

    presença confirmada

Rios e albufeiras

  • Ria de Aveiro

    tainhas entre as famílias mais abundantes; tainha-liça capturada como acessória

Indicativo: a abundância varia com a época, a água e o ano. As localizações exatas dos pesqueiros nunca são mostradas aqui.

Como identificar

Corpo alongado e robusto, dorso cinzento-esverdeado e flancos prateados com riscas longitudinais escuras. A característica principal é o lábio superior muito grosso, com pequenas papilas visíveis na metade inferior.

Não tem pálpebra adiposa desenvolvida. Pode ter uma pequena mancha escura na base da barbatana peitoral.

Confusões frequentes

Distingue-se da tainha-olhalvo (Mugil cephalus) pela ausência de pálpebra adiposa e pelo lábio grosso. Do garrento (Chelon auratus) e da fataça (Chelon ramada) distingue-se pelo lábio, que nestas é fino, e pela falta de manchas douradas no opérculo.

Os nomes populares misturam-se: «muge», «mugem», «liça» e até «fataça» aparecem para várias tainhas.

Onde vive

Prefere águas costeiras com rocha, molhes, portos e marinas, entrando também em estuários, lagoas e mesmo em água doce. Vive perto da superfície e em pouca profundidade.

Comum em toda a costa continental e presente nos Açores (onde parece ser a única tainha) e na Madeira.

Comportamento e época

Raspa algas, diatomáceas e detritos das pedras e do fundo, comendo também pequenos invertebrados; os juvenis alimentam-se de zooplâncton. Anda em cardumes e é muito sensível a ruído e sombras. As fêmeas crescem mais do que os machos.

Desova no mar, no inverno e início da primavera. É mais ativa e fácil de ver nos meses quentes.

Como pescar

À bóia, com linha muito fina, anzol pequeno e engodo regular, a partir de molhes, rochas e portos. A pesca ao fundo leve em portos também funciona.

Melhores momentos: enchente e preia-mar, mar calmo, manhãs e fins de tarde. Não faça movimentos bruscos junto à água e use camaroeiro para tirar o peixe.

Iscos e amostras

Pão (miolo ou côdea), massa de pão com sardinha, pequenas minhocas e camarão. Engodo de pão molhado com sardinha.

Na cozinha

Pode ser boa quando apanhada em águas limpas; grelhada ou assada no forno.

Curiosidades

  • Pode viver 25 anos e chegar aos 4,5 kg.
  • Os Açores marcam o limite ocidental da sua distribuição, e é provavelmente a única tainha do arquipélago.
  • Nos Açores e na Madeira chama-se «mugem» ou «muja».
  • Os juvenis comem plâncton e os adultos passam a raspar algas e detritos.
  • Em cativeiro as fêmeas têm dificuldade em completar a maturação, o que complica a sua criação em aquacultura.

Conservação

Classificada como Quase Ameaçada (NT) na Lista Vermelha global da IUCN (2022), por declínio de populações. Ameaças: degradação de estuários e zonas costeiras e pesca intensa. Boas práticas: devolver exemplares pequenos e grandes reprodutores, manusear com as mãos molhadas e não pescar em águas poluídas para consumo.

Galeria

  • Tainha-de-beiço-grosso
    Desconhecido (CC BY-SA 3.0)
  • Tainha-de-beiço-grosso
    Eric Tittley (CC BY 4.0)

Vivem nas mesmas águas

Espécies que se encontram nas mesmas zonas e habitats do tainha-de-beiço-grosso.

Iscos, amostras e montagens para tainha-de-beiço-grosso

Referências

  1. Lista das Denominações Comerciais Autorizadas em Portugal (Anexo I, atualização de 9 set. 2026) · DGRM – Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (denominações comerciais oficiais)
  2. Ichthyofauna of Portugal: taxonomic diversity, common and scientific names of marine fishes, Vol. I (Carneiro, Martins, Reiner & Batista, 2019) · IPMA (nomes vulgares registados em Portugal e ocorrência no continente, Açores e Madeira)
  3. Updated checklist of marine fishes (Chordata: Craniata) from Portugal (Carneiro et al., 2014, European Journal of Taxonomy 73) · European Journal of Taxonomy (ocorrência por região (continente, Açores, Madeira) e nomes locais por região)
  4. Ficha de biodiversidade: Muge (Liza ramada) · CIMAL – Comunidade Intermunicipal do Alentejo Litoral (tainhas nas linhas de água do litoral alentejano e uso local de nomes)
  5. Commercially exploited species in PNLN (Parque Natural do Litoral Norte) · OMARE – Observatório Marinho de Esposende (presença na costa norte (Esposende))
  6. Estudos de ictiofauna da Ria de Aveiro (repositório da Universidade de Aveiro) · Universidade de Aveiro (abundância de Mugilidae e tainha-liça como captura acessória)
  7. FishBase – Chelon labrosus (dados factuais) · FishBase (tamanhos máximos e comuns, profundidade, longevidade, estatuto IUCN (factos verificados))
  8. Denominações comerciais autorizadas em Portugal (Anexo I da Portaria 587/2006, consolidado a 27/04/2021) · DGRM (nome oficial e denominações autorizadas)