Atualizado a
Labridae · Mar
Bodião
Labrus bergylta
Nome oficialBodião · também autorizados: Bodião-reticulado, Bodião-vermelho
Peixe de rocha robusto e muito colorido, típico das costas recortadas do Norte e Centro. Luta com força junto ao fundo e é uma das capturas mais frequentes na pesca à rocha.

Antes de levar
Tamanho mínimo
Não definido
Captura
Pode ser capturada
Registo de capturas
Não exigido
Conservação (IUCN)
Pouco preocupante (LC)
No Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, a pesca apeada segue o defeso da pesca profissional: 1 de março a 31 de maio (Portaria n.º 372/2024/1, alterada pela Portaria n.º 51-A/2026/1).
A lei em vigor prevalece sobre esta ficha. Confirme sempre as regras locais (editais da capitania, zonas protegidas, regulamentos de cada rio).
Onde encontrar em Portugal
Costa do continente
- Costa NorteComum
Póvoa de Varzim, Leça, Matosinhos
- Costa OesteComum
Peniche, Berlengas, Ericeira
- Alentejo litoralFrequente
Sines, Porto Covo, Vila Nova de Milfontes
- Costa CentroFrequente
Buarcos, Cabo Mondego
- Lisboa e SetúbalFrequente
Cascais, Cabo Espichel, Arrábida
Ilhas
Indicativo: a abundância varia com a época, a água e o ano. As localizações exatas dos pesqueiros nunca são mostradas aqui.
Como identificar
Corpo alto e compacto, com cabeça grande, focinho curto e lábios grossos e carnudos. A boca tem dentes fortes, adaptados a partir conchas e crustáceos.
A cor varia muito: verde, castanho, avermelhado ou alaranjado, normalmente com um padrão reticulado ou de pintas claras sobre o corpo. A barbatana dorsal é longa e contínua, com a parte da frente espinhosa; a caudal é arredondada.
Confusões frequentes
Pode confundir-se com outros bodiões, sobretudo o bodião-canário (Labrus mixtus), que é mais esguio e cujo macho tem cabeça azul e corpo alaranjado, e com as pequenas Symphodus (bodiões-pequenos), que raramente passam dos 20 cm.
O tamanho, os lábios muito grossos e o corpo alto distinguem o bodião adulto.
Onde vive
Vive em fundos rochosos com algas, desde a zona entre-marés até cerca de 30–50 m. É mais abundante na costa Norte e Centro (Minho, Viana, Peniche, Berlengas), mas aparece em toda a costa rochosa do continente.
Gosta de fendas, lajes e florestas de laminárias, e também frequenta pés de molhes com blocos.
Comportamento e época
Alimenta-se de caranguejos, mexilhões, lapas, ouriços, camarões e outros invertebrados que arranca da rocha; à medida que cresce passa a preferir presas mais duras. É ativo de dia e recolhe-se às tocas ao anoitecer, mantendo-se fiel a uma área pequena durante anos.
É hermafrodita protogínico: todos nascem fêmeas e só parte delas se transforma em macho, já com vários anos. Desova entre a primavera e o verão, em ninhos de algas construídos em fendas da rocha, que o macho guarda até à eclosão. Quando ferrado, corre de imediato para a toca, por isso é preciso tirá-lo do fundo depressa.
Como pescar
Pesca-se sobretudo ao fundo junto à rocha e à bóia rente ao fundo, da rocha ou de molhes, e também embarcado sobre pedra. Use linha resistente à abrasão, cana com reserva de força e uma chumbada de sacrifício para evitar perder o aparelho.
As melhores alturas são de dia, nas enchentes e à volta da preia-mar, com mar calmo a moderado e alguma ondulação que solte comida. Em águas limpas também é procurado na pesca submarina e com amostras de vinil pescadas lentamente (texas ou cabeçotes).
Iscos e amostras
Funcionam muito bem o caranguejo (inteiro ou partido), o mexilhão, a lapa, a casca, o camarão e a minhoca de rocha. O caranguejo deve ser iscado pela ponta da carapaça; o mexilhão atado com elástico.
Em amostras: vinis tipo lagostim ou peixe pequeno, em cores naturais, trabalhados devagar junto ao fundo.
Na cozinha
Carne branca mas algo mole e com espinhas; é usado sobretudo em caldeiradas, sopas de peixe e arroz de peixe. Os exemplares maiores podem ir ao forno.
Curiosidades
- Todos os bodiões nascem fêmeas; a mudança para macho acontece tarde e nem todas as fêmeas a fazem.
- Os ovos são postos em ninhos de algas escondidos em fendas, protegidos pelo macho durante cerca de uma a duas semanas.
- É um peixe longevo para o tamanho: há registos de exemplares com quase 30 anos.
- Estudos com telemetria na Galiza mostraram que cada bodião vive numa área muito pequena, de poucos hectares.
- Na Galiza distinguem-se duas formas de cor, uma lisa e outra pintalgada, que já foram estudadas geneticamente.
- No norte da Europa é usado como «peixe-limpador» nas pisciculturas de salmão, porque come os piolhos-do-mar.
Conservação
Classificado como Pouco Preocupante pela IUCN a nível global. Por crescer devagar, viver muitos anos no mesmo local e mudar de sexo tarde, as populações locais são sensíveis à pesca intensa dos exemplares grandes, que são sobretudo machos. Boas práticas: devolver os bodiões pequenos e os grandes reprodutores, sobretudo na época dos ninhos (primavera e verão), e não insistir sempre no mesmo pesqueiro.
Galeria
Vivem nas mesmas águas
Espécies que se encontram nas mesmas zonas e habitats do bodião.
Iscos, amostras e montagens para bodião
Iscos naturais
Referências
- Anexo I – Denominações comerciais autorizadas (atualização de 4 de junho de 2020) · DGRM (nomes comerciais: bodião, bodião-reticulado, bodião-vermelho; maragota = Symphodus melops)
- A Review of Wrasse Ecology and Fisheries Interactions · Devon and Severn IFCA (S. Davies) (biologia, protoginia, ninhos de algas, longevidade, dieta nos Açores)
- HELCOM Red List – Labrus bergylta · HELCOM (ninho de algas construído pelo macho e guarda dos ovos)
- Life-history and behaviour of Labrus bergylta in Galicia · D. Villegas-Ríos (Univ. Vigo) (área vital pequena e formas de cor na Galiza)
- Labrus bergylta – WoRMS · World Register of Marine Species (taxonomia e nome científico válido)
- Labrus bergylta – Lista Vermelha da IUCN · IUCN (estado de conservação global)
- Denominações comerciais autorizadas em Portugal (Anexo I da Portaria 587/2006, consolidado a 27/04/2021) · DGRM (nome oficial e denominações autorizadas)

