Tita (bibi)
Também conhecido como titas, bibi, bibis, Sipunculus nudus
Verme marinho grosso e sem segmentos (sipunculídeo), vendido vivo e quase sempre importado. Muito resistente no anzol e nos lançamentos fortes, é um isco seletivo para douradas, sargos e robalos.

O que é
A tita, também chamada bibi, é o Sipunculus nudus, um sipunculídeo: um verme marinho de corpo liso e sem segmentos, com uma parte da frente (o introverte) que pode recolher para dentro do corpo. Quando se contrai fica com o aspeto de um amendoim, daí o nome inglês peanut worm. Não é um poliqueta, embora os estudos mais recentes o coloquem perto dos anelídeos.
Vive enterrado em fundos de areia, desde a zona entre marés até grande profundidade, e os adultos medem em geral cerca de 15 cm. Os nomes «tita» e «bibi» para esta espécie estão registados na literatura científica sobre o seu uso como isco vivo na pesca desportiva.
Em Portugal, o isco vendido é sobretudo importado: um estudo do mercado de isco vivo que chega ao aeroporto de Lisboa verificou que todos os «vermes marinhos vivos» vindos do Vietname eram, na verdade, Sipunculus nudus, e que essas importações aumentaram muito entre 2002 e 2003.
Como usar
É um isco fechado, grosso e firme, que aguenta bem lançamentos fortes e as investidas de peixe miúdo. Por ser maior e mais duro do que as minhocas comuns, tende a selecionar peixes de maior tamanho.
- Use uma agulha de iscar (agulha comprida que ajuda a passar o isco para a linha): enfie a tita pela agulha com cuidado, de uma ponta à outra.
- Passe a baixada (o troço final de linha com o anzol) da agulha para o isco e puxe a tita até cobrir a haste e a curva do anzol, deixando a ponta e a farpa à vista.
- Para peixes mais pequenos ou anzóis menores, corte-a em pedaços e isque um troço da mesma forma.
- Nos lançamentos longos, pode reforçar com fio elástico, embora a tita costume segurar-se bem sozinha.
Montagens
Usa-se em montagens de fundo e de surfcasting, na pesca de margem (molhes, paredões, cais) e na pesca embarcada ao fundo.
Onde arranjar
Compra-se viva em lojas de pesca e de isco vivo, em pequenas caixas. A oferta depende das importações, pelo que pode haver falhas de stock. Não há registo de apanha corrente de titas para isco nas praias portuguesas.
Conservação e cuidados
As titas importadas viajam em caixas refrigeradas a cerca de 5 °C, com espuma húmida, para abrandar o metabolismo. Em casa, mantenha-as na caixa de origem, em local fresco e escuro. Leve-as para a pesca numa geleira e retire as que morrerem.
Dicas
- Como dura muito no anzol, é útil quando há muito peixe miúdo a «limpar» iscos mais moles.
- Isque com calma: uma tita bem esticada na haste lança-se melhor e engana mais.
- Não deite as titas que sobrarem à água: são animais importados e a sua libertação é apontada como um risco para os ecossistemas locais. Leve-as para casa ou deite-as no lixo.
Regras
Não foi encontrada regra específica da DGRM para o uso de sipunculídeos importados como isco. Aplicam-se as regras gerais sobre iscos e engodos da pesca lúdica (artigo 5.º da Portaria n.º 14/2014).

Tita na areia molhada: corpo liso, sem segmentos nem patas laterais · Mandalorian, CC BY-SA 4.0 
Pormenor da parte da frente (introverte) de Sipunculus nudus · Marinko Babić, CC BY-SA 4.0
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